quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sobre cultivar espinhos



Que momento fatídico foi esse em que perdemos a capacidade de nos entusiasmar com a vida e de perceber mais os espinhos do que as flores?

Que momento tão infeliz foi esse em que reclamar se tornou mais comum que agradecer? Que falar mal conseguiu superar o ato de elogiar?

Por que debaixo do "céu azul" de selfies felizes das redes sociais, existe um mar de tanta amargura, revolta e opiniões tão duras, contra pessoas, instituições, cidades, famílias, crenças, times, opções, escolhas, profissões?

Por que as palavras bem ditas perderam o seu poder de inspirar, diante da influência multiplicadora das palavras mal ditas?

Por que perdemos a vontade de sermos simpáticos? Por que tantos querem desmotivar alguém a ser? Por que o ato de brigar superou a capacidade de estar em paz? Consigo, com os outros...

Por que os tantos atos bons praticados por uma pessoa não são reconhecidos pelas redes de amigos, mas uma fofoca se torna tão mais atrativa de "passar adiante" do que as verdades, a gratidão por algo de bom? 

Por que o copo pela metade se tornou tão vazio? E ser otimista, em tempos atuais, é péssimo? Por que tanta religião espalhada e tamanha falta de fé disseminada? 

Por que tanta falta de empatia? E essa incapacidade de se colocar no lugar do outro?
As redes sociais se tornaram um universo contraditório em si: a selfie teima em aparentar felicidade. Mas há um universo de palavras instigando a infelicidade.

Não tem como curtir! Não dá pra compartilhar!

Parem o mundo que eu quero descer!

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