quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cinco bons filmes e um ruim

Raul Seixas- O Início, o Meio e o Fim- Um instigante documentário que joga luz sobre o mito que foi Raul Seixas, procurando humanizá-lo, mostrando as suas fraquezas, defeitos, sua genialidade, sua bondade e o gigantesco talento. Apesar de burocrático nas entrevistas, o filme soma pontos por apresentar material inédito de imagens do cantor (ao menos do grande público). Melhores momentos: a cena em que uma mosca insiste em incomodar Paulo Coelho, que faz um discurso pacifista de "não vou matar", mas acaba matando e perdendo o raciocínio e todos os momentos em que Raul aparece e o documentário só cresce. Ao final, fiquei com a certeza de que o mito do Maluco Beleza virou uma lenda.


Wolverine Imortal- Agora entendi o porquê de X-Men Origens Wolverine (de 2009) ter sido tão ruim. Na verdade, os produtores queriam que a gente tivesse as mais baixas expectativas para este Wolverine Imortal (2013) que, se não adaptou ao pé da letra a famosa HQ (Eu, Wolverine), que ela levemente se inspira, temos aqui um filme realmente digno do mais popular dos mutantes. Hugh Jackman está animal no papel (duplo sentido, sacou?); e o roteiro foi muito bem trabalhado, as cenas de ação muito bem dirigidas, os diálogos, os personagens, existe uma trama bem amarrada e, ao menos, duas cenas antológicas: a da luta no trem bala e a do confronto com os ninjas na neve. Até o último minuto, Wolverine Imortal é surpreendente. E depois que acaba, quando sobem os créditos, o filme ainda presenteia os espectadores com uma cena apoteótica.


Antes da Meia-Noite- A mais linda e honesta história de amor retratada no cinema está retratada na trilogia formada por Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia-Noite. No primeiro, vimos dois jovens se conhecendo numa viagem de trem que marcou profundamente as suas vidas. No segundo, o reencontro de ambos, nove anos depois. Agora, nove anos mais tarde os reencontramos. Agora, maduros. E cada qual conhecendo o melhor e o pior de cada um. O amor é capaz de resistir? Belíssimas atuações da dupla Ethan Hawke e Julie Delpy. Difícil não se identificar, não se envolver, não se emocionar com as minúcias dessa história construída com tanta sensibilidade.
50%- Você começa assistir e pensa que vai ser um drama. Aí, o filme te envolve com algumas piadas e alivia a pesada história sobre um rapaz de 27 anos que descobre ter câncer. E pelo resto do filme temos o equilíbrio de momentos dramáticos (contatos com leveza pelo roteiro) e de instantes de riso, de melancolia e de celebração à vida. Impossível não se emocionar, ainda mais com as atuações dos ótimos Joseph Gordon-Levitt e Seth Rogen. (E me apaixonei pela Anna Kendrick).


Círculo de Fogo- Roteiro de quinta, atores de terceira e efeitos especiais de primeira. E quer saber? A premissa de monstros gigantescos sendo combatidos por robôs igualmente descomunais diverte muito. "Hoje vamos cancelar o apocalipse", entra para história das frases marcantes do cinema. Se você curte (ou curtia) Transformers, Godzila, Jaspion ou Changeman vai curtir ainda mais este Pacific Rim.

E  o ruim é...

Kick-Ass 2: A Decepção. Se o primeiro filme era arrebatador, esse aqui chega "arrebentado". Consegue desperdiçar todas as oportunidades de fazer um bom filme, desvirtuando até mesmo características marcantes dos personagens tão bem apresentados no filme anterior. O novo diretor demonstrou uma notável incompetência ao não desvalorizar a participação de um ator como Jim Carrey que, desde a primeira cena, não diz a que veio e em nada acrescentou. E dê-lhe cenas enfadonhas, ainda que bem coreografadas. O filme tem um conflito de personalidade, pois ao mesmo tempo em que é surreal por sua própria temática, tenta também evocar um realismo forçado. E é perceptível também a tentativa em imitar algumas das cenas mais célebres do filme anterior, como a de um personagem tomando um tiro de outro, durante um treinamento (mas que não tem, nem de longe, o mesmo impacto do primeiro Kick-Ass); além do uso de uma música infantil em ritmo acelerado, emulando um grande momento do filme original, em que a Hit-Girl combatia um grupo de bandidos. Só que, aqui, o recurso é aplicado numa cena de outros personagens, de maneira equivocada. Kick-Ass 2 só tem serventia nas cenas em que a Hit-Girl aparece, sendo interpretada com muita competência por Chloe Moretz, que faz o (im)possível para dar levantar a moral do filme, mesmo que a produção tenha sido ingrata em destruir a sua personagem, mostrando-a como alguém que tenta se encaixar num universo feminino fútil, em vez de justamente evidenciar que ela não tem nada a ver com aquele tipo de comportamento. Se o primeiro Kick-Ass terminava de um jeito que me fez sonhar com um segundo filme, este merece figurar na mesma galeria de péssimas adaptações de HQ (habitada por Batman & Robin, Mulher Gato, Elektra etc) e me faz rezar que não façam um terceiro filme.

E como você percebeu falei muito mais do filme ruim do que dos bons. Mas é isso mesmo. Nada se perde e, muitas vezes, até algo que não é bom pode render mais discussões.

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