terça-feira, 23 de julho de 2013

Homem de Aço é um filmaço. Mas com ressalvas...

O primeiro filme que vi na TV em minha vida foi Superman, o clássico dirigido por Richard Donner, uma vez que passou na TV. De lá para cá, vi o filme umas 20 vezes e sempre acho emocionante aquela que foi a cena que me marcou lá na infância: a Lois despencando do alto de um prédio, onde o helicóptero em que ela estava havia ficado preso. Poucos segundos antes, um homem de óculos e chapeu abria caminho em meio à multidão de curiosos na calçada para se transformar no Superman. E, embalado pela trilha de John Willians desafia as leis da gravidade, tomando a repórter nos braços vários metros acima do solo. "Você me salvou! Mas...quem salvará você?", diz ela incapaz de acreditar num homem que pode voar. Antes de alcançar o topo do prédio, o Super abaralha outra coisa despencando: o helicóptero que estava preso num cabo e atingiria a multidão, não fosse ele capaz de dar conta do recado. Uau, que cena!


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(Comentários sem spoilers)

E eis que há poucos dias assisti no cinema do Royal, o filme "O Homem de Aço", a sexta aparição do Superman nos cinemas, agora numa nova roupagem, menos na linha aventuresca e mais como ficção científica. Gostei bastante do primeiro ato da película, que mostra mais de Krypton do que já tinha sido mostrado no cinema, ainda que se inspirando bastante nas clássicas cenas de Marlom Brando. Os roteiristas se basearam em ótimas HQs para construir um roteiro coeso, ainda que com algumas soluções apressadas ao longo da história. Aplaudi a decisão de, assim como na saga O Legado das Estrelas (das HQs), existe um impacto mundial quando se descobre que existe vida em outros planetas e que ela está representada no Superman, que é visto como desconfiança e não como um salvador. O segundo ato apresenta essa ideia que é muito bacana, mas não chega a ser melhor desenvolvida, o que é uma pena. Essa ideia merece ser melhor explorada nas continuações. (Já foi noticiado que o segundo filme terá a presença do Batman, inclusive. Estreia em 2015).


Gostei do estilo realista, da filmagem com cara de filme independente em alguns momentos.Os flashbacks foram filmados com muito capricho e talento, mas editados de forma intrusiva em alguns momentos, quebrando o ritmo. O roteirista David Goyer faz um bom trabalho de construção de roteiro, mas continua cometendo o pecado de criar diálogos expositivos (e repetitivos) e também forçou a barra nas referências religiosas, que poderiam ter sido mais sutis. 

Tem algumas soluções aceleradas que poderiam ter ganhado uma explicação melhor, caso o terceiro ato do filme não ficasse tão centrado nas cenas de destruição. O elenco está muito bem em seus papéis, em especial Kevin Costner e Russel Crowe. O novo Superman, interpretado por Henry Cavill, ficou ótimo, assim como a Lois Lane, de Amy Adams. 

O Homem de Aço é inegavelente um bom filme, mas que apesar de suas qualidades técnicas, mesmo com todo seu aparato de superprodução e as mentes criativas envolvidas não foi capaz de criar uma daquelas cenas icônicas, diginas de figurar na história do cinema. Ou, pelo menos, na mente de uma criança de cinco anos.

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