quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

As estatísticas escondem o que dói

Foto: Felipe Dana.

Nos acostumamos a ver notícias de tragédias que ora ocorrem muito distante de nós. Milhares que morrem no desabamento de arranha-céus nos EUA. Milhares que morrem por causa de um tsunami na Indonésia. Outros milhares que morrem pelo mesmo motivo no Japão. Ou um avião que cai. Um navio que naufraga. Erupções vulcânicas. Furacões. Terremotos. Bombas. Conflitos armados. Violência urbana. Cada desastre com suas frias estatísticas e rankings dos piores. Nos acostumamos a ver as notícias na TV, nos jornais, na internet. E a impessoalidade dos números nos fazem esquecer o que, de fato, representam. Cada um é uma vida, onde orbita um pai, uma mãe, uma namorada. Ou namorado. Ou filho. Irmãos. Amigos. Cada número atinge várias pessoas. 

Quanto maiores os números, mais filhos não voltarão para casa, são mães chorando ou pais tendo que enterrar sonhos. Na impessoalidade das notícias, existe a tendência de não se afetar pela dor do outro. Até que um dia, ou antes mesmo de nascer o dia, a tragédia nos acorda de madrugada. Irrompe próximo e transtorna tudo ao redor. E todos nos vemos afetados de maior ou menor forma. E a dor do outro se torna a nossa dor. Quando uma fatalidade ocorre à nossa volta, arrancando da gente as pessoas que conhecemos, convivemos, amamos, as lágrimas se tornam impossíveis de segurar. Números escondem a verdade, estatísticas mentem. As tragédias (des) contam pessoas e destroem famílias. 

Em momentos de dor nos voltamos para a reflexão. Para tentar entender, buscar uma luz, a clareza. E, por mais que a gente não queira, a tristeza é o sentimento que mais nos impõe a compreensão. Nestes dias dolorosos, ainda se buscam razões e principalmente se apontam culpados. E como sempre, acreditamos que existe uma salvação no Céu ou que a culpa veio do Inferno, sem muitas vezes confrontar que há em cada um, uma parcela de culpa (seja pela corrupção ou pela omissão). Mas, de nada adiantará chorar, se isso não servir para nos consolar, inquietar, transformar e evitar o que pode ser evitado, assumindo cada um de nós, sociedade, a parcela de responsabilidade que nos cabe. Pois pessoas não merecem virar estatísticas.

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