sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Estrada: o melhor filme sobre o fim do mundo


Como o assunto "fim do mundo", ainda está em discussão e desperta interesse, dá para ter um vislumbre de o que aconteceria se alguma catástrofe acontecesse em nosso planeta assistindo ao filme A Estrada, o melhor já produzido dentro desse tema. Esqueça "2012" ou "O Dia Depois do Amanhã", que vá lá, valem pelos efeitos especiais. A Estrada tem uma história tensa, coerente e que obedece uma lógica

Quando a história inicia, somos apresentamos a um futuro não muito distante, num planeta totalmente devastado. As cidades viraram um amontoado de ruínas, lixo e ferro-velho. As árvores estão mortas, a água está poluída, a vida marinha inexiste e não houve qualquer tecnologia que evitasse isso (até mesmo porque, criamos a tecnologia e nos tornamos dependentes dela. Uma vez que ela nos falte, o que há para se fazer?)

E não ficamos sabendo, em nenhum momento, como o planeta chegou a esse estágio. Porém, o tempo todo ficamos nos questionando sobre tais e quais razões (Foi uma guerra? Caiu algum asteróide? Foram os vulcões?). No caso, estamos vendo uma história em tela e desenvolvendo uma outra, em nossa mente, não sendo nenhum pouco difícil de tirar as próprias conclusões.

Da mesma forma, o enredo pode ser visto também através de dois pontos de vista de seus principais personagens. Há um pai (Viggo Mortensen, brilhante) e um filho (Kodi Smit-McPhee) que vagam por cidades devastadas, à procura de comida.

O pai, que testemunhou o fim de tudo, vai aos poucos perdendo a sua própria civilidade e entregando-se à lei do mais forte. Já o filho- que nunca soube o que teria sido um computador, um ar condicionado, um telefone celular ou, mesmo, um mar azul e um céu sem poluição- se mantém inocente. Mesmo que ele e seu pai sequer se incomodem em usar sapatos ou cobertores retirados dos cadáveres putrefatos que encontram pelo caminho...

E durante o filme jamais ficamos sabendo seus nomes, já que num mundo assim, um nome não significa mais nada. E tampouco existem conceitos de propriedade, pois o caos é a única coisa existente e ele pertence a todos. Apropriadamente o filme ganhou o nome de A Estrada, afinal, ela é o o único lar para os sobreviventes, que são eternos nômades.

Pai e filho vagam à procura de uma esperança que nunca parece surgir no horizonte sempre nublado ou chuvoso. Não há descanso, não há instante de felicidade, a não ser quando alguma coisa para comer é encontrada.

Logo descobrimos que há também bandos que para sobreviver tornaram-se canibais, a ponto de capturar humanos para manter em cativeiro e sempre ter alimento à disposição. E com isso o medo dos outros ganha contornos muito justificáveis.

(Assistindo ao filme, é impossível não refletir sobre uma frase do físico Albert Eistein, quando foi questionado sobre uma possível 3ª Guerra Mundial. "Não sei como seria uma 3ª guerra mundial. Mas a 4ª será com paus e pedras".

Certa vez, o cineasta Eric Rohmer, da França, disse que um bom filme de ficção também funciona como um documentário de sua época. Pensando assim, é possível compreender o alerta documental (e monumental) que é feito por esta obra-prima.)

Veja o trailer

;

Um comentário:

Giovani Pasini disse...

Fala guri!

Ontem, por coincidência, eu e a Karla assistimos esse filme no HBO.

A Karla chorou muito!

Eu também fiquei abalado. Todos nós, que somos pais, ficamos abalados.

Hoje, quando entrei na net, vi essa tua postagem...

O filme é muito bom!

Também recomendo...

Estamos com saudades!

Abração.