segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

2012 e o fim


Nos anos 60, uma música foi capaz de levar as pessoas para as ruas e marchar de mãos dadas, manifestando indignação contra o sistema de governo. "Pra não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré, era cantado nas ruas. Motivou as pessoas a lutarem contra a ditadura e inspirou uma geração de artistas como Chico Buarque. Que na década de 70 voltou ao Brasil (após exílio no exterior) e lançou a música "Construção", uma crônica sobre a vida e a morte de um operário, que ganhava pouco, trabalhava demais e cuja vida não valia nada, pois sua morte "atrapalha o tráfego/o sábado".  A inteligência dos versos de Chico inspirou Renato Russo. Que nos anos 80, com a banda Legião Urbana definiu a juventude da época como "Geração Coca-Cola" (Quando nascemos fomos programados/A receber o que vocês/Nos empurraram com os enlatados/Dos U.S.A., de nove as seis).

Na mesma época, Cazuza botava o dedo na cara de todo mundo com os versos de "Brasil, mostra a tua cara". Nos anos 90, uma música sua foi gravada por Cássia Eller  "Malandragem" marcou época, ao mesmo tempo em que definiu a (nova) mulher (pós) moderna. E veio os anos 2000, com seus hits ouviu-grudou, como Festa no Apê e porqueiras do tipo. Chegamos em 2012 e Michel Teló espalha pelo mundo os versos de "Ah, se eu te pego", cantado em coro pelas ruas, bares, mas de uma maneira que faria Geraldo Vandré se submeter a uma lobotomia. Se o mundo vai acabar neste ano, não sei. Mas a inteligência na música brasileira já se foi...

Um comentário:

Anônimo disse...

A música acabou?Que maldade essa afirmação.
Eu te conheço.Você não passa de um defensor de gothic Metal.