terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A hipocrisia e a maquiagem: um casamento imperfeito


Prof. Esp. Rodrigo Dalosto Smolareck¹

Lendo o título deste texto reflexivo você deve estar realizando agora mil, talvez muito mais, conexões cerebrais para entender este elo entre a hipocrisia e a maquiagem. Calma! É momento de focarmos nossas leituras de mundo para entendermos o caminho que percorri para chegar a “engravidar” minhas ideias, como diz nosso querido Rubem Alves.

Primeiro, quando falo aqui em hipocrisia retrato a situação social que nos assiste e que na maioria das vezes revela uma identidade hipócrita pela estreites de visão que tem a respeito de tudo e de todos, lança seu fel em quem passar questionando seu “acabamento”, sim, na maioria das vezes essas identidades sofrem de uma síndrome que chamo de “Síndrome do EU sei tudo.”

Agora, acabo de lembrar-me de um acontecido: estava ponderando com uma colega de profissão sobre um fato e a senhora, sem dó, olhando-me nos olhos e postou: “Veja só, tens muito que aprender comigo gurizinho, tenho anos de profissão, já fui isto, aquilo e aquele outro, tenho experiências que ninguém mais viveu.” No momento que escutei tal discurso me deu vontade de gritar, rogando pela famosa “humildade pedagógica” de nosso querido Paulo Freire, mas respirei fundo, me sentindo um tanto esmagado e me lembrei dos ensinamentos de Hebe Camargo, olhei para a figura e disse: GRACINHA!

Já recuperado desta triste lembrança e pontuando com a autoridade intelectual que me assiste, vamos à maquiagem: quanto pó cobre a face maldosa de sujeitos que não se movem frente aquilo que acreditam ser correto e pasmem: CRITICAM AQUELES QUE BUSCAM FAZER ALGO para melhorar ou dar outro significado para os espaços onde atuam. 

São, no mínimo, manifestações da mais pura, limpa e refinada hipocrisia: criticar aqueles que buscam assumir sua posição no mundo parece que virou o “estojo” de maquiagem e, por favor, entendam aqui a ideia de “ maquiagem” como algo que cobre o que não foi revelado e que oculto neste sujeito mal resolvido consigo mesmo se tornou perverso ( estou me dando o direito de filosofar).  

Fôlego, socorro, salve Porto (2002), minha aliada da psicopedagogia quando diz que a aprendizagem humana como fenômeno que se constitui permanentemente pelas inúmeras situações que o mundo problematiza deveria nos levar a buscar asas para voar e não gaiolas para trancafiarmos aqueles que já estão em pleno vôo. 


¹ Pedagogo, Psicopedagogo Clínico e Institucional, M.B.A. em Pedagogia e Psicoepdagogia Empresarial, e-mail: profpedagogia@zipmail.com.br  

2 comentários:

Anônimo disse...

Poxa, até que enfim, estava sentido saudades dos textos do profe Rodrigo.
Fico com vontade de ler mais e mais quando começo logo as primeiras linhas.
Ele é tudo com sua forma de escrever criativa e crítica.

Aninha- Santiago/RS

IARA PEIXOTO disse...

Oi, coleguinha1 Aposto qu eu sei quem é essa "papisa da educação!"