terça-feira, 1 de novembro de 2011

Selton Mello faz rir e chorar em "O Palhaço"



Se nas décadas de 80 e 90 o cinema brasileiro não prestava (com poucas excessões), tudo mudou a partir de Cidade de Deus. O longa dirigido por Fernando Meirelles estabeleceu um padrão de qualidade até então inédito no Brasil, criando uma identidade definitiva. Na última década não teve um ano sequer em que não tenha sido lançado ao menos uns 10 filmes que se conseguiram se equilibrar na equação sucesso de bilheteria/crítica.

Em 2011 tivemos vários sucessos, a começar por Tropa de Elite 2, que estreou no final de 2010, mas ficou vários meses estourado nas bilheterias tornando-se o mais rentável da história, ultrapassando os R$ 100 milhões. Depois vieram Bruna Surfistinha (com Débora Secco), V.I.P.S. (com Wagner Moura), Cilada.Com (com Bruno Mazzeo), As mães de Chico Xavier, Qualquer Gato Vira Lata (com Cléo Pires), Capitães da Areia (da obra de Jorge Amado), Onde está a Felicidade? (com Bruna Lombardi), O Homem do Futuro (Wagner Moura), Assalto ao Banco Central. E chegamos ao lírico O Palhaço, segunda experiência do ator Selton Mello como diretor.

Ele interpreta o palhaço Pangaré, que atua ao lado de seu pai, Puro Sangue (Paulo José). Ambos fazem parte de um circo mambembe que atua no interior de Minas Gerais. No entanto, o personagem de Selton está cansado dessa vida itinerante e difícil e abandona tudo para viver como uma pessoa "normal", apesar de não ter identidade, CPF ou comprovante de residência. Acaba se defrontando com um mundo onde não se encaixa, que só aumenta a sua tristeza, o que o faz perceber que abraçar sua herança artística seja vital para sua sobrevivência.


Não é de hoje que Selton Mello é o mais elogiado dos atores brasileiros, uma espécie de Tom Hanks nacional. Seu talento começou a ser notado nas novelas globais, mas tornou-se insuficiente para a telinha. No cinema, ele já nos brindou com performances inesquecíveis (Meu Nome Não é Johnny, A Mulher Invisível, Jean Charles) e eu destaco muito o seu trabalho no brilhante "O Cheiro do Ralo"

O Palhaço brinda os espectadores com um cinema que parece beber na fonte de cineastas como Frederico Fellini e Wes Anderson (com uma pitada de Os Trapalhões) e levando o público da risada à lágrima. Se Tropa de Elite 2 está para garantir sua vaga no Oscar 2012 (estreia dia 11 de novembro nos cinemas estadunidenses), O Palhaço desde já está carimbando seu passaporte, ao menos diante da firme possibilidade de conquistar a vaga para o ano que vem.

E se, lá em 2013, vier a conquistar o sonhado prêmio que o cinema nacional tanto sonha, será uma consagração não apenas para os cineastas daqui, mas também para o brilhante Selton Mello. Vindo ou não esse prêmio futuro, o que importa é que graças a ele e a talentos como Wagner Moura, José Padilha, Lázaro Ramos, Cláudio Torres e Fernando Meirelles, o cinema nacional é hoje motivo de orgulho. E quem é premiado são os telespectadores.

PS: No elenco de O Palhaço temos a presença de Hossen Minussi, nascido em minha cidade, Santiago.

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