domingo, 3 de julho de 2011

Manifesto contra a hipocrisia

( Do ovo, feijão e arroz...)

Por Rodrigo Dalosto Smolareck¹

É um tanto devassa a ideia de termos que “lidar” com uma espécie de regra que nos sugere que cartografemos, ou pelo menos busquemos decifrar quais são as intenções daqueles que nos chegam. São muitos, pessoas carregadas de uma trilha histórica que desenham sua postura diante de si mesma e dos outros: quanto mais significativa foi e está sendo sua construção enquanto pessoa, mais será sua capacidade de agregar na interação com o semelhante. Agora podemos ter o oposto desse fabuloso fenômeno do “vir a ser” (expressão freiriana).

Estes são denominados “vampiros sociais” além de articularem situações para vitimação própria criam uma atmosfera de “mais valia” que pode estar vinculada a relações de poder ou a aproximações “rendosas” e o interessante é que na maioria dos casos não tem, estes sujeitos, competência e nem maturidade para ocuparem os espaços sociais dos quais se apropriaram, o alimento é denominado: trama e não se compra no mercado.

Sabem, sou de família muito pobre, usávamos as roupas na base da solidariedade: quando um ia para a escola o outro por sua vez ficava em casa porque não tinha vestuário para sair, apenas às vestes surradas de “ficar em casa”, e a professora intricada pelo motivo que nos fazia aparecer na escola dia sim, dia não até hoje desconhece tamanha negociação necessária. Quantas decisões difíceis na hora das refeições: feijão, arroz e ovo ou ovo, arroz e feijão, e esse cardápio ficou no menu por muito tempo.

Nessa altura de minhas recordações, nesse espaço terapêutico eis que recordo de minha querida avó paterna, já falecida: ela tomando sol, em uma imensa cadeira talhada em madeira rústica, lendo suas histórias, quando me recostava no colo para reclamar de qualquer agressão moral ou física lançava sem dó: “Não reclame, seja compreensivo, lembre-se sempre, podemos tirar a pessoa do mato, mas não tiramos o mato da pessoa, os galhos sempre vão estar lá, apenas estão escondidos. A vida vai se encarregar de ensinar o que devem aprender essa gente”.

A velhinha estava certa, entendo que os galhos estão lá, talvez cobertos, mas é uma questão de tempo para que o mato infeste: precioso ensinamento, não podemos “entrar” no matagal, principalmente quando não fazemos parte ou compartilhamos do emaranhado. Respeitar sim, corromper-se é uma outra história...


1-Prof. Esp. Rodrigo Dalosto Smolareck
Pedagogo
Psicopedagogo Clínico e Institucional
MBA em Pedagogia e Psicopedagogia Empresarial

2 comentários:

Anônimo disse...

Quanta sabedoria, adorei o texto do professor, sou supeito de falar pois acompanho todas as atividades dele. Um poeta da educação, sem rodeios fala daquilo que sabe com postura e convicção. Adorooooooo, Fábio_ Santiago/RS

Anônimo disse...

Não me contive e preciso deixar um recado para o profe, disse para o Fábio: adoro ler o que ele escreve, esse professor vai longe......deveria estar ajudando a organizar novas propostas para a educação de nosso Município, para nosso Estado.....adoroooooo eleeeeee, Mirela, Santiago_RS