domingo, 6 de março de 2011

Aprecio sopas...


Por Rodrigo Dalosto Smolareck¹

Lendo Rubem Alves deparei-me com um fragmento de um de seus encantadores e reflexivos textos que relatava o seu amor pelas sopas, uma vez que elas têm o poder de reconduzir a vida e ao prazer tudo àquilo que estava perdido. EXPLICO: Quando fazemos à poção mágica, a sopa, juntamos numa panela tudo aquilo que talvez fossemos descartar: pedaços de batata, folhas de couve, o tomate que já não está com a “ cara” muito saudável, o esqueleto do frango, enfim estes ingredientes são salvos do descarte.

Pensei então que como humanos deveríamos ser como o cozinheiro que decide fazer sopa: ajudar o outro semelhante negado ou oprimido a reconduzir-se a condição de sujeito de sua história, com autonomia de pensamento, capaz de buscar seus direitos elementares a vida e a dignidade de ser pessoa. Todavia tenho clareza que estamos andando na contramão, somos “a feiticeira que insiste em fazer mágica com churrasco e não com a pajelança das sopas”, pois bruxa que é bruxa faz magia com caldeirão e misturas, fusões. Não conheço nenhuma que quebrou ou fez encantamentos com churrasco.

Creio que nos cabe pensarmos em como a sociedade vem se desenhando e como nós estamos contribuindo para essa revelação: assusta-me atentar que ser justo na atualidade é algo não visto com bons olhos, que é chique viver de tramas para que incompetentes se estabeleçam em locais de privilégio, que é sábio comer “sapos” e fazer de nosso estômago um brejo, que é inteligente ter que segurar agressões nuas graças à perversa pedagogia do medo.

Não valido essas posições! Posso ser um entre tantos, mas entendo, pelos estudos que faço e pelas crenças que trago que elegância é realmente ficar sentinela, carregado de educação, todavia não paralisado pela aparelhagem social de coisificação das pessoas. Nas palavras da professora Glória Kalil: “o diabo parece chique, mas o inferno não tem glamour!”

Assim, ficar alerta, respeitar e buscar o devido respeito pelo que somos nos afasta das teias maldosas e nos garante a paz ativa diante de nossas vivências no mundo.


¹ Pedagogo, Psicopedagogo Clínico e Institucional, MBA em Pedagogia e Psicopedagogia Empresarial, e-mail: profpedagogia@zipamil.com.br

2 comentários:

SOS LÍNGUA PORTUGUESA disse...

Muito interessante e pertinente o texto do Rodrgo. A presenta ideias claras e centradas sobre a vida hoje em dia. É isso aí, meu amigo, siga em frente no seu posicionamento. Não é porque os medíocres dominam o mundo que se deve ser como eles!

SOS LÍNGUA PORTUGUESA disse...

Lendo teu perfil, Márcio, cheguei à conclusão de que temos muitos pontos em comum. Poderias sermeu filho ou meu neto. Eu também acho que não sou deste mundo, apesar de gostas dele. Gosto de todas as coisas que apontaste como preferência e também tenho um pouco de médico, principalmente se for veterinário, pois cuido das doenças dos meus bichos, dos que abandonam aqui em casa e até dos que pertencem aos vizinhos. Tenho ceretza que, se não fosse professora, seria veterinária.