quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bruna Surfistinha dá fim à puta falta de sacanagem no cinema nacional

O filme brasileiro mais comentado da temporada é mesmo Bruna Surfistinha. O longa é estrelado pela atriz Deborah Secco e conta um pouco da vida da garota de programa Raquel Pacheco (a verdadeira Bruna...), que foi para a cidade grande tentar a vida e acabou sendo seduzida pelo universo da prostituição. Ela ficou famosa por relatar suas experiências sexuais através de um blog, que depois tornou-se o livro O Doce Veneno do Escorpião, no qual o filme se baseia. Façamos justiça: a Bruna Surfistinha da ficção é muito mais bonita do que a real.

Deborah Secco se entrega à personagem, a qual ela garante ter sido a mais difícil de interpretar. Antes de ir conferir a pré-estreia do filme, Raquel Pacheco (Bruna) fez uma pequena confissão no Twitter:

"Pela primeira vez na vida vou engolir o orgulho e chorar na frente de outras pessoas. Mas né? Já engoli coisas piores. rs. Já tô atrasada!"

De qualquer forma, a cinebiografia da mais famosa prostituta brasileira é um retrato honesto de sua trajetória. Numa sociedade em que os que alcançam o sucesso são admirados, a moça soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe proporcionou. Imagine quantos de nossos políticos não tiveram trajetória semelhante, prostituindo seus ideais e seu caráter. Bruna fez isso com seu corpo milhares de vezes, em diferentes equações (com homens, com mulheres, com homens e mulheres, com mulheres e mulheres, com homens e homens...).

E, afinal, o que é ter dignidade? É transar de menos ou de mais? Homem que transa com todas é garanhão, mulher que transa com todos é puta? Homossexuais não entram no céu, ardem no inferno? E, o que dizer, dos corruptos? Não são prostitutas sociais verdadeiramente prejudiciais à sociedade? Ah, sim! A posição social é mais respeitosa do que a posição sexual. Vale a pena conferir o filme nem que seja para refletir sobre essas questões. E, claro, para quem reclamava que o cinema nacional já não era mais o mesmo, Bruna Surfistinha dá fim à puta falta de sacanagem que imperou no cinema nacional nos últimos anos. Deborah Secco aparece nua de frente, de costas, de lado em cenas muito quentes.

Se depois de ver Deborah Secco você quiser conhecer um pouco mais da verdadeira Bruna Surfistinha, há pelo menos uns três filmes estrelado por ela (abaixo). Procure na sessão pornô de sua locadora.


Assista ao trailer de Bruna Surfistinha, o filme


2 comentários:

giovani disse...

Parabéns, Márcio, pelo posicionamento oportuno frente ao assunto da prostituição.
Essa hipocrisia que odiamos, mas praticamos e nem percebemos de atirar pedras foi bem ilustrada.
Homens e mulheres são machistas. Sim, machistas. Eles acham que só eles podem pular a cerca. Elas acreditam que se eles pulam, faz parte da normalidade. Eles acham que elas não pdem ficar com ninguém. Que feio. Vira puta. Vagabunda. Corrimão. Já elas buscam o cara que pegou todas. É experiente, bad boy, o poderoso.
Então, não venham reclamar desse círculo vicioso que o corpus feminino ajuda a alimentar.

Anônimo disse...

Infelizmente o filme bruna surfistinha cai no erro que eu achei que ele fosse cair, que é o chavão moralista de mocinha ingênua e sem oportunidades de escolha, por viver num ambiente que a massacra se vê "obrigada" a se prostituir, como se tivesse sido sequestrada pelas garras de algum vilão!
A verdade é que bruna teve inumeras oportunidades e se prostituia em boa parte das vezes por prazer!
A bruna de verdade está longe de ser mocinha vítima das circunstancias do filme!
A questão é que boa parte do publico não conheceu a bruna na época de seu blog e das inumeras coisas que ela contou lá e que não estão nem no livro nem no filme!!!