quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fazendo da Educação ponte para espetáculos sociais


Por Rodrigo Dalosto Smolareck¹

Durante minha formação acadêmica muitas pessoas, ao me proporcionarem aprendizagens sobre a vida e seus fenômenos foram me fortalecendo diante das grandes alcatéias sociais perversas que tem se desvelado em todos os tempos históricos, quase sempre carregadas de rituais ditados pelo sacrifício do semelhante em nome de ganhos pessoais ou tramas de poder com caráter opressor.

Assim, vivi um momento cabalístico, carregado de muita sabedoria, uma dessas vivências merece ser contada: estava numa rodoviária aguardando um ônibus para voltar a minha residência. No mesmo local uma senhora de mais ou menos quarenta anos estava lendo uma crônica de um escritor da área da Filosofia a qual, ao elevar os olhos, começou a sorrir.

Sentei-me ao lado dela e ao olhar-me exalou uma frase do texto que prendeu minha atenção e fez minha inteligência engravidar de reflexões, era mais ou menos assim: “É comum que um sistema educacional de controle se modernize apenas para sofisticar o seu controle”.

E assim, compreendi que muitos, mas muitos, talvez filões, virão dizer-me, a mim e a tantos outros, com voz mansa: é perigoso falar, é perigoso agir, é perigoso ter esperança na forma que esperas: ativa e ponderada.

E direi de consciência despida de qualquer retaliação: não tenho o hábito de cultuar a hipocrisia, meu juramento como pedagogo foi o de pensar numa reflexão crítica sobre o discurso alienante, o de garantir ao outro a possibilidade de ler o mundo.

Preciso com a elegância que construí ao longo desses anos dizer que poucas vezes vi espaços legítimos tanto em meios de comunicação instituídos quando nas rodas de prosa para uma discussão franca sobre a educação que temos, e a qual desejamos numa perspectiva visionária, mas a educação que falo aqui é aquela feita lá pela professora alfabetizadora que todos os dias levanta pensando em como poderá ajudar seus alunos a atingirem novas aprendizagens, falo também, da escola que sobrevive de criatividade: rifas, bingos, e outros meios dignos de prêmio por tamanha inteligência criativa. Haveria aqui outros relatos para pontuar, mas me faltam linhas.

É muito fácil fazer da educação ponte para espetáculos sociais, verniz e não raiz, meu temor é que os construtores da ponte, caindo dela, levem consigo toda a boniteza que reside no desafio de valorizar pequenas conquistas que se efetivam todos os dias nas escolas brasileiras.



¹ Pedagogo, Psicopedagogo Clínico e Institucional, MBA em Pedagogia e Psicopedagogia Empresarial, e-mail: profpedagogia@zipmail.com.br

Um comentário:

Anônimo disse...

Como O Rodrigo é inteligente. Um amigo meu diz que uma pessoa inteligente é um encanto que faz a gente desejar presença do ser que pensa certo.
Adorei o texto e vou ler os demais,quero muito conhecer esse ser humano presente.
Marcelo, SM/RS