quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um prego no caminho


O Papai Noel iria chegar de trem. Para eu e meus amigos, que morávamos próximos da Estação Férrea, isso era uma atração e tanto para agitar as coisas em nossa rua. Há vários dias, a gurizada estava organizada para ir cedo pra lá e garantir um lugar na frente. Sabíamos que o bom velhinho iria chegar, distribuir presentes e levar a criançada num passeio. Aos 10 anos, ainda queria acreditar na lenda do Noel. Mesmo sabendo que podia ser alguém usando uma fantasia. De qualquer forma, o que importava era que ele distribuia presentes e isso era uma verdade. Sendo assim, real ou não, o Papai Noel era um sujeito legal e ganhar algo dele, uma bala que fosse, tinha um significado muito especial. Portanto, queria garantir algum ou, se não conseguisse, só o passeio de trem já iria estar bem bom.

Enquanto esperávamos pela hora de ir para a Estação, ficamos jogando bola. Lá pelas tantas tive de dar uma pausa, pois ouvi minha mãe me chamar, talvez querendo que eu fosse até o mercado. Saí correndo para ver o que ela queria. Afinal, quanto mais rápido fosse assim também retornaria para ver a chegada do Papai Noel. Só que no meu caminho tinha um prego e de tão esbaforido que saí para ver o que minha mãe queria, não percebi que aquele objeto traiçoeiro jogado pela rua e que cravou fundo no meu pé. Logo, uma poça de sangue havia se formado e a dor era muita. Depois de lavar a ferida, aplicar curativo e me negar a ir no Hospital para levar ponto, perguntei o que minha mãe queria. “Era para te avisar para não esquecer da chegada do Papai Noel”. Claro que perdi isso. Mas, pelo menos, ganhei algum presentinho de Natal e muito carinho de mãe. Hoje, só a lembrança disso se tornou um presente de Natal que Noel algum poderia dar.

Um comentário:

Tainã Steinmetz disse...

Deixei um desafio no meu blog pra ti ;D

http://cenasdaminhamemoria.blogspot.com/2010/12/cena-548-desafio-do-7.html

Beijos