quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um livro é como um filho?

Não para mim. Em função de ter lançado um livro há poucos dias, vários amigos chegaram até mim para parabenizar. Outros tantos diziam: que bom que realizou o sonho de lançar um livro ou eis o teu primeiro filho. Sem querer ofender ninguém que pense desta forma, para mim não significou nem uma coisa, nem outra.

O fato de lançar um livro não foi um sonho. Foi como dessas coisas que a gente faz para se sentir bem, para ter algum prazer. Como fazer um bolo ou encontrar justamente aquele DVD que faltava em nossa coleção. Era um desejo, mas não um sonho. Se eu sonhasse em tão somente lançar um livro para "me sentir um escritor", creio que teria alcançado o ponto culminante de minha vida e tudo o mais perderia a graça. Nem tampouco considero um livro como um filho.

Afinal, muitos pais (talvez a maioria) tem a natural condição de considerar seus filhos como uma versão perfeita de si. Desta forma, querem que eles sejam melhores do que seus progenitores, merecedores de todos os elogios e agrados. Ou seja, em geral os pais tem para com os filhos uma relação narcísica. Em sendo assim, críticas ou defeitos acabam não sendo exatamente bem-vindos.

Para mim, livros não são filhos. São apenas ideias. E ideias servem para reflexão, para debate, para serem criticadas, para provocar, para apontar caminhos ou para serem ignoradas. Se considerasse um livro como um filho, ficaria à espera de elogios e não é isso que espero. Afinal, aquilo que escrevemos só é nosso enquanto permanece em nossa gaveta. Quando sai para "o mundo", deixa de ser nosso e ganha as (des)considerações dos leitores. São eles que darão importância (ou não) para algo que foi proposto.

Se tivesse o sonho de lançar um livro, ao qual considerasse como um filho, poderia ficar triste por tão somente poucos bons amigos e especiais leitores terem adquirido a "obra" que lancei. E se fosse assim, estaria vociferando contra os "sem cultura" e "sem visão", ou sairia falando mal de feiras ou eventos como o fazem os imbecis intelectualóides, que propõe uma ditadura contra o livre pensar.

O livro foi escrito por mim. Está lançado. Não é mais meu. É de quem ler, se assim o quiser. E se assim o fizer, poderá criticar (ou até elogiar) à vontade. Não me importo e não tenho controle sobre isso. O leitor é quem sabe se quer ler ou não. Agora, com licença. Vou preparar um bolo...

5 comentários:

Infeto disse...

Porra cara, dá um jeito de colocar isso no verso das certidoes de nascimento ou nas embalagens de camisinha. ABraços.

Ana Bailune disse...

Hahaha! Interessante... até hoje, achava que um texto produzido era como um filho (até escrevi sobre isto). Mas lendo seu texto e pensando no que diz, acredito que eu estava errada. Você tem razão! agora eu já sei o meu motivo de sempre ter desejado publicar um livro, mas sem que isso possa ser chamado de um sonho... acho que eu só investiria nisso se fosse um sonho. E já que um texto publicado deixa de ser nosso, prefiro fazê-lo por aqui, que é de graça.

Franklin Mano disse...

Interessante. Gostei de tua ideia.

Vanderlei Machado disse...

Grande Brasil!
Teu desabafo é correto, pois aqueles que dedicam a vida para a crítica destrutiva e não conseguem agradar com as coisas que escrevem, acabam se contaminando com o veneno e se distanciando de si mesmo e vendendo pouco seus escritos.
Abraço amigão!

Anônimo disse...

É como um filho sim. Você que não entende.