quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O preço do consumismo


A missão do robô Wall-E, no filme de mesmo nome, é empilhar lixo num planeta Terra abandonado por seus habitantes, justamente porque não havia mais espaço para a vida em meio a tantos detritos. Não é de impressionar tanto aquelas montanhas de cacos eletrônicos, quando se faz uma ideia do tanto que se consome e se põe fora. E é o meio ambiente que acaba pagando o preço do consumismo, recebendo as pilhas, baterias, lâmpadas, celulares, TVs, computadores e muitos outros cacos eletrônicos que não tenham mais serventia.

Acho por demais interessante quando os Governos falam em cuidar da Natureza e de cada um fazer a sua parte em prol do Meio Ambiente, quando as autoridades fecham os olhos para a sistemática das indústrias que produzem eletrônicos com prazo de validade, enquanto que poderiam durar muito mais. É a chamada Obsolência Planejada ou seja, a política empresarial de fazer com que um produto dure pouco, justamente para estimular o consumo. Uma lâmpada poderia durar mais de 100 anos (como há casos de lâmpadas muito antigas funcionando), mas elas são produzidas para durar somente algumas milhares de horas.

As impressoras, DVDs e televisores possuem chips que as programam para ter uma vida útil bem mais curta. A consequência disso? Elas vão perder sua validade, vão engrossar as montanhas de lixo eletrônico e a gente vai ir correndo na loja mais próxima para comprar mais eletrônicos. Isso é a inteligência empresarial (ou burrice ambiental, escolha). Gera dinheiro, gera empregos, gera impostos e gera lixo. Uma coisa ligada na outra e cujas consequências maiores estarão bem lá adiante. Por enquanto, o lixo vai pros aterros, pros oceanos e, futuramente, até pro espaço. Mas a que custo? Bem, não importa. O preço maior será sempre pago pela Natureza.

Um comentário:

Cristiano Freitas Cezar disse...

A obsolescência estética também é um fator que deve ser levado em consideração nessa triste equação. o exemplo mais "vivo" disso é o do telefone celular, que nem mais telefone é, chamam-no simplesmente celular.
De equipamento de comunicação, passou a modismo, incorporando funções de outros aparelhos, encarecendo seu custo final e mantendo em movimento a esteira do capitalismo.
É a fórmula que faltou em 1929, quando o sistema de acumulação de cacarecos parecia ter encontrado seu fim, quando a produção não encontrava mais consumidores, pois todos (os que tinham condições de adquirir) já os possuíam.
Agora o produto de ontem já não serve, e estigmatiza seu possuidor como ultrapassado. É preciso adquirir o da moda (que fotografa, filma, transfere arquivos e faz suco de abacaxi.
O modismo, é uma praga tão grande quanto a durabilidade reduzida dos bens de consumo.