sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Diário da viagem a Argentina..

Rodrigo Neres, Giovani Pasini e Lígia com organizadores do evento.

Fomos entrevistados por uma emissora de TV.

No final de semana passado, estive na cidade de Virasoro, na Argentina, acompanhado de amigos e integrantes da Casa do Poeta de Santiago. Nosso objetivo era o de representar nossa cidade no III Encontro de Escritores do Mercosul. Chegamos por lá na sexta-feira, abaixo de chuva. Passamos na Câmara de Vereadores, onde o vereador Gerardo Alderete nos indicou o caminho para o Centro Cultural da cidade, onde acontecia a abertura do evento. Lá, fomos muito bem recebidos pelos hermanos, especialmente pela querida Sonia Balbuena Fasano, secretária de Cultura.

Logo, já tinha alguém oferecendo uma cuia de chimarrão, hábito que integra argentinos e gaúchos. (Claro que após sorver o mate deles você fica querendo comer um vidro inteiro de doce de batata-doce acompanhado de rapadura para tirar o amargor da boca...)

Hora da bóia.

Na hora do almoço, seguimos a tradição local de comer nhoque todos os dias 29. E também fomos alertados de que era preciso colocar algum dinheiro embaixo do prato, para atrair coisas boas. Assim fizemos. Não sei se por causa dessa simpatia, mas todos os dias em que estivemos junto com os amigos argentinos só vivenciamos coisas boas. Seja pelas palestras que assistimos e que fizemos (o Giovani Pasini, a Lígia Rosso, o Rodrigo Neres e eu), seja pelos passeios pelo comércio, pelas brincadeiras, pelas toneladas de fotos que a Lígia tirava (aquela câmera digital dela era quase tratada como um passageiro a mais em nossa viagem...).

Os irmãos Tati e Giovani Gelatti.

Aproveitando o contato com a língua espanhola, cada um de nós aprendia uma nova palavra ou frase, que acabava indo parar em nossas conversas e tentativas de comunicação na língua do país. (Com a excessão do César Braga que inventou uma nova língua: o Portuenglish. Mistura de Português, Espanhol e Inglês. Ou seja, um desastre total).

Lígia palestrou sobre o projeto Santiago do Boqueirão seus Poetas quem São?

Os argentinos trabalham das 8h às 12h e só voltam às suas atividades lá pelas 17h e fica aberto até às 21h. Este intervalo de cinco horas serve para que as pessoas aproveitem um pouco mais do convívio familiar e, especialmente, para sestear (dar uma boooa cochilada, depois do almoço...). No comércio, éramos muito bem atendidos em todos os lugares, sem aquela desconfiança pelo fato de sermos "estrangeiros". Todos muito receptivos, mesmo que entrássemos só para "dar uma olhadinha" (Holla, que tal? Gracias).

Num restaurante onde paramos para comer, na noite de sexta-feira, fomos muito bem atendidos. Cada um escolheu o seu prato e enquanto esperávamos, o estabelecimento nos brindou com pastéis, como tira-gostos. E o que é melhor: era de graça. O César, que faz faculdade de Administração na URI, chamou isso de "valor agregado". Não sei. Só sei que o pastel era muito bom e a sensação de sermos bem atendidos se reafirmou.

No sábado, no intervalo das palestras, comprei uma máscara daquelas do filme Pânico (meu único investimento em solo argentino, com excessão de comida...). Meu objetivo era usá-la depois da meia-noite, dia 31 (Halloween), só para assustar a Karla Pasini (ela morre de medo...)

Durante o dia, assistimos palestras, conversamos com o amigo Eduardo Galeno, que viajou de Posadas até Virasoro e lembrou que a cidade possui uma lei municipal que declara irmandade com Santiago. Não sei como funciona isso, mas os argentinos me perguntaram do "prefeito Chicòn e dos Chicos Felices", que estiveram por lá. Conversei um pouco com o Galeano, que me convidou para ir novamente a Posadas, onde estive há alguns anos, desfrutando da hospitalidade de sua família.
Rose e Lígia passeando pela bela praça Libertad.

No final do encontro, sábado à noite, jantamos e passamos a contar histórias de fantasmas. (Mulheres de branco que atravessavam paredes, luzes estranhas, lobisomens, noiva abandonada e muito mais...). Pena que a Karla perdeu essas histórias, pois tinha ficado no hotel com a Rose. Mas ela não perdia por esperar. Eu já tinha pedido permissão para o Pasini para que eu desse o maior susto nela. A Lígia, o César, a Tati e o Gelatti se foram para um Cassino, aproveitar a noite (a Lígia, sortuda, conseguiu ganhar mais de 400 pesos nas máquinas...).


No hotel, apaguei as luzes do corredor, peguei uma vela, vesti a máscara e bati na porta do quarto da Karla, que achou que se tratava do Pasini. Ela abriu a porta e...ficou em estado de quase-choque.

(Posso dizer que o susto que lhe preguei teve consequências. Ehehehehe!)

No dia seguinte, domingo, acordamos cedo. O César não tinha dormido direito de tanta Budweiser que tomou. A Lígia deve ter falado dormindo contando que tinha ganhado 400 pesos no Cassino (e depois que acordou seguiu contando umas três vezes para cada um dos 20 que estavam no micro-ônibus da Magrão Turismo, de Bossoroca. Ou seja, cada um ouviu a história três vezes vinte. Quase deixamos ela por lá mesmo, em Virasoro...).

No meio do caminho, eu estava levando uma surra do Pasini no xadrez e acabei passando mal. Paramos num posto de combustível e, por lá, vomitei até a salada de maionese que comi no Natal de 1999. Um horror. Em seguida, veio a aduana, onde cambiamos nosso dinheiro. E ficamos por lá o tempo que era preciso para averiguar nossas carteiras de identidade e etc.

Rodrigo, Karla e Lígia na Aduana.

O Pasini e eu ficamos conversando à sombra duma árvore, bem próximo dos mastros das bandeiras brasileira e argentina. Falávamos sobre nossas vidas e sobre o futuro.

Naquele momento, tínhamos uma certeza: Santiago é a melhor cidade do mundo. E por tanto amarmos nossa cidade é que buscamos que ela cresça culturalmente e seja reconhecida como um lugar especial para quem mora aqui, ouve falar ou para quem chega. E fica com essa vontade de nunca mais sair...

2 comentários:

Karla Pasini disse...

Pena que não dá pra contar qual foi a consequência de meu susto, o que posso dizer é que tenho um baita amigo que nunca deveria ter descoberto que morro de medo de tudo isso, agora é tarde, kkkkkkkkkkkk.

Lígia Rosso disse...

Márcio querido!!!!! Adorei esse diário de viagem...não tinha lido essa postagem ainda...vi só agora. Fiocu muito tri...me permite indicar o link lá no meu blog ok. É, eu sonhei a noite toda com o tal do Cassino...'la suerte' tava comigo aquele dia. Mas a maior sorte é ter pessoas como vocês ao meu lado e poder desfrutar de tudo isso, divulgando nossa Terra dos Poetas, aprendendo muito e se divertindo mais ainda. Bj no coração!