quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Rinhas eleitorais


Todos os dias são divulgadas pencas de pesquisas eleitorais. Foi assim durante o primeiro turno e seguirá até a véspera deste segundo turno. Tem institutos de todos os tipos, gostos e ideologias: Ibope, Datafolha, Sensus etc. Cada qual oferece seus dados, divulgados por partidos e pela imprensa. A verdade é que os eleitores brasileiros se guiam pelas pesquisas e são influenciados por elas na hora de votar.

E é sabido o quanto os resultados são poderosos influenciadores. Me lembra aquela história do sujeito que chegou numa rinha de galos (coisa que o Duda Mendonça aprecia...) e perguntou qual era o galo bom e o mal.

- O bom é aquele ali, ó!
E ele apostou no galináceo, que acabou perdendo. O sujeito ficou bravo e se queixou.
- Tu não me disse que aquele era o galo bom?
- Mas aquele era o mais bonzinho mesmo. Agora, se tu me perguntasse o que iria ganhar eu diria: o galo mal.
Foi a resposta de seu amigo.

Assim agem muitas pessoas diante das pesquisas. Tendencionam o seu voto para esse ou aquele, votando tal qual estivessem apostando num jogo ou numa rinha de galos.

Nos últimos anos, a justiça eleitoral criou várias regras proibindo a distribuição de brindes como camisetas, bonés, lixas de unha, porta-títulos de eleitor, cuias e muitos outros badulaques que os candidatos distribuiam como forma de propagar seu nome e número e também de oferecer algum "agradinho" para os seus eleitores.

Da mesma forma, se limitou a propaganda paga em revistas e jornais. E em breve, não se duvida que seja implantada a campanha política com financiamento público. Tudo isso como forma de reduzir os abusos econômicos cometidos pelos candidatos que assediam de forma agressiva os seus eleitores.

Mas nada se falou ainda das pesquisas eleitorais que, sem dúvida, são muito mais nocivas, porque tendencionam o voto. Se houve uma época em que a "Globo elegia os presidentes", acabou. Hoje quem faz isso são as pesquisas eleitorais. E o interessante: as pessoas se tornaram defensoras delas, pois os institutos conseguem habilmente fazer crer que as pesquisas se constituem num direito seu: o da informação.

E o eleitor se torna um mero apostador que vota como quem joga na Mega-Sena, com um palpite certo para não perder a aposta. Ou, no caso, em quem aparece na frente nas pesquisas. Se elas não existissem ou fossem limitadas (uma a cada 15 dias, sei lá...), talvez a eleição não fosse igual ao Campeonato Brasileiro onde muitas vezes é possível saber de antemão quem vai vencer.

Um comentário:

Leonardo Rosado de Souza, disse...

Parabéns, lúcido Marcio Brasil!