quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dilma Rousseff: a candidata perfeita...

... para representar a arrogância de muitos petistas!


Quando Lula tirou Dilma Rousseff do bolso para concorrer à Presidência da República, questionei: Por que não Paulo Paim? Por que não Eduardo Suplicy? Por que não Marcos Rolin? Não tenho dúvida: o PT é um grande partido, contribuiu imensamente para a construção da democracia, demarcou importantes espaços e constituiu um governo que somou boas conquistas para o país. Mas por que, de repente, estamos todos observando a ascenção da candidatura de uma figura até então desconhecida na política brasileira, a ex-ministra Dilma Rousseff?

Há várias teorias. Uma telas é a de que ela não seria um empecilho no momento em que Lula puder disputar novamente a presidência daqui há quatro anos. Ao contrário de Paim, Suplicy ou Rolim, a candidata de Lula ficaria apenas os seus quatro anos no cargo. Ou seja: não iria disputar a reeleição, abrindo espaço para que o seu mentor e padrinho político pudesse retornar. Quaisquer outro candidato poderia ser um risco às pretensões de Lula.

Teorias à parte, dizem que Dilma é competente. Não sei. O que sei é o quanto ela transparece arrogância e despreparo. É o quanto ela é vaga em suas respostas, quando não está diante do texto pronto no Teleprompter.

O PT pode até colocar roupas diferentes, mudar o penteado e investir no visual de sua candidata. Mas não conseguiu tirar-lhe a soberba, o cheiúme e a prepotência. E isso, Dilma deixa trasparente nos pequenos gestos, como ficou evidenciado em debates, entrevistas e nos momentos de "calça curta". (Como não conseguir explicar a ligação com figuras como Fernando Collor, José Dirceu e José Sarney).

Nesta quarta-feira, foi notícia de que o candidato do PSDB, José Serra, havia sofrido uma agressão durante uma passeata no Rio de Janeiro. Cabos eleitorais do PT entraram em confronto com os do PSDB. E acabou que Serra foi atingido na cabeça por algum objeto. Uma rápida passada pelos blogs petistas demonstra um pouco da arrogância da militância de Dilma: muitos debocham da agressão a Serra.
Alguns, dão risada dizendo que ele foi atacado com uma bolinha de papel, outros com um rolo de fita.

Eu entendo que não interessa que seja uma bolinha de papel, uma pedra ou um ovo podre. Interessa que houve, sim, uma falta de respeito. Como candidato Serra merece o respeito de seus oponentes da mesma forma que deve respeito a eles. Existe uma linha que não pode ser ultrapassada, que é a linha da ética. Criticar, questionar, denunciar...tudo isso é válido. O que não pode haver é o esculacho. A falta de respeito. E isso vale para todos, evidentemente.

Mas os petistas minimizam e debocham da questão. Se fosse com a candidata deles, nossa senhora!! Seria o fim da picada. Motivo, talvez, para o Lula interromper o processo eleitoral e fazer aquilo que gostaria de fazer: ficar mais quatro anos no Poder.

Mas ele vai fazer isso de qualquer forma, estando à sombra de Dilma, como um Rasputin do Sertão. Não há dúvida de que Lula é um líder carismático e conseguiu contagiar seus eleitores com a ideia de que Dilma será uma continuidade de seu governo. De que todos votarão num puxadinho de seu governo. Dilma pensa que é Lula, num caso impressionante de crise de identidade. A criatura vira o seu criador e vice-versa. E o que é igualmente interessante: seus seguidores identificam o mesmo.

E Dilma é, sem dúvida, a candidata perfeita para representar a arrogância de muitos petistas (não me refiro aos eleitores do PT e, sim, aqueles com ficha assinadinha. Especialmente os que mamam nas estatais e tanto batem contra as privatizações. Afinal, seriam menos cabides para a companheirada...). O interessante é que a tropa de choque do PT é de uma eficiência monstruosa em sua capacidade de assombrar os meios de comunicação.

Lula está aí, querendo impor controle sobre a internet e demais meios de comunicação, tal qual Fidel Castro fez em Cuba. (Talvez a Fidel de saias de Lula assuma essa missão...). E não são poucos os jornalistas e críticos de plantão a disseminar postagens, comentários e e-mails criticando e atacando todos que OUSAM fazer qualquer comentário sobre os governos do PT.

Logo apontam o dedo invocando a história, chamando as pessoas de fascistas ou apoiadores da ditadura. Nisso, são muito eficientes.

Por fim, devo dizer que não simpatizo com Serra. Mas muito menos com a Dilma. Essa é a legítima eleição onde muitos eleitores terão que escolher entre a candidata que não se quer e o que não serve...

Mas fazer o quê? O que temos são eles dois. Que vença o menos pior.

Um comentário:

Jayme Camargo Piva disse...

Caro Márcio: estavas inspirado ao tecer considerações a respeito da dupla concorrente às eleições presidenciais. Precisas e irretocáveis as colocações feitas por ti. Endosso e assino em baixo. Cumprimentos.