quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Minha maior qualidade...

Quando criança, a Semana Farroupilha causava em mim um efeito inversamente proporcional ao de muitos dos meus colegas na escola Sílvio Aquino. Enquanto muitos ficavam animados e aproveitavam para ir à aula de bota, lenço e bombacha eu ia para a aula no meu estilo (sem estilo) de todos os dias. Afinal, uma pilcha custava dinheiro. E por mais que eu pudesse querer, minha mãe dizia que eu não podia ter. Coisa supérflua para usar uma vez e só no ano. Não dava. Melhor era comprar um tênis e uma calça pro ano todo.

Tudo bem, então. E assim, então, nada de dançar com a prenda bonita. (Talvez por isso eu não tenha aprendido a dançar). Semana Farroupilha era época de servirem arroz-de-carreteiro na merenda. Outro empecilho pra mim, que não comia carne. Chimarrão? Não achava graça nessa água verde e amarga. Eca. Hoje em dia até engulo.
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Se não podia ter bota e bombacha e nem dançar música nativa ou mesmo comer "carreteiro", que graça teria para mim a tal Semana Farroupilha? E pior: como me considerar gaúcho de verdade? Tá bem, na aula de História a professora explicava sobre a bravura riograndense. Depois, na frente da escola a gente entoava em coro o "de modelo a toda terra".

E, assim, cresci, sabendo o quanto o Rio Grande era grande. E que bom ter nascido aqui nesta terra que é muito fácil de amar. Aprendi que para ser gaúcho não é preciso usar bombacha, tomar chimarrão ou comer churrasco -E talvez eu não faça essas coisas de birra, pelo passado-. Para ser gaúcho, não é preciso nem ter nascido no Rio Grande do Sul, mas abraçar esse Estado como sendo seu. E também cultivar a paz, que é a maior das riquezas desta terra. Pensando assim, percebo que ter nascido gaúcho foi minha melhor herança...

... E ser santiaguense eu sempre considerei a minha maior qualidade.

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