domingo, 1 de agosto de 2010

A tristeza de quem fala daquilo que desconhece

(Das associações infelizes e equivocadas...)

Prof. Esp. Rodrigo Dalosto Smolareck¹

Lendo Olívia Porto, em um tempo que nem me recordo fiquei encantado quando ela, pontuando a evolução das pesquisas e estudos acerca da natureza humana e de sua capacidade pensante diz que no campo da Ciência existem os ditos “estudiosos do tudo” que infelizmente nos entristecem reproduzindo discursos de senso comum, em outras palavras, falando daquilo que desconhecem. De fato, investigo há anos, dentro minha formação acadêmica, os mecanismos sociais estrategicamente articulados que “coisificam” a condição humana, ou ainda que reduzem a diversidade da pessoa tendo como pilastra um discurso uniforme, prepotente, arrogante ou até, em cume, hipócrita.

Utilizando uma lógica mais primata fala Toledo (1996) que a beleza de um jardim esta justamente na singularidade do ciclo e das especificidades de cada flor, já no campo da Psicopedagogia, como especialista em aprendizagem humana, penso que negar a diversidade dos sujeitos, ou pior que isso, justificar preconceitos empoeirados fazendo comparações “rasas”, sem sustentação científica é o que chamamos de “posição no vácuo”, ou seja, alguns fazem conexões esdrúxulas para polemizar assuntos que a própria Ciência fervorosamente estuda e mais, zela, tendo com o princípio uma demanda que chamo de “cuidado humano”.

Ouvindo a professora de moda e etiqueta Glória, saltou-me aos olhos quando disse que todos temos o direito de revelar nossas opiniões, todavia, sem uma abordagem adequada ofendemos, agredimos e não agregamos para o famoso “ processo de melhoramento” social. O que de fato me perece ser bem pertinente. Claro que é sabido e Moretto (2006) traz essa ideia com muita propriedade que poucas são às pessoas que se valem do bom senso quando se posicionam acerca daquilo que já hospedam em si mesmos, pré-julgamentos, mesmo sem arcabouço de sustentação técnica.

Minha preocupação então, repousa, de forma ativa, na posição que trago de um estudo feito inclusive pela própria Psicopedagogia de constituirmos uma sociedade pautada em princípios éticos que agreguem os diferentes e não segreguem as pessoas com comparações ou associações de categorias que não tem fundamentos no campo da Ciência.

Que fique claro, desautorizo e desaprovo toda e qualquer atitude humana que se revele contra a vida e a dignidade da pessoa, o que não posso deixar de parafrasear é que entendo como equivocado comparações ou associações com grupos sociais sejam da natureza que forem: negros, homossexuais, pardos, índios, heterossexuais, cafuzos, entre outros, para justificar ou tentar explicar patologias ou distúrbios de sujeitos os quais não são o foco de minha discussão. Por fim, Varela (2004) diz que nosso desafio como intelectuais é não julgarmos as pessoas somente pelo “verniz”, pois assim seremos uma estátua de bronze com pés de barro, pronta para sucumbir, categoricamente, afundar.

¹ Pedagogo, Psicopedagogo Clínico e Institucional, MBA em Pedagogia e Psicopedagogia Empresarial, pesquisador na área de processos sociais inclusivos, e-mail: profpedagogia@zipmail.com.br

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