sexta-feira, 25 de junho de 2010

Na chuva...


Fui ao jornal à tarde para conversar com a Sandra. Conversamos, trocamos ideias, comentamos algumas coisas a respeito do programa Expresso no Ar. Saí de lá abaixo de chuva. Não me importei. Por algum motivo, sei lá, eu quis tomar chuva hoje. A hora em que saí, tava fraquinha, mas foi intensificando. Dei uma passadinha na banca do Gecênio para ver se tinha alguma novidade. Vi que o livro "A Divina Comédia" tinha chegado. R$ 14,90. Pensei "eba, economizei esse dinheiro. Afinal, tenho esse livro".

Não tinha chegado nada de quadrinhos que me interessasse. O Gecênio quis me empurrar uma revista Movie que tinha chegado, mas eu não quis. Essa Movie tem um belo layout mas é fraca de conteúdo. Ainda assim, está um pouco melhor que a Set, que já deixei de comprar. Agora, só compro a Preview. Em termos de cinema, hoje é a melhor. Bom, como não tinha nada de meu agrado, saí de lá.

Nessa hora a chuva já estava um pouco mais intensa. Não me importei. Eu quis tomar chuva hoje. Passei pelo calçadão inteiro sem andar por debaixo das marquises, onde muitas pessoas se protegiam da chuva, à espera de que amenizasse e pudessem sair para seus destinos. Talvez tenham até me tomado por louco por não me proteger da chuva. Mas elas podiam temer a chuva. Eu não. Não tinha rumo hoje. Estava de folga e, portanto, podia tomar chuva.

Não era igual aos banhos de chuva da infância, quando era divertido ficar brincando pelo pátio, recebendo na cabeça e no corpo a água que caia de cima do telhado.

Mesmo assim, recebia a chuva com alegria. É bom estar vivo. É bom sentir a chuva nos braços, o cabelo molhado, os pés encharcados. Chuva é bom. É tudo de bom. Tanto hoje, quanto nas tardes da infância.

Quando era criança, lá pelas tantas depois de algum tempo debaixo da chuva, minha mãe chamava para dentro. "Entra, vai ficar doente." Mas aquilo não me convencia, porque ficar doente até que tinha seu lado positivo. Pelo menos, daria para ficar em casa e matar um pouco de aula. Coisa boa era passar uma tarde em casa deitado na cama lendo minhas revistas em quadrinhos ou livros. (Quando li a Divina Comédia, a primeira vez, eu tinha 12 anos. Não entendi nada e sabia que teria de reler no futuro...)

Ou mesmo tomando banho de chuva, o tempo em que pudesse fazer isso. Muitas vezes, adulto, eu chegava em casa molhado (nunca gostei de usar guarda-chuva...) e minha mãe logo mandava eu tirar aquela roupa molhada e me secar para que eu não ficasse doente, igual ela fazia quando eu era criança. Hoje, tomei banho de chuva.

Encharquei meus pés, molhei meus cabelos, minha roupa toda. E cheguei em casa encharcado. E minha mãe não me mandou tirar a roupa molhada, nem nada. É que hoje faz um ano que ela morreu. 25 de junho. E, por algum motivo, sei lá, eu quis tomar chuva hoje...

...mas quando eu cheguei em casa, juro que me sequei, mãe.

3 comentários:

Weimar Donini disse...

Ânimo, garoto.

Só quem já passou por esta dolorosa perda, pode avaliar teus sentimentos.

Um forte abraço.

Nivia Andres disse...

Márcio, que linda lembrança!Carinho de mãe não há como esquecer...

Giovani Pasini disse...

Existem coisas que são passageiras e eternas.

A chuva vem e passa.

Mas ela volta, com certeza.

Pense nisso.

Deus está na inconstância...

O amor também.