segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ações culturais

Caio Fernando Abreu, escritor nascido em Santiago, cidade que ele chamava carinhosamente em seus textos de "Passo da Guanxuma".

Casa do Poeta desenvolve Seminários, Fóruns, valoriza a literatura e incentiva a leitura, de forma democrática e aberta para todos.

Amigos da Biblioteca, um dos tantos projetos desenvolvidos pela literatura em Santiago. Na foto, estudantes ao lado da estagiária do Ciee e voluntária, Erilaine Perez.


Minha cidade, Santiago, é conhecida como Terra dos Poetas. Em verdade, esse título surgiu a partir de uma lei aprovada na Câmara de Vereadores e, depois, pela Assembleia Legislativa do Estado. O título faz referência aos escritores que nasceram ou residiram na minha cidade. Dentre tantos, cabe destacar o maior de todos: Caio Fernando Abreu, o qual dispensa apresentações. É o autor de Morangos Mofados, Ovelhas Negras, O Ovo Apunhalado e outros tantos.

E é justamente devido a importância de Caio F. que justifica os novos rumos da cultura santiaguense que, finalmente, desenvolve ações que valorizam o trabalho do maior escritor daqui (em breve, muitas novidades...).

Mas o interessante é que, de uns tempos para cá, minha cidade tem despertado cada vez mais a sua identidade cultural, formando leitores e incentivando a escrita.

Até uns poucos anos, a única referênca que se tinha nesse segmento era o Departamento de Literatura do Centro Cultural que, talvez por pertencer a um círculo mais ligado à elite local, pouco espaço abria para novos escritores. Mas esse departamento teve (e tem) a sua importância justamente por atender essa importante clientela.

Porém, muita coisa em minha cidade começou a deslanchar a partir da criação do jornal literário Letras Santiaguenses, em 1996. Trata-se de um jornal que reúne textos de escritores novatos e veteranos. O jornal traz contos, crônicas, artigos e poesias. Os custos são divididos entre os participantes e o jornal é distribuido gratuitamente há 14 anos. Sem dúvida o Letras Santiaguenses foi o primeiro grande passo para a democratização da literatura e pavimentou o caminho para muitos outros projetos que viriam a seguir.

A aprovação do slogan Terra dos Poetas aconteceu em 1998, dois anos após a criação do Letras, que inegavelmente ajudou a consolidar essa ideia. Porém, as coisas só começaram a acontecer em termos de literatura nos últimos anos, a partir da criação de projetos como a Kombiteca (da professora Sandra Oliveira), um veículo do curso de Letras da URI, que leva livros até as crianças de um bairro; o projeto Santiago do Boqueirão seus Poetas quem São (coordenado pela professora Rosane Vontobel), que (re) descobre o trabalho de escritores surgidos nos últimos vinte anos; da Casa do Poeta de Santiago, presidida pelo amigo Giovani Pasini e que muito tem feito pela literatura desenvolvendo eventos, editando livros, promovendo concursos e dando voz e vez para tantos jovens talentos.

Além disso, temos o Rotação Literária, um espaço criado pelo jornal Expresso Ilustrado, que oferece a oportunidade de jovens escritores mostrarem seus textos em conto, crônica ou poesia. Há também o projeto Amigos da Biblioteca, este desenvolvido pela Biblioteca Pública Municipal com a ajuda de voluntários, oferecendo oficinas literárias e despertando o gosto pela leitura.

Muitas outras ações tem sido feitas. Muita mais precisa ser feito. Eu sempre penso que fazer cultura é algo muito fácil. O mais difícil é e sempre foi romper com os pré-conceitos.

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