quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sobre poetas e vacas...

Não posso deixar de comentar sobre uma postagem do João Lemes, em que ele destaca um fragmento textual retirado do blog do Froilam Oliveira e um comentário do Ruy Gessinger. Diz o Froilam que existe atualmente uma vulgarização da poesia em função dos blogs. "A consequência disso são textos formalmente indefiníveis entre a prosa e a poesia, de conteúdo pueril e umbiguista", disse o Froilam.

Sobre a opinião dele, eu a respeito, apesar de pensar que muito se lê e se escreve hoje em dia, na era das comunicações. Agora, se as pessoas estão buscando mais Crepúsculo e Harry Potter e menos Dom Casmurro ou Assim Falava Zaratustra, é uma questão de estar em sintonia com algo que fale uma linguagem contemporânea. Eu, por exemplo, me criei lendo revistas em quadrinhos e até livros do Paulo Coelho. Acho que não me faz mal nenhum.

Mas o que achei interessante foi o comentário do Ruy Gessinger. Disse que "não basta um decreto ou uma leizinha para nos tornar poetas ou escritores. Vamos parar com tanta enganação. Vamos levar a sério a leitura e o estudo. Tenho vontade de vender todas minhas vacas e mandar colocar debaixo da porta de cada casa uma cópia desse artigo do Froilam Oliveira".

Bom, o que existe em Santiago (e também em nível estadual) é uma lei que institui que somos a terra dos poetas. É uma "leizinha" aprovada pela Câmara de Vereadores e também pela Assembleia Legislativa. Porém, isso não torna os habitantes da cidade uns poetas. Trata-se de uma reverência/referência aos escritores que aqui viveram e nada a ver com um selo de qualidade para quem tenha nascido aqui.
Sobre levar à sério a leitura e o estudo, é isso que está se tentando fazer com o desenvolvimento com diversos projetos literários como o Santiago do Boqueirão, seus Poetas quem São?, o trabalho do Letras Santiaguenses, da Casa do Poeta e dos próprios cursos de Letras da URI, Unopar e Ulbra e pela nossa prefeitura. Quanto à vontade dele de vender suas vacas e mandar colocar o artigo do Froilam embaixo de portas, acho plausível. Mas se o Ruy estivesse disposto a colaborar com a literatura e o estudo, poderia financiar a criação de bibliotecas...

Um comentário:

Vanderlei Machado disse...

Marcio tu é foda!!!