segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Lobisomem


O roteiro do filme O Lobisomem só pode ter sido escrito por uma criança de 10 anos. Anunciada como uma refilmagem do clássico de terror de 1941 (estrelado pelo mítico Lon Chaney Jr.), a nova produção traz os atores Anthony Hopkins, Benício Del Toro e Emily Blunt nos papéis principais. Conta a história de um ator de teatro que volta à Inglaterra para investigar o desaparecimento do irmão. Logo, acaba descobrindo que ele foi assassinado em circustâncias misteriosas. Durante a investigação, Lawrence (Del Toro) acaba sofrendo o ataque de um lobisomem que quase o mata. E o que não o mata, o torna um lobisomem também...

É daqueles filmes que usam e abusam de névoas, cenas de sustos, cortes rápidos e muitas mortes. Porém, tudo acaba soando falso e trash demais. E os péssimos diálogos não ajudam de jeito nenhum. Anthony Hopkins parece ter percebido que o roteiro era ruim só depois de assinar o contrato e, para se vingar, não demonstra um pingo de esforço para interpretar alguma coisa. Pelo contrário, o tempo todo parece que está só recitando suas falas, talvez com o propósito de avacalhar ainda mais com o filme.

Se a auto-crítica é a salvação para Hopkins, o mesmo não se pode dizer de Del Toro e Emily Blunt. O primeiro faz umas caras de quem filmou o tempo todo com dor de barriga, acreditando estar abafando como protagonista. A segunda, tão talentosa, se limita a dizer as falas mais piegas e irrelevantes do filme.

Pior ainda é quando as cenas que, supostamente, seriam tensas ganham um tom de humor involuntário. Sim, há momentos em que a ação sangrenta do lobisomem, ao invés de nos assustar, faz rir.

Como o momento em que o amaldiçoado Lawrence é levado para uma análise grupal no sanatório onde foi internado. Um dos médicos fica de costas e explica que ele é um lunático que acredita ser um lobisomem e que iria provar que aquilo era apenas um fantasia, enquanto a Lua Cheia surgirá na janela. E ele segue falando e falando enquanto, às suas costas, a criatura começa a se transformar, sem que o médico perceba. Enquanto isso, todos os outros já estão preocupados e tentando fugir. Toda a sequência, que deveria ser tensa, ficaria muito bem se fosse encenada no programa A Turma do Didi. Renderia muitos risos.

A criatura demonstra uma força descomunal, como se fosse uma espécie de Hulk peludo, tal é a sua força destrutiva. Novamente, ao invés de convencer, esse recurso se mostra exagerado. E tudo piora no climáx do filme, que soma mais um monstro à equação, cujo resultado é a decepção total. Afinal, o cinema ainda está devendo um filme que faça jus a lenda dos lobisomens, criaturas que habitam o imaginário popular e fascinam pessoas por toda a parte do planeta, que contam as mais variadas histórias sobre a criatura. (Se fizessem um filme só baseado no que o pessoal do interior conta sobre lobisomens, nossa mãe, já daria um filmão de terror...)

Infelizmente, O Lobisomem não convence, não empolga, não assusta e nem deixa saudade quando termina. Melhor que ver esse filme, é uivar pra Lua. E, tenho certeza, o roteiro só pode ter sido escrito por algum guri de 10 anos. E pior: algum que seja fã dos filmes da saga Crepúsculo.

Veja o trailer

Um comentário:

Tainã Steinmetz disse...

"Encontros e Desencontros" dá sono e não tem nada a ver ._.
A história é sem nexo.

Bjoo