sábado, 29 de maio de 2010

Lula, o filho do Brasil


Confesso: não estava nem um pouco empolgado em assistir Lula, o Filho do Brasil. Mas esclareço: meu pré-conceito não era com relação ao personagem retratado e, sim, com o trabalho do diretor do filme, o Fábio Barreto, o qual nunca me despertou admiração, vide algumas buchas que engoli dele como Bella Dona e Paixão de Jacobina.

No entanto, fui vencido pela curiosidade em conhecer a vida do presidente do país que, afinal, "é o cara". Portanto, apertei o play e aceitei ver Lula, o Filho do Brasil. O resultado? Foi um dos filmes mais políticos que assisti!

A cena de abertura do filme é brilhante e ilustra a falta de amor do pai de pai Lula. Aristides (interpretado com sutileza por Milhem Cortaz) está de partida para a cidade grande. Ele sai de casa e, de soslaio, dá uma olhada na prole sentada, sem demonstrar nenhum gesto de carinho. Em seguida, enche de beijos o seu cachorro. Antes de cair no mundo, ele volta o olhar para Lindu que surge na porta. Ele tenta encontrar alguma coisa para dizer, meneia a cabeça, ergue o chapéu e, se dá conta que não precisa justificar os seus atos. E simplesmente vai embora. O filme, nesse momento, promete...

Depois disso, vem o nascimento de Luis Inácio que, mais tarde, ganha o apelido de Lula. Nesta fase inicial, a dona Lindu vivida por Glória Pires é a verdadeira estrela do filme e cativa com seu jeito simples e não se deixa vencer diante das tantas dificuldades da vida. A pobreza está presente de maneira bem convincente. E a interpretação resignada de Glória Pires empresta às cenas um realismo de cortar o coração. O filme segue prometendo...

Vemos o garoto Lula aprendendo a importância do estudo, os valores famíliares e testemunhamos sempre os ensinamentos positivos de dona Lindu que, a essa altura, já conquistou nossa simpatia e enche a tela toda vez que surge em cena, sempre prometendo.

E, o filme segue em frente. Entrando na fase adulta, Lula é interpretado pelo ator Rui Ricardo Dias. A partir daí, os diálogos ficam sofríveis, mais próximo de um episódio de Malhação. Mas vez por outra, dona Lindu aparece com alguma sabedoria da vida. Tudo bem, o filme ainda promete...

Lula se forma torneiro mecânico e, em seguida, começa a se envolver com o Sindicalismo. É a partir deste momento que o maniqueísmo de Fábio Barreto mais se ressalta. O personagem principal se torna um homem mais que bondoso, virtuoso, corajoso. Mas, tudo bem, dona Lindu sempre volta à cena para aconselhar nosso herói, que já dá mostras de sua liderança. E o filme segue prometendo....

Lula e se torna presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, liderando a greve geral da categoria. Na cena mais marcante do filme, ele discursa num estádio para um público de 100 mil pessoas. Ao final, é carregado pelos braços do povo. Porém, ao saírem do estádio, a milicada estava à espera pronta para baixar o cacete nos trabalhadores. Afinal, era época da ditatura militar. O filme promete muito..

A greve dos trabalhadores do ABC se torna uma dor de cabeça para os militares, que decidem prender Lula, a essa altura já consolidado como uma liderança marcante. Mesmo assim, os péssimos diálogos não permitem compreender a natureza histórica do personagem e, apesar de ser um bom ator, Rui Ricardo Dias mostrou-se descuidado ao discursar ora com o tom de voz rouco característico do Lula real, ora com sua voz normal. O filme segue na promessa...

...E eis que vem uma cena triste do filme, marcada por flashbacks e sobem as letrinhas!! O filme acaba!!! Quando você pensa que vai testemunhar a criação do líder político que todos conhecemos, Fábio Barreto simplesmente diz adeus e, preguiçosamente, coloca algumas informações na tela para dizer o que aconteceu!!!

Fiquei indignado. Não fosse a dona Lindu, de Glória Pires, eu teria odiado o filme, mais um do Fábio Barreto. E, não importa o que digam: Lula, o Filho do Brasil é, sim, um filme político. Daqueles que só promete, promete e promete. Mas que, ao final, não cumpre nada daquilo que você esperava.

6 comentários:

Tainã Steinmetz disse...

Filme ridículo mesmo. Eu, que já não gostava do Lula, passei a detestá-lo.

Anônimo disse...

Não gostei mesmo foi do final do filme,segue uma tendência mais moderna e contemporânea.Da que o bandido,o vilão,não morre no fim da película.Owned!!!E sem falar no "pé frio do nosso "Líder":acidente e quase morte do diretor do filme,e a morte(essa sim!)de um protagonista do filme.Agora só falta a Seleção Canarinho se fu...BRAZIU!!!!!!!!!!!!

Cristiano Freitas disse...

Concordo que o filme é ruim, fraco, um pastelão ao melhor estilo "novelas globais" (que infelizmente, parece ter dominado a forma de fazer cinema no Brasil).
Agora, pior que o filme, só mesmo o teu comentário. Logo no início, afirmas ser "um dos filme mais políticos que assisiti", e no entanto, o que narras, é simplesmente a história do filme, a história da vida, familiar, amorosa, profissional e o início, do que poderia ter moldado o líder político, nosso atual Presidente (a morte de sua esposa e filho em um hospital público).
O filme, ao meu ver, pecou justamente por não apresentar a política, como tu afirma já no fim do comentário: "Quando você pensa que vai testemunhar a criação do líder político que todos conhecemos..."
A isso, ao meu ver, chamaríamos de filme político. E para mim, seria muito bem vindo. Especialmente em "tempos confusos" onde as pessoas são levadas a crer que um homem, uma pessoa é que pode fazer algo diferente ou melhor, deixando de lado as idéias, os debates, a política.
Um grande abraço, mano velho, do teu amigo, ainda em Goiás:

Márcio Brasil disse...

Valeu pelo comentário, Cristiano! Mas o termo "filme político" foi uma ironia. Note que eu disse que o filme só promete, promete, mas não cumpre o que se espera (igual um político...).

Mas, enfim, me decepcionei com Lula, o Filho do Brasil justamente por ser desprovido da lula política dele e, sim, se concentrar nos dramas pessoais que, como tu disse, beira o novelão.

Quer assistir alguma produção realmente boa sobre o Lula? Assista o excelente documentário Entreatos, que narra os últimos vinte dias da campanha política de 2002, culminando com a vitória. Esse, sim, realmente mostra o Lula real e não esse galão da novelinha do Fábio Barreto

Forte abraço do tamanho de Santiago do Boqueirão!

Cristiano Freitas disse...

Ok. Compreendido. Só não costumo utilizar-me do termo político para relacionar as camarilhas que agem de forma indiscriminada, trocando consciências por promessas, produtos, e quando assumem, misturam o Estado com seus desejos privados.
Chamo de politicaria.
Infelizmente o filme é realmente ruim. É uma ótima história para ser tratada como um novelão. Ficou como bem destacou, na promesa.
Sugestão: Use política entre aspas, para definir esse tipo de ato, até mesmo porque sei que para ti, também não tem esse significado.
Agora, quanto ao abraço vou acabar perdendo, Silvânia é bem menor.
Até mais, mano velho.

PS: Valeu pela dica do Entreatos, tinha esquecido da existência dele.
E cmo sou fervoroso defensor da pirataria, vou baixá-lo agora mesmo.

João Adolfo Guerreiro disse...

Como vivi intensamente na luta politica esses anos, o fato de conhecer a biografia de Lula me desmotivou a olhar no cinema esse filme, preferi Avatar em 3D. Mas vou ver em DVD.