domingo, 30 de maio de 2010

Passeando por ensaios de cidadania

Professor Rodrigo Smolareck


A sociedade, no contexto atual, tem se caracterizado por rápidas mudanças que se desvendam de forma avassaladora. As descobertas científicas, os avanços tecnológicos celebram a capacidade do ser humano de criar, agir, transformar, celebrar seu potencial pensante.

Todavia neste enredo grandioso de feitos e descobertas há uma história latente, marcada por descaso e indiferença, desamor e desencanto, fatos e momentos históricos não homologados pelos livros e documentos de referência universal, guardados apenas em relatos, contos, manuscritos extra-oficiais, onde o redator é aquele que vê com os olhos do excluído, denotando o sofrimento do marginalizado, daquele que a ação dominante encarregou-se de anular, usurpando-lhe o direito de legitimar-se também dentro do universo escolar e social, (ROBBINS, 2004).

O discernimento pedagógico e a lucidez filosófica constituem, nesta ótica, relevante instrumento para que possamos banir as práticas homogeneizadoras e reducionistas nascentes no coração pulsante da escola, e peregrina nos contextos sociais (RODRIGUES, 1975), verdadeiros vendavais que esfacelam a legitimidade da condição humana.

Diante do cenário posto e entendendo o ser humano como alguém que pode e deve estabelecer relações de vida, é deprimente constatar que sua revelação em vários momentos “coisifica” vivências e desencadeia uma ação, por inúmeras vezes, alienante (SOTO, 2005). É preciso romper o silêncio do sepulcro, a aceitação passiva das injustiças presentes no seio da constituição social, é chegado o momento de colocarmos em pauta nosso anseio pela ruptura da intencional prática de negação da potencialização do outro, (CANTERLE, 2005).

Assim, os grilhões da exclusão só serão rompidos na medida em que o excluído, tomando posse do conhecimento, usufrua deste para desencadear sua própria libertação firmando a grande utopia possível de conceber um espaço social de universalização de oportunidades, vendo na sacralidade do amor a forma mais sábia de sobreviver dos golpes rasteiros da injustiça.

* Pedagogo, Psicopedagogo Clínico e Institucional, professor e pesquisador na área de formação de professores e fenômenos sociais inclusivos. E-mail: profrodrigo@urisantiago.br

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