terça-feira, 13 de abril de 2010

Sempre ao seu lado


Tem muitos filmes que me fazem chorar. Entre tantos, o que mais me causou emoções foi Marley e Eu (clique aqui e leia meu comentário). Caso você tenha chegado de Marte e não conheça, trata-se da adaptação de um famoso livro que conta a história de um labrador destruidor do lar e seus donos. Uma história de amor que está acima de quaisquer defeitos. Incrível, maravilhoso, perfeito.

Pois bem. Quando vi o trailer de Sempre ao Seu Lado já senti um princípio de formação de lágrimas. Sabia que iria me emocionar com esse filme que, mais uma vez, conta uma história sobre um cão e seu dono. Uma clássica história de amizade que, a exemplo de Marley e Eu, também se baseava em fatos reais. Ou seja: um motivo a mais para gostar da história. Logo, sabendo que a Marcela era fã de filmes com bichos (e também uma leitora "canina" de Marley e Eu), recomendei o Sempre ao Seu Lado, antes mesmo de assistí-lo. E eis que ela assistiu antes de mim e lhe perguntei: "e aí, chorou muito?".

Que nada, a Marcela tratou de dizer que tinha gostado, mas que não se emocionou. Achou legal, mas não que fosse a oitava maravilha. E assisti, então, ao filme. E não sei se por influência da Marcela, concordei com ela. Gostei muito e recomendo, mas não chorei como achei que iria.

Sempre ao Seu Lado conta a história de um professor, interpretado por Richard Gere, que encontra um cão ao descer de um trem. A princípio, ele tenta encontrar o dono do animal, que é de uma raça japonesa. Como não consegue, o leva para casa e começa a despertar amor pelo bichinho e vice-versa. Logo, o cão se mostra fiel a ponto de acompanhá-lo todos os dias até a estação de trem. Depois, em casa, ele aguarda o apito do trem para retornar até a rodoviária e recepcionar seu dono. Vários personagens testemunham essa relação de fidelidade/amizade e se impressionam com isso. Até que, um dia, algo acontece e o professor não retorna mais pelas portas da estação. Mesmo assim, o cão permanece à sua espera: dia e noite, com chuva, sol ou até neve. E lá ele fica por nove anos.

A história é emocionante? É! A trilha sonora, o roteiro, as interpretações, as tomadas de câmera, tudo faz com que a gente se apaixone pelo cão e se identifique com sua fidelidade e se emocione. Richard Gere está muito bem, Joan Allen está maravilhosa e o cão Hachiko é um encanto. Mesmo assim, é preciso reconhecer que tudo é orquestrado para que seja assim, perfeito.

Mas onde foi que a Marcela "estragou" o filme para mim? Bom, ela é uma criadora de cães e gatos e procura analisar de forma minuciosa o comportamento deles. Ela considerou o seguinte: "para o cão não há nada demais em ficar esperando pelo dono. Ele não está pensando que ama ou que está sendo fiel. Ele simplesmente está seguindo uma rotina a qual já estava acostumado. Cães adoram rotina e detestam que algo lhes desvie daquilo que estão acostumados. É mais ou menos como uma programação. Se tu ensinar algo pro cão, ele vai repetir sempre. Que ele gosta da companhia do dono, é verdade. Mas acima de tudo, cães amam a rotina".

O que ela me disse fez muita lógica para mim. Marley e Eu conta a história de um cachorro terrível que é amado por seu dono acima de qualquer coisa. Sempre ao Seu Lado conta a história de um cão que ama o seu dono e fica nove anos à sua espera. O que fez com que eu me apaixonasse pelo primeiro e apenas gostasse bastante do segundo também faz parte de uma rotina a qual já estou acostumado: é mais fácil se emocionar com as emoções humanas.


Assista o trailer

Um comentário:

Tainã Steinmetz disse...

Concordo com a Marcela. Mas acho que esse ainda faz mais sentido que Marley & Eu.