terça-feira, 6 de abril de 2010

"Morte, morte que talvez seja o segredo dessa vida..."


No sábado participei de um encontro com os amigos da Casa do Poeta de Santiago. Eis que entre conversas diversas surge o assunto "morte". E, por mais que o assunto fosse esse, só se falou de vida.

E cada qual apresentando sua ideia sobre a vida, que é tão bela e maravilhosa e há tantos "ohs" de exaltação para a vida. Mas e a morte? Porque ela é tão "evitada"? Porque ela é tida como algo tão triste, um tabu, uma palavra que não se pronuncia? Ela é o fim ou um novo princípio? Em verdade, confesso, não tenho nenhum medo da morte e nem teria como pensar diferente. A morte é uma consequência natural da vida ou, como disse Raul Seixas, talvez seja ela o segredo desta vida.

Saberei quando estiver lá. A gente tem medo da morte porque ela nos tira pessoas que convivemos, que conhecemos, que amamos. Ela leva também o nosso cachorro preferido, nosso hanster e até nosso peixinho prisioneiro do aquário. E não importa o quanto choramos ou o quanto tentamos lutar contra ela. A morte dá de ombros para o que pensamos ou determinamos como sendo "nosso". Quando se trata de vida, não temos qualquer propriedade sobre ninguém e, sendo assim, não temos controle absoluto sobre absolutamente nada.

A morte está lá no apagar das luzes para homens, animais e até estrelas, cumprindo sua missão eterna.

Morte e vida seriam duas faces de uma mesma moeda? Quem morre aqui renasce em outro lugar? Ou quando a vida acaba, tudo vira pó, se apaga? É possível formular milhões de perguntas e nenhuma resposta científica. Quando se trata falar de morte, tudo o mais é subjetivo. É um "eu acredito que" e aí cada um complementa de acordo com sua crença ou filosofia. De concreto? Só sei que nada sei. Posso acreditar firmemente em algo que, quando eu venha a morrer, se revele totalmente ingênuo. Ou não se revele nada. Ou a morte nos abra uma possibilidade ainda melhor que a vida. Não sei, mas ainda saberei. Até lá, esse é um assunto que não vai estar morto na minha vida...

"Oh morte, tu que es tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar..."

Raul Seixas

Um comentário:

Tainã Steinmetz disse...

"Eu nao tenho medo de morrer. Tenho medo de estar viva sem ter consciência disto."