quarta-feira, 21 de abril de 2010

Isso é a Veja (ou é Inveja?)


Tudo bem que a revista Veja esteja torcendo para que o José Serra se torne o próximo presidente. Mas será que dava para a revista ser mais "discreta"? Compare o destaque dado para o pré-candidato tucano na capa da edição desta semana, com a capa que saiu com a Dilma Roussef há algum tempo.

Na dele, o olhar direto para o leitor, foto colorida, simpática, passando confiança e uma frase de impacto: "eu me preparei a vida inteira para ser presidente", logo após a sugestiva chamada de "Serra e o Brasil pós-Lula". Nunca vi uma publicação levantar uma bandeira mais escancarada que essa em prol dum candidato.

Agora, veja a capa com Dilma Roussef. Ela olha para o lado, desviando o olhar. A capa é preto e branca. Dramática. Suspeita. O contato com o (e)leitor é indireto, distante. E as chamadas: "A candidata e os radicais do PT", "Entre a ideologia e o pragmatismo", "o estado e o capitalismo no mundo pós-crise". Por fim, a frase de Dilma: "A realidade mudou, e nós com ela", o que não dá para absorver como sendo uma frase positiva, afinal, deixando mesmo aquele ar de "mas o que essa mulher pensa da vida?"

Não simpatizo com a Dilma (preferia ver o senador Pahin como o candidato do PT...), mas, como leitor, também não me agrada esse chamego da Veja pró-Serra. Eles criticam que o Lula botou a ex-ministra debaixo do braço para elegê-la, mas eles estão fazendo o mesmo com o tucano. E faz tempo.

Será que a arte das capas é mera coincidência ou, como diria Lair Ribeiro, "nada acontece por acaso"?

3 comentários:

G. disse...

Sinceramente, com todo o respeito ao autor, não consigo ver todo esse "levantar a bandeira pró-Serra", não... Para mim, são duas capas distintas justamente por essa razão: pessoas distintas, situações distintas, temática e abordagem distintas... Entretanto, nessa era das chamadas "mensagens subliminares" cada um acaba vendo o que os próprios olhos e convicções direcionam...

Cristiano Freitas disse...

Prefiro dessa forma, evidente propaganda eleitoral. A mídia tomando partido, ao invés de continuar com a farsa ridícula da isenção.
A mída tem partido: Seus lucros, e apoiam a quem vai ajudá-los a potencializá-los, independente do que possa pensar ou querer a população. Querem seu "ungido" no cargo, para colher os louros depois.
Infelizmente, nossa realidade está longe disso. A imprensa brasileira con tinua travestindo opiniões e editoriais de jornalismo. Mesmo após essa capa, a Revista-Panfleto vai continuar afirmando praticar jornalismo, e não expor seu caráter panfletário.

Anônimo disse...

Pesquisando algumas imagens para a minha monografia, achei este blog. Márcio, este é o tema do meu TCC, Tendenciosismo Político da Veja nas eleições Presidensiáveis de 2010. Me formo em jornalismo agora, e aproveitei para criticar essa postura adotada pela revista.