segunda-feira, 29 de março de 2010

Um Sonho Possível



The Blinde Side, o título original do filme estrelado por Sandra Bullock significa "O Lado Cego". Trata-se de uma alusão a uma jogada do futebol americano em que o left guard protege o quarterback, o jogador responsável pelo início das jogadas. No Brasil, o longa-metragem foi batizado de Um Sonho Possível, refletindo a trajetória do personagem principal que, por mais fantástica parece ser, se baseia numa história real, portanto, possível.

No entanto, se o filme se chamasse "Nó na garganta", faria jus à história edificante de um jovem negro que, graças a ajuda de um amigo, consegue se matricular numa escola particular tradicional, onde mais tarde chama a atenção da mãe de um jovem aluno, que o ajuda de todas as maneiras, fazendo com que ele se torne um astro do futebol americano.

Mas até que isso aconteça, acompanhamos cada triste momento da vida de Michael Oher, apelidado de Big Mike por causa de seu tamanho. Ele vive de favor na casa de um amigo, tem um só par de tênis já bastante avariado e uma única camiseta extra, a qual ele carrega numa sacolinha junto com seu material escolar. Numa noite muito fria, Leigh Anne (Sandra Bullock) reconhece o jovem que estuda na mesma escola que seu filho, caminhando só de bermuda e camiseta em direção ao ginásio da escola. O motivo: era o único local aquecido onde poderia passar a noite.

Sem pestanejar, ela o leva para casa, tendo o apoio de seu esposo e filhos, aparentemente acostumados às ações de caridade de Anne. A partir daí, o filme segue o seu rumo, mostrando o choque entre o mundo pobre de Michael e a nova vida oferecida para ele. Porém, não sem enfrentar o preconceito de uns e o descaso de outros por causa disso.

Interpretando uma mulher real e não um personagem fictício, Sandra Bullock confere tridimensionalidade para Leigh Anne, com todas as nuances e detalhes em sua caracterização. Decidida, contida, corajosa, Anne é o centro da família. É ela quem toma decisões e mantém a voz ativa em todas as questões, sem jamais perder a ternura. Note, por exemplo, o sorriso velado dela quando consegue provar algo ou conquistar qualquer coisa que queira. Bullock concebeu a personagem com uma inteligência e sensibilidade incomum em sua carreira. Creio que a última vez em que ela interpretou com tamanha emoção foi mesmo em Crash-No Limite.

Por sua vez, o ator Quinton Aaron não foi lembrado nem no Globo de Ouro, nem no Oscar. Mas sua interpretação é a alma do filme. Ele concebe o jovem Michael de maneira tocante. Devido a uma infância destruida e a vida pobre, ele parece carregar uma tristeza muito grande que o impede até mesmo de sorrir. A impressão que dá é que o casulo que criou em torno de si, para evitar as drogas e a violência, o afastam também da possibilidade de ser feliz. E, com isso, desenvolveu diversas camadas de proteção, as quais vão sendo "descascadas" por Leigh Anne, que se torna sua tutora e incentivadora e que luta até mesmo contra o déficit de aprendizado de Michael.

Um Sonho Possível é um filme edificante, daqueles que contam uma história inspiradora e que faz você próprio perceber que suas dificuldades também podem ser vencidas. Mas quando assistir, esteja preparado: ou você vai chorar ou vai ficar com um nó na garganta. Afinal, é impossível não se emocionar.

Um comentário:

Tainã Steinmetz disse...

O filme é mesmo surpreendente. E sem certos clichês idiotas. A gente nunca sabe o que a próxima cena nos reserva.