quinta-feira, 11 de março de 2010

Pequena- e pretensiosa- análise das cinco rádios de Santiago


Dentro dos próximos dias, minha cidade terá cinco emissoras de rádio com a inauguração da Central FM. A saber, já contamos com o trabalho da Rádio Santiago-AM, da Iguaçu Fm, da Verdes Pampas FM e da Rádio da URI FM. E também não podemos desconsiderar o trabalho das rádios web, que são a Destak FM e a Rádio Web Santiago (Confesso nunca ter acessado qualquer uma das duas, mas se estão operando é porque cada qual tem o seu público- e peço desculpas por não considerá-las nesta postagem, que é só sobre as emissoras tradicionais). Com tantas emissoras o ouvinte ganha variedade.

*********

Em termos de programação, a minha preferida é e sempre foi a Rádio Santiago. É a mais antiga e, portanto, mais evoluída em termos tecnológicos e profissionais. Sendo assim, é a emissora que oferece a programação mais útil à população, com seus tradicionais programas noticiosos como o Olho Vivo, Santiago Atualidade e Jornal Falado, que lideram a audiência no horário das 8h às 13h. A Rádio Santiago é capitaneada pelos grandes locutores Jones Diniz e Paulo Pinheiro.

Não ouço a programação de música nativa da emissora, porque realmente não sou muito fã. Gosto mesmo é do jornalismo e do dinamismo que a Rádio Santiago possui. A Rádio Santiago possui o melhor departamento de jornalismo da região e, creio, um dos melhores do interior do Estado (desculpem, mas sou bairrista). Sendo assim, a emissora dá show na cobertura das eleições, entrevistas ou na transmissão esportiva, quando alcança índices de audiência invejáveis.

Em termos de jornalismo e nativismo, a Rádio Santiago é a melhor. No entanto, seria preciso que eles melhorassem ainda mais a edição de notícias. No Jornal Falado, por exemplo, seria possível deixá-lo mais dinâmico e direto, com notícias mais sintetizadas e não tãããão alongadas de assuntos, muitas vezes, desinteressantes. Seria preciso filtrar mais, sei lá. Digo isso como um ouvinte que gosta da Rádio Santiago.

Em termos de uma programação jovem, a rádio peca. Não tem, não possui. Mesmo que o Sérginho Ramos tente fazer isso no domingo. A seleção musical dele parou na década de 90 e não avançou, a não ser com as modinhas da hora. Fora isso, outro problema que vejo (ou ouço, na verdade) é a saraivada de comerciais que a emissora joga em cima dos ouvintes. A programação da Rádio Santiago é, sem dúvida, primorosíssima, excelente.

Infelizmente o mesmo cuidado não há com os comerciais da emissora, que são velhos clichês com textos do tipo "A loja tal está de aniversário e quem ganha o presente é você" e coisas do tipo. Fora que tem aquela estrutura-padrão de colocar uma musiquinha de fundo, enquanto o locutor está falando, quando ele termina, a musiquinha volta ao início. Irgh. Mesmo tendo modernizado seus estúdios e equipamentos, a Rádio Santiago não modernizou sua produção comercial que segue os moldes do que era feito há vinte anos.

**********

Em termos de Rádio FM, é preciso separá-las em duas categorias. As rádios que se dedicam mais a uma programação de entretenimento e as que também abrem espaço para notícias, esporte etc. Nesse caso, creio, a Rádio Iguaçu FM (que agora também se chama Nova 99), é a mais ouvida entre as FM's dentro de um segmento bem considerável de nossa população. A Iguaçu atrai os ouvintes dentro dessa proposta de mesclar música e jornalismo.

Mesmo assim, não conseguindo oferecer um produto homogêneo e digo isso como ouvinte. Há bons comunicadores para programas musicais, mas nessa parte jornalística me parece que há uma deficiência. Dentre os apresentadores, gosto do estilo do Júlio Rosa, que é bem popular, do Gelson Limana, que tem categoria.

E acho o estilo do Sérgio Limana muito enjoado e ele se sai pior quanto tenta dizer o nome das músicas em inglês, enrolando a língua duma maneira que faria o Rubinho, da Skill Idiomas, ter pesadelos.

Dentre os profissionais da Iguaçu FM respeito o bom gosto musical do Leandro LM que, creio, desponta como um dos melhores da emissora. Ele não apenas sabe tocar boas músicas em seu programa: ele conhece música. E isso é legal.

*********

Sobre a Verdes Pampas, não tenho muito o que falar. Só a ouço essa emissora numa casualidade de estar em algum lugar onde alguém esteja ouvindo. Não sei o porque disso. Talvez o próprio distanciamento que a emissora tem da comunidade tenha me distanciado dela própria e, creio, isso deve ter começado há algum tempo.

Acho que que das últimas vezes em que ouvi a Verdes Pampas, o Nílson Pereira ainda fazia seu programa (ou seja, faz anos...). No entanto, reconheço que é a emissora que tem maior alcance regional e tals. Ah, sim, desculpe: ouvi a emissora mais recentemente ao sintonizar no programa de bandinhas meu amigo Diniz Cogo. Não que eu gosto de bandinhas, mas eu gosto do Diniz.

E além do Rafael Nemitz, não sei nem quais são os outros comunicadores que atuam na rádio. Não que isso seja um problema deles. É uma deficiência de informação da minha parte. Portanto, não posso nem criticar muito, nem elogiar tanto porque realmente não sou ouvinte da Verdes Pampas.

*********

Sobre a Rádio da URI, que nos últimos tempos tem recebido uma saraivada de críticas (merecidas), faço questão de fazer algumas considerações. Em primeiro lugar, acredito que a rádio da URI mantém um dos profissionais que mais entende de música jovem entre os comunicadores da região, que é o Otávio Millano. O cara realmente conhece de música e isso não se resume às modinhas do momento. O Otávio tem um nível de conhecimento elevadíssimo. Faz rodar na rádio desde Pink Floyd, Dream Theater e várias outras bandas e estilos que realmente estão em sintonia com os jovens. Agradando os gostos mais refinados aos mais populares. E, lembrem-se, trata-se de uma rádio universitária, cuja comunidade de ouvintes é formada em sua maior parte por jovens e, teóricamente, aqueles que estariam cursando a própria universidade.

Em segundo lugar, temos lá o Ataliba de Lima Lopes, um comunicador de música nativista bastante popular e que agrada. Posso dizer pelo meu pai, que sintoniza na URI FM para ouvir o Ataliba. É um sujeito que tem legitimidade para falar das coisas do Rio Grande conferindo autenticidade. Não é um sujeito se fazendo de "índio campeiro". É, sim, um comunicador que conhece a história do Rio Grande do Sul e tem um conhecimento natural da música rio-grandense e dos costumes gaúchos. Agora, a emissora não definiu uma "cara" e um público-alvo, ao contrário das emissoras citadas anteriormente. E, sendo assim, certamente perde audiência. Por ser uma emissora de universidade, acredito que deveria se voltar às coisas mais informativas, educacionais, científicas e, claro, não esquecendo da música.

Uma vez ouvi a Vera Costa dando uma notícia sobre economia e em seguida tentou desenvolver uma espécie de crítica sobre o assunto, mas morreu na praia. Tentou inventar, mas não conseguiu levantar voo. E assim foi em outras vezes, tentando opinar e deixando o ouvinte na expectativa.

Enfim, certamente ela tenha seus méritos como admistradora, sei lá, mas como comunicadora, entrevistadora ela não emplaca. Como ouvinte, acho que a Rádio da URI precisaria reencontrar o seu público. Soluções? Até poderia dizer várias, mas não ganho para isso e não vou ficar dando uma de bom para dizer. Só digo que, como ouvinte, a emissora tem potencial.

*********

Sobre a Central FM, nova emissora que teremos nos próximos dias. Só a conjunção dos nomes de Éldrio Machado e Nílson Pereira já me fazem querer sintonizar na nova rádio. Confesso que estou, sim, curioso para conhecer a programação e conferir as novidades que teremos. Por ter um perfil comunitário, é certo que a Central FM deverá ter um perfil mais noticioso. Até mesmo porque uma emissora FM de interior precisa ter um perfil diferente de um FM de cidade metropolitana. Porque quem gosta de ouvir música, ouve no MP3. Sendo assim, a nova rádio deverá ter uma programação mais interativa.

O bom de se ter o Nílson Pereira é que ele é o cara que joga em qualquer setor: seja no jornalismo, nativismo ou entretenimento. Além de que, é preciso considerar, com o Éldrio e o Nílson juntos é certo que os comerciais da nova emissora já despontarão como os melhores. Aliás, não é preciso nem ouvir a rádio para saber disso.

Uma coisa é certa: quem investir na emissora terá o comercial de sua empresa bem produzido. E, considerando que a emissora será uma novidade que todos vão querer conhecer, obterá grande audiência já nos primeiros dias no ar. Não posso falar mais que isso sobre a Central FM porque, afinal, ela não está no ar. Mas ressalto: é uma expectativa boa com a conjunção de dois dos melhores profissionais do Rádio FM.

Um comentário:

Weimar Donini disse...

Olhe Márcio, ouço algumas rádios pela net (alguma de Santiago, inclusive), ouço (e assisto) à CBN, também pela net mas tem uma que acho sensacional e que indico.

Acho que é norte-americana(ou canadense), e tem um nome diferente, estranho "Jango" http://www.jango.com/music/?l=0 A gente tem de ter alguma noção de inglês para tirar melhor proveito.

A gene mesmo escolhe os cantores e compositores que quer ouvir e ela vai rodando, rodando, sem parar.
A qualidade de som é ótima. Aprecio músicas clássicas e as escuto com perfeição sonora (utilizo fones).

Taí a dica para quem aprecia boa música. Não tem qualquer tipo de comercial e é gratuita.

Experimente.