quinta-feira, 25 de março de 2010

Papagaios de Bíblia...


Você conhece o sujeito: ele vê uma notícia sobre um terremoto e diz que estamos vivendo o final dos tempos e que é um sinal do Apocalipse. Se você inventar de dar trela, ele vai recitar algum salmo. Se não fugir do chato, ele é bem capaz de abrir a sua Bíblia de bolsa e ler o trecho exato onde está escrito isso. Empolgado por você ter dado atenção, ele vai seguir mostrando outros trechos e vai falar o quanto Deus é glorioso e o quanto devemos nos ajoelhar perante ele e se arrender de usar saia curta, jeans rasgado, tatuagem ou de jogar videogame. A Bíblia condena tudo e todos, se não formos iguais aos crentes. Esse sujeito (a) é o Papagaio de Bíblia, daqueles que decoram longos trechos e recitam João, Marcos, Matheus e Lucas como se estivesse declamando o Soneto da Fidelidade, do Vinícius de Moraes.

Com toda a evolução tecnológica e científica que a humanidade experimentou resulta num paradoxo impressionante que a Bíblia ainda esteja por aí a ditar comportamentos através desses papagaios bíblicos. Na verdade, nem acho que a Bíblia seja um problema. É apenas um livro com histórias tão verossímeis quanto a saga Crise nas Infinitas Terras, da DC Comics ou tão criativa quanto Harry Potter ou o Senhor dos Anéis. A única diferença, porém, é que Harry Potter o Senhor dos Anéis ou Crise nas Infinitas Terras não pregam o preconceito, a intolerância, o ódio e a fé cega, o que a Bíblia faz escancaradamente. Além de quê, quem lê tais livros sabe que se tratam de histórias fictícias. E quem se torna fanático pela Bíblia acredita realmente que Moisés abriu o Mar Vermelho ou que Jesus tenha nascido de uma virgem (sem ser no signo...). Mesmo que tais coisas sejam impossíveis no mundo real.

E não me peça para apontar trechos em que acredito serem visíveis tais afirmativas. Afinal, tudo está ali como sempre esteve e só vê quem quer. Quem não quer, vai me condenar ao fogo e ranger de dentes por ousar questionar as intenções da Bíblia.

Por fim, ainda que a Bíblia tenha sido uma disseminadora de tantos conflitos urbanos e desagrações familiares, também representou o contrário.

Conheço muita gente que consegue extrair amor de suas páginas e também aplicá-lo na prática. Há muita gente boa que encontra alento na religiosidade e são capazes de espalhar uma mensagem positiva. Tenho vários amigos que são sinceros nesse pensamento e os admiro por isso.

Ressalto portanto, que minhas considerações são direcionadas para quem faz da Bíblia um refúgio de lamentações e o equivalente a um Código Cívil, com suas leis e punições. Tomam para si o manto da sabedoria e da justiça e saem condenando aos outros.

Na verdade, a Bíblia não é boa e nem tampouco má. Assim como uma arma não é boba ou má. Depende de como se use. Depende como será manejada. Depende da mão em que ela esteja.

Alguns, no entanto, a lêem simplesmente em busca de um conforto ou de acreditar em algo que nem sequer está ali (e, sim, dentro de si). Outros, a lêem como papagaios, decorando palavras e trechos e saem propagando leis de ordem e arrependimento. Dizendo como se deve viver e como se deve fazer. São papagaios que, muitas vezes, são uns dissimulados que mais conseguem ver erro na vida dos outros do que em suas próprias (talvez se tirassem a Bíblia da ponta de seus narizes pudessem observar os outros não como mundamos, mas como irmãos do mesmo planeta).

Se é verdade que ler a Bíblia significa ter o conhecimento sobre o bem e o mal, então prefiro não ler. Justamente porque se eu tiver conhecimento sobre o bem e o mal e ainda for capaz de errar, ser intolerante, discriminador ou disseminador de discórdias e mesquinharias, não vai haver desculpa para mim, não é?

Não condeno quem leia a Bíblia, apesar de que quem lê de forma fanática condene quem não a lê. E até acho que tem muita gente boa que lê e pratica coisas boas, mas o contrário também é verdade, se não forem em número maior. Há muita gente que lê e guarda para si. Já outros, a lêem e saem iguais uns papagaios evangelizadores, não importando se você é budista, umbandista, espírita ou ateu.

Os papagaios de Bíblia batem suas asas e seus bicos e repetem sem questionar. E até sem perceber que, muitas vezes, nem papagaios são: alguns são umas aves de rapina.

2 comentários:

Jesus disse...

olá Marcio. eu sei que tu não gosta de ouvir a minha Palavra. me perdoe, mas escuta esta, só mais esta...

Pedro 2.12 - Esses todavia,como brutos irracionais,naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição, também hão de ser destruidos.

- Obrigado pela atenção e desculpe perturba-lo (ou melhor)incomoda-lo.
Te amo e quero salva-lo

Jesus.

Outsider disse...

Ou seja, "eu te amo, mas ouse não me obedecer pra ver o que te acontece", né @Jesus?
Lógica modo OFF.