sexta-feira, 19 de março de 2010

O fim dos fotógrafos profissionais e das locadoras (menos dos carroceiros ingratos...)


Com as inovações tecnológicas observadas nos últimos anos, muitas profissões começam a padecer por conta disso. É o caso, por exemplo, dos fotógrafos profissionais. Se há algum tempo abrir um estúdio de fotografia era uma boa para ganhar dinheiro, hoje a coisa já não é mais assim. Antes, para se ter uma lembrança de qualquer aniversário seria preciso chamar um fotógrafo. E aí, era bater fio para algum Osório, Alexandre, Marisa ou Arami. Hoje, meu amigo, as câmeras digitais estão disseminadas. Com isso, você não precisa mais de um fotógrafo profi mirando numa turma estática e com o sorriso congelado no 1, 2, 3 e diga alface.

Que nada. Com as digitais, qualquer amador consegue superar os profi de antigamente e criar fotografias divertidas e nada estáticas. Saem fora as poses posadas do filme chapado e entra em cena a expontaneidade digital. Não gostou da foto? É só deletar e bater outra e, assim, sucessivamente. Com isso e por causa disso, diminuiram os estúdios profissionais e até as revelações de fotos. Afinal, as digitais são armazenadas no computador e podem ser visualizadas até na tela da TV, via DVD. Portanto, revelar para quê? Pelo menos, é o que já pensa a maioria das pessoas...

A mesma coisa com as locadoras de filmes. Se até alguns anos elas eram as únicas opção para os amantes do cinema (principalmente os do interior, que não contam com salas de cinema), àvidos pelos próximos lançamentos, agora não são mais. Em dezembro do ano passado fui para Santa Maria assistir Avatar. Uma semana depois, um amigo me debochava porque já tinha o DVD pirata do filme em casa. "Viu só, tu viajou para Santa Maria. Gastou seis horas de viagem de ida e volta, dinheiro de passagem de ônibus, alimentação e eu só gastei 3 pilas comprando esse DVD", disse-me.

Em compensação, retruquei que o filme dele era gravado dentro do cinema, a imagem era ruim e o som era péssimo, ao que meu amigo não se deu por vencido. "É, mas deu para assistir e entender tudo do mesmo jeito". Tudo bem, a despeito dos DVDs de qualidade ruim, realmente a rapidez dos downloads impressiona. O filme que estrear nos EUA na sexta-feira, no sábado já pode ser baixado em Santana da Boa Vista, Nova Esperança ou em Santiago do Boqueirão (o lugar físico não importa: a internet é uma só nação). Com isso e por causa disso, muitas locadoras já perderam o seu espaço no mercado. Até 2006 eu planejava abrir uma locadora, mas naquela época olhei pro mercado e percebi: as locadoras estavam com dias contados.

Mas com tanta evolução tecnológica e substituição de equipamentos, fico pensando: quando os carroceiros vão se modernizar ou, sei lá, substituirem as suas práticas arcaicas por outras ou trocar de profissão? Digo isso porque fico puto da cara de ver esses condutores de carroça baixando o laço nos pobres animais. E dê-lhe chicotada no lombo dos cavalos. E dê-lhe deixá-los no sol escaldante enquanto o carroceiro passa uma tarde no boteco tomando uma pinga. E dê-lhe, de novo, chibatada no lombo do animal sem o menor resquício de culpa: "os animais foram feitos pra isso. Pra servir os homens", devem pensar esses infelizes.

Infelizmente, a evolução tecnológica não rivaliza com a evolução do próprio ser humano. Mesmo que um carroceiro tenha na mão um celular, na outra mantém as rédeas de sua carroça e o chicote para fazer arder no lombo do animal. O que deveria ser feito era proibir as carroças de circularem impedindo esses maltratos, que se extinguisse com profissões que escravizam os animais, dessa maneira. Mas aí, o homem se defende com sua condição social, justificando o seu trabalho. E dizer o que? E fazer o quê? Infelizmente, os animais não votam...

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