sexta-feira, 26 de março de 2010

Não acredite em tudo o que você lê


Recebi um e-mail repassado por alguns amigos, chamado "Kit do brasileiro". O referido e-mail diz textualmente o seguinte:

"Vai transar? O Governo dá camisinha. Já transou? O Governo dá a pílula do dia seguinte. Teve filho, o governo dá Bolsa-Desemprego. Tá desempregado? O Governo dá auxílio-desemprego. Vai prestar vestibular, o governo dá o bolsa-cota. Não tem terra? O governo dá o bolsa-invasão e ainda te dá aposenta. Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece".

O e-mail é ilustrado com várias figuras e termina com um cidadão tendo seu bolso assaltado pelo IPVA, Imposto de Renda, CPMF, ICMS, IPTU etc, finalizando a ilustração acima, de um palhaço na bandeira do Brasil.

Tudo bem que o e-mail propõe alguma graça e é bem humorado, mas esconde reais intenções politiqueiras que não são notadas por quem o passa adiante, reforçando essa corrente. Existem aos montes e-mails como esse que querem fazer crer que a culpa disso e daquilo está no governo. Só que tais mecanismos (bolsa-família, cotas raciais, distribuição de camisinha etc) são criados para amenizar problemas sociais históricos. E, se pagamos pelo bônus, também temos a parcela do ônus: o remédio existe porque também somos como o vírus que disseminou quaisquer doenças sociais (desemprego, aids, violência e Big Brother Brasil)

Imagine, então, que o governo cortasse tais benefícios. Que não se distribuísse camisinha, que não fosse concedido o auxílio-desemprego, que não existissem cotas para negros ou deficientes. Argumentos para criticar tais mecanismos existem vários, mas os benefícios que eles propõe também. No pesar da balança, é preciso perceber que os prós são muito maiores que os contras. Portanto, caros amigos, criticar é uma arte maravilhosa e que pode ajudar a levar a um caminho melhor. Porém, é preciso criticar de forma construtiva de apontar caminhos.

As cotas para negros semeiam o racismo? Tá bem. Então, proponha outra maneira de proporcionar que eles possam estudar e abandonar o grupo dos desfavorecidos sociais, em comparação com os brancos que, é inegável e histórico, fazem parte do grupo de favorecidos.

É errado pagar seguro-desemprego para quem perde o emprego? Então, quando você ficar desempregado faça a sua parte: abra mão desse direito. É contra o bolsa-família porque acha que há emprego para todos e oportunidades iguais? É contra os sem-terras, todos uns vagabundos, safados e aproveitadores? Muito bem.

Então, sejamos contra também esses grandes fazendeiros que conseguem financiamentos milionários, depois conquistam prorrogação ou anistia de suas dívidas e que gozam de diversos outros benefícios, além de poder colocar seus filhos para estudarem nas universidades públicas (as mesmas onde você não pode estudar por ser pobre ou preto).

São tais burgueses que, no final das contas, são os autores de e-mails que criticam o Governo por oferecer à população mais pobre benefícios que "eles" estão pagando. Então, amigos meus: não acreditem de cara em tudo o que vocês lêem. Se receber um e-mail desse ou qualquer outro, leve ao seu senso crítico. Pese, analise, duvide, perceba: pense. Não banque o palhaço de acreditar em tudo o que lê.

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