terça-feira, 9 de março de 2010

Guerra ao Terror

O filme Guerra ao Terror comportou-se no Oscar 2010 como o penetra que chega numa festa de aniversário, se empanturra de comida, estoura os balões e ainda comete o desaforo de soprar a velinha do bolo. Afinal, tudo indicava que o Oscar seria mesmo uma festa e que os holofotes estariam todos sobre Avatar, o filme-evento dirigido por James Cameron.

Mas que nada. Guerra ao Terror caiu nas graças dos votantes da Academia e sagrou-se como o Melhor Filme do Ano, mesmo tendo consumido um orçamento de U$ 15 milhões e arrecadando pouco mais de U$ 20 nas bilheterias mundiais. Isso soa risível quando comparado a Avatar e seu custo de U$ 300 milhões e lucro de R$ 2 bilhões e 600 milhões de dólares.

Diferente de anos anteriores em que a demora para o filme campeão do Oscar chegar às locadoras acaba esfriando a vontade de assistí-lo, eis que Guerra ao Terror pode ser assistido desde já. É que o filme está nas locadoras desde a metade do ano passado, numa prova de que a própria distribuidora desacreditava do potencial da obra, que agora despertou o interesse dos cinéfilos.

Guerra ao Terror acompanha os últimos 37 dias de um grupo de soldados americanos no Iraque, que possui a perigosa missão de desarmar bombas diariamente, além de combater os rebeldes que os querem expulsar. Os poucos dias que faltam para serem substituidos nessa missão tornam-se longos, uma vez que estão a todo momento jogando com a morte. O filme retrata o horror do conflito urbano de uma forma nunca antes mostrada. O perigo está em qualquer lugar: no chão que se pisa ou em cada carro que passa, cada janela ou cada olhar. A tensão é constante e a qualquer momento um soldado pode se transformar em mais um corpo.


Em Guerra ao Terror não há espaço para os discursos ufanistas tipicamente americanos e nem de bandeiras tremulando ao vento. O que há é o suor no rosto, a roupa empoeirada, a boca seca, fogo por toda parte, destroços e uma sensação de que tudo aquilo está acontecendo de verdade, como se fosse um documentário. O grande mérito da direção de Kathryn Bigelow é justamente produzir um filme realista, mas que não cai nos clichês do gênero e nem é protagonizado por astros de primeiro escalão, o que nos deixa com a sensação de que qualquer um ali pode morrer a qualquer momento, sendo que eles próprios demonstram essa sensação, que é uma companheira constante. Viver e morrer torna-se uma questão de sorte ou azar. De ter sucesso ou de falhar numa missão à serviço do exército.

Guerra ao Terror é cheio de nuances, muito bem escrito e merece ser visto várias vezes para ser discutido e analisado sob vários ângulos: psicológico, social, humanitário etc. Mas a principal mensagem do filme pode ser captada já em seus primeiros segundos e perdura até os últimos: a de que "a guerra é uma droga"...

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