sexta-feira, 19 de março de 2010

Eleições 2010 e as peças no tabuleiro


Apesar de centralizar meu blog em torno de questões culturais, hoje vou quebrar essa regra e falar um pouco de política, um assunto que eu gosto e que não interessa muito para a maioria dos visitantes deste espaço. Até mesmo porque uma parcela destes visitantes surge de vários outros lugares do Brasil, muito além de nossas delimitações regionais. Então, peço a licença desses amigos para fazer algumas considerações bairristas.

2010 é um ano político, graças às eleições para presidente, governador, senador e deputados estadual e federal. É um assunto que já ocupa a pauta da maioria dos jornais e telejornais de nosso país. Sendo assim, vou fazer algumas considerações sobre o que vai acontecer em minha cidade de Santiago neste ano.

Para breve deve acontecer o lançamento da candidatura de José Francisco Gorski, o Chicão, para deputado estadual. Ex-prefeito de minha cidade, ele é um nome fortíssimo do PP. Foi vice-prefeito por quatro anos, depois elegeu-se e reelegeu-se para prefeito comandando nossa cidade por um período de oito anos. Ele centralizou suas ações em torno das questões sociais, procurando solucionar problemas históricas na área de habitação, criando o projeto Minha Casa (construindo conjuntos habitacionais para famílias pobres) e empreendeu um projeto educacional modelo com o Criança Feliz, que dá atendimento educacional, cultural, esportivo e nutricional para alunos da rede municipal. Além disso, muitas outras áreas tiveram a sua atenção. Em minha cidade, Chicão é um semi-Deus da política, para se ter uma ideia. Prova disso foi que na sua reeleição em 2004 conquistou perto de 20 mil votos, totalizando quase 70% do percentual de votos.

Mas eleição para deputado estadual é outro papo. O Chicão hoje está afastado do poder, ainda que sua aura seja fortíssima. Mas vamos considerar que ele mantenha-se na preferência de, pelo menos, 60% das pessoas que votaram nele da última vez. Isso significaria em torno de 12 mil pessoas. Consideremos, então, que o Chicão por si só tenha esses 12 mil votos na mão hoje. Mas vamos lançar o olhar também sobre a Câmara de Vereadores. Dos seis vereadores do PP, cinco já declaram apoio aberto para Chicão. São eles, o Miguel Bianchini, o Davi Vernier, o Cláudio Cardoso, o Pelé e a Mara Rebelo. Na soma de votos que eles conquistaram em 2008, o resultado é de 7.267. Digamos que, somando forças, eles consigam transferir para a conta do Chicão esses votos todos. Juntando com os 12 mil, chegaríamos a 19.267.

Então, considerando apenas os votos que o Chicão teria por si e os que seriam conquistados pelos vereadores chegariamos a esse número. Essa seria, numa análise superficial, a votação que o ex-prefeito conquistaria só em Santiago, descartando outros fatores. Um deles é de que cada criança (e suas famílias) atendida pelo projeto Criança Feliz em todos esses anos possa se transformar num cabo eleitoral em potencial. E Chicão pode passar, tranquilamente, de vinte mil votos.

Mas o Chicão não será o único candidato a deputado em nossa cidade. O ex-vereador Sandro Palma já declarou que pretende disputar uma vaga na Assembleia, através do PTB. Em 2004, Sandro concorreu a prefeito e obteve sozinho 5 mil votos, sem apoio de partido nenhum e de ninguém mais. Tomando por base, ele arrancaria já com esses 5 mil e digamos então que ele consiga chegar a 8 mil votos só em Santiago e mais, sei lá, uns 5 mil pelo Estado (lembrando que ele é natural de Alegrete, onde morou e tem muitos amigos). Sandro teria só no Vale do Jaguari uns 13 mil votos (por baixo). Considerando que o Zambiasi vai concorrer a deputado estadual e, com isso, pode fazer uns 300 ou 500 mil votos, não seria de imaginar que Sandro garantisse uma vaga na Assembleia graças às sobras de voto da legenda.

E os demais candidatos que chegam de para-quedas na época da eleição? Ah, esses temos aos montes. Um deles será Pedro Westphalen, deputado lá de Cruz Alta. Caso o leitor não tenha percebido, não contabilizei para o Chicão os 2.516 votos que o Marquinhos Peixoto fez na última eleição. Isso porque o Peixotinho não iria botar a cara na rua para pedir votos pelo ex-prefeito. Sua máquina eleitoreira estaria à serviço, na verdade, do candidato de Cruz Alta. Mas considero que seu apoio será comandar de longe, sem botar muito a cara na rua. Até para não se queimar por completo com o Chicão e nem para não comprometer o seu pai, que é conselheiro do Tribunal de Contas. Afinal, ter o Peixotinho numa campanha seria o mesmo que o Peixotão. Sendo assim e considerando que Westphalen nunca deu as caras em Santiago, é possível deduzir que ele não chegue a 800 votos por aqui.

E o Jerônimo Goergen? Quando concorreu em 2002, ele fez uns 800 votos em Santiago. Em 2006, aumentou a votação para 1.100 votos. E para 2010, vai aumentar a votação? Esqueça: Gorgen não vai chegar a 400 votos por aqui neste ano. Tudo por conta de seu afastamento, sua atuação pífia e também a falta de apoiadores, especialmente na Câmara.

E a Mônica Leal? Bom, é preciso observar que ela já está em campanha, através de sua atuação política como secretária (devendo entregar o cargo dia 31 de março). Ou seja: quando iniciar (e emendar) o período eleitoral, ela terá feito a campanha eleitoral mais longa de todas: durante os três anos e meio como secretária e somando mais os três meses regulamentados pela Justiça Eleitoral. Quantos votos ela faria na minha cidade? Possivelmente mais que 300 e Certamente menos que 1.000. Por que tão pouco? Primeiro, porque ela não tem apoio sequer entre os vereadores de seu próprio partido por aqui (como você percebeu nas linhas anteriores). Vamos ver se a estratégia de tornar-se a melhor amiga virtual de todo mundo vai surtir efeito...

Outros candidatos que devem colher votos em Santiago: pelo PMDB, Édson Brum, através do vereador Diniz Cogo e Gilberto Capoani, através do vereador Arlindo Alves. Pelo PSDB, o Pedro Pereira, através do vereador Pedro Bassin, Já pelo PDT, acho que o vereador Everaldo Gavioli deva ir de Giovani Cherini ou até de Cristopher Goulart, não sei qual dois dois. E em qualquer um dos casos, são candidatos que não ultrapassam um universo de 300 votos, oscilando entre duzentos e poucos, cento e poucos cada. Talvez o Édson Brum consiga aumentar sua votação esse ano, talvez não, já que é também um dos pouco presentes por aqui. Os demais partidos, como o PT, também devem fazer campanha para um e para outro, sendo que o nome que deve despontar é o de Valdecir Oliveira, que pode conquistar aí uns 600 votos, pois terá apoio de várias alas do partido.

Mas é bem provável que tenhamos vários outros candidatos, mas acredito que os principais sejam esses citados. Em breve, iniciará a disputa pelos 30 mil votos válidos em território santiaguense.

Vamos aguardar as jogadas no tabuleiro do xadrez político.

2 comentários:

Anônimo disse...

VAi aprender politica antes de falar bobagens. Palhaço.

Márcio Brasil disse...

Tu deve "entender" muito de política: afinal, pratica a velha tática de dar o tapa e esconder a mão, como muitos corruptos fazem.

Só aceitei o comentário para dizer que melhor ser palhaço do que ser um vendilhão.