quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Para vender Santiago


Brilhante o artigo "O turismo de eventos na Terra dos Poetas" que o Rodrigo Neres escreveu em seu blog. Ele analisou a construção da identidade cultural de Terra dos Poetas, relacionando com a expectativa de fazer disso um atrativo turístico. Porém, de forma muito corajosa e consciente, o Rodrigo questiona das dificuldades de fazer algo assim, quando a própria população sequer sabe valorizar a produção literária local ou se importa com isso. Ele aponta que:

"Mas assim como o Turismo, as mentalidades e as identidades são construídas ou alteradas em processos longos e não imediatos. Por isso é necessário se criar políticas públicas que vislumbrem a construção dessas bases, incentivando as ações em prol do fortalecimento do Turismo, da Educação Patrimonial e, sobretudo da valorização da História Local.

A história da humanidade nos relata que desde os primórdios o ser humano cultiva o espírito turístico, seja por curiosidade do desconhecido, necessidade de arriscar-se, de desbravar, de ampliar margens econômicas, ou até mesmo em questão de sobrevivência...."

Leia o artigo na íntegra, acessando http://acasadasmusas.blogspot.com. O Rodrigo Neres é o coordenador do Departamento Cultural de Santiago.

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Agora, falando sobre a questão turística, sempre que a gente vê um seminário ou um debate sobre turismo, os mesmos exemplos são citados: Gramado e Canela, na Serra Gaúcha; Foz do Iguaçu, no Paraná; Florianópolis ou Itapema em Santa Catarina e por aí vai. Em verdade, sempre acho esses seminários sobre turismo uma coisa muito entediantes como busca de ferramentas de atitude, de seguir modelos que deram certo.

Afinal, como disse o sábio anônimo, cada caso é um caso. O que se aplica na Serra Gaúcha ou no litoral catarinense, não se aplica aqui. É óbvio que cada cidade precisa enxergar além do óbvio para descobrir como se desenvolver, considerando as suas limitações e até tirando proveito disso.

No caso, nossa cidade não é muito rica na questão do turismo geográfico, de exploração de serras, morros ou rios, a não ser claro, o distrito de Ernesto Alves. Em sendo assim, o turismo de eventos seria a melhor alternativa de consolidar uma identidade cultural e, resultado final, de atrair turistas (dinheiro de fora). Porém, não podemos esquecer que os maiores clientes no caso de um turismo de eventos são justamente os moradores da cidade, o que não torna a cidade mais rica. Afinal, o dinheiro apenas circula de uma mão para outra. Compreende?

Bom, se eu começar a escrever tudo que é ideia que tenho aqui, vou fazer um post enorme. Então, para não ficar enchendo o saco dos leitores com dissertações, vou falar de forma breve. Para começar (e terminar) vendemos mal o nosso peixe.

Se temos atrativos importantes (e dispersos), precisamos reuní-los num pacote e acreditar nele. Uma sugestão que faço é de dar um jeito de se fazer um convênio (ou coisa que o valha) lá com a Estação Rodoviária.

Seria preciso que ela tivesse painéis, outdoors ou o que fosse com fotos dos principais pontos de Santiago, dos lugares mais bonitos. Mapas gigantes da cidade que saltassem aos olhos de quem chega na rodoviária. Para que já ali, na chegada ou na saída, o visitante ou o próprio morador da cidade ou do interior soubesse um pouco do que é Santiago. E sabendo, desperte o sentimento bairrista no sentido de defender aquilo que é de todos. (Ou seja, queridos: fazer cultura e turismo com teatro e dança e feira é muito fácil. O aspecto cultural mais difícil é penetrar na mente do público-alvo...)

Que já ali na rodoviária, ele soubesse que temos Ernesto Alves, que somos a Terra dos Poetas, que temos universidades, que soubesse quais os eventos desenvolvemos e em que época, onde ele pode comer, onde ele pode dormir, o que ele pode ler, o que ele pode ouvir, que lugares ele pode visitar.

E não só lá na rodoviária, mas nas paredes da galeria Fortes, dentro do Shopping Ilha Bella, nas paredes da Tritícola, da Rede Vivo, na entrada da cidade, na URI, na Ulbra etc. Demanda tempo e dinheiro? Sim. E demanda estratégia e investimento. E mexe com o inconsciente coletivo e ajuda ao próprio cliente interno saber o que a cidade tem para vender. Afinal de contas, a ideia é vender Santiago? Então, pra início de conversa é preciso que os próprios moradores comprem essa ideia....

Tá.Parei por aqui. Falei pouco, mas falei demais.

Um comentário:

Weimar Donini disse...

Caro Márcio.
Compartilho com tuas ideias e acrescento: a comunidade deve pensar e descobrir onde está sua riqueza, seus pontos fortes. Todos os têm, sem dúvida.
Os caminhos são fartos e variados.
Cito um: nossa comunidade tem na ovinocultura um potencial latente a ser explorado. Temos de agregar valor a ele; não apenas exportá-lo in natura pois a riqueza agregada, por lá ficará.
O tratamento da lã, a manufatura, o artesanato, a industrialização. O Uruguai enriqueceu assim.
Às vezes as coisas estão à nossa frente, basta olhar com olhos mais acurados.
Um abraço.