quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Música brega é arte


No meu computador, tenho várias pastas de músicas. Algumas estão nomidas como "músicas legais", "nacionais bacanas", "músicas iradas" e por aí vai. Uma de minhas pastas preferidas, mas nem tão visitada é a pasta "músicas bregas".

É ali que guardo verdadeiras pérolas musicais que muita gente conhece, mas poucos admitem gostar. Justamente por serem músicas ruins, mas que de tão ruins se tornam boas. E é isso que define algo brega, creio eu. Aquilo que é belo só aos olhos de quem ama.

Ser brega requer personalidade e autenticidade. Não se cria uma música brega, assim por querer criar. A breguice nasce a partir da vontade de ser tudo, menos de ser brega. É que nem um bolo abatumado: você não gasta tempo, ingrediente e gás querendo deixá-lo assim. O bolo abatumado acontece e mesmo assim dá para achá-lo gostoso e comer com café. Mas se você tentar fazê-lo dessa forma, o sabor não vai ser o mesmo. Não vai ser autêntico.

Pois bem, assim é a música brega. Ela é gostosa igual ao bolo abatumado que você come, mas não oferece pras visitas. Assim, música brega é feita para ser apreciada solitariamente ou, vá lá, com alguém que saiba compreender que esta é uma forma de arte inimitável. Taí as bandas Dejavu, Calipso e Calcinha Preta que nem brega conseguem ser, de tão ruins, extrapolando os limites da breguice (até para ser brega existe um limite...)

A música brega surge a partir de letras exageradas, adocicadas demais ou dramáticas ao extremo. Ou ainda, através de um tom de voz nada a ver. Vejamos algumas músicas bregas que valem a pena ser ouvidas:


"Meu Primeiro Amor", do José Augusto, conta a história de um amor de infância. Confira quatro canções (assista os vídeos)



(Trecho)
Foi numa festa outro dia
Que eu te encontrei a dançar
Namoradinha de infância
Sonhos da beira do mar
Você me olhou de repente
Fingiu que tinha esquecido
E com sorriso sem graça, me apresentou ao marido

E o resto da noite dançou pra valer
Se teus olhos me olharam fingiram não ver
No meu canto eu fiquei entre o riso e a dor
Lembrando do primeiro amor



Poucas músicas são tão dramáticas quando "No hospital", de Amado Batista:



(Trecho)
No hospital, na sala de cirurgia
pela vidraça eu via
você sofrendo a sorrir
E seu sorriso
aos poucos se desfazendo
Então vi você morrendo,
sem poder me despedir


A interpretação "poderosa" de Júlio César em "Tu"



(Trecho)
Quando tu partiste, me deixaste
Teu olhar
Triste aqui dentro de mim
Tu estás longe
Mas posso dizer
Que ainda vives aquiiiiiii
Tu que sabes
Quanto eu te ameeeeeeei
Tu que sabes
Que choreeeeee---eeeeei


O amor entalado na garganta de Márcio José em "O telefone chora"



(Trecho)
O telefone chora e ela não quer falar
Pra quem dizer te amo
Se ela não vem me escutar
O telefone chora compreende o meu penar
Pois sabe que ela não vai perdoar
E quando você esta de férias no hotel da praia
Você gosta do mar?


Outras dicas de canções bregas:
"Sonho de Ícaro" e "Te Amo", do Biafra. "O Portão", Roberto Carlos. "Liguei pra dizer que te amo", Alan e Aladin. "Impossível acreditar que perdi você", Márcio Greick. "Aline", de Agnaldo Timotéo. "Sandra Rosa Madalena" e "Tenho", de Sydnei Magal. "Pare de tomar a pílula", de Odair José. "Secretária" e "Princesa", de Amado Batista. "Como uma Deusa", da Rosana. "Oh Carol", Neil Sedaka e por aí vai, todas as do Falcão, do Tiririca, do Gian e Giovani, do Christian e Ralf, da Perla, da Rosana, do Gilliard, do José Augusto, do Biafra, do João Mineiro e Marciano e por aí vai...

Nenhum comentário: