quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Estou equalizado na Pitty

Pitty em foto de Washington Possato

Essa semana estou apaixonado pela Pitty. Apesar da música Me Adora, já estar rodando há um tempo nas rádios do resto do país (aqui, claro, não toca. Nossos radialistas, em sua maioria, só conhecem a banda Dejavu...), só essa semana fui me dedicar a escutar com atenção o restante do CD Chiaroscuro, o terceiro da Pitty.

A primeira vez que ouvi falar dela foi vendo um clip no TVZ, ótimo programa do Multishow, lá em 2004. O Clipe era da música Equalize, que eu achei muito diferente de tudo o que eu já tinha ouvido. Me interessei e fui saber de outras canções dela. Me encantei com a inteligência em Admirável Chip Novo, que, no título, faz referência ao livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo e na letra, parece demonstrar a influência também de outro grande autor da ficção científica: Isaac Azimov.

Já nessas duas canções, tive a impressão de que a Pitty era um sopro de inteligência em meio à ignorância que reinou na música brasileira durante anos. Tanto, que comprei um DVD dela.

Tive essa confirmação quando ela lançou o CD Anacrônico. Viajei na letra da música Na Sua Estante, que é sentimental e forte.

Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Além de quê, possui um clipe fantástico que, mais uma vez, faz referência a Isaac Azimov (pelo menos, lembrei de O Homem Bicentenário o tempo todo, com a história daquele robozinho apaixonado pela colega de trabalho, humana).

Ali, tive certeza: Pitty era a melhor coisa surgida na música brasileira nos últimos tempos. E, agora, com o CD Chiroscuro, só consolidei essa ideia. O CD é brilhante. O single Me Adora é tudo de bom. Putz, que cantora brasileira consegue demonstrar doçura entoando versos como esse? :

"Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda..."

A Pitty é incrível e o seu trabalho chegou a um nível muito acima das cantoras brasileiras preferidas da mídia. É claro que, pelo fato dela ser uma roqueira, existe um preconceito com seu trabalho. Mas, qual nada, dane-se: o que interessa é a obra da Pitty. Mídia demais pode estragar com um artista sem personalidade. Se bem que, nesse ponto, Pitty tem muita personalidade. Basta conferir a letra de Desconstruindo Amélia

"A despeito de tanto mestrado
Ganha menos que o namorado
E não entende porque
Tem talento de equilibrista
Ela é muita se você quer saber
Hoje aos 30 é melhor que aos 18
Nem Balzac poderia prever..."


Ou Rato na Roda

"Agradeço pela ração
Aqui tudo está sempre a mão
Um cantinho pra eu me deitar
Uma bola pra me acalmar..."

Para mim, Pitty está conseguindo manter uma carreira digna e admirável, a ponto de seus discos merecerem figurar ao lado de outros grandes heróis do rock brasileiro, como Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana. Se você não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra. Pitty merece estar na sua estante e nas suas memórias. Aceite esse admirável chip novo e abandone todo e qualquer Déjà Vu. É o que espero de você, leitor.

Pitty é é, senão, um dos últimos lampejos de inteligência na música brasileira. Só não equalize se não quiser.


Explicação do título desse post: conforme a letra do primeiro grande sucesso da Pitty, equalizar significa sintonizar, entrar em sintonia, na mesma frequência. Tá ligado?

4 comentários:

Tainã Steinmetz disse...

Engenheiros do HaWaii

Tu insiste em escrever com v.

¬¬

Márcio Brasil disse...

Me escapuliu. Já corrigi. Valeu!

Tainã Steinmetz disse...

Escapuliu pela 10ª vez pq faz dias q eu te aviso isso.

Silvio Luiz disse...

Oi Márcio. Estava passeando pelos blogs no link "Próximo blog" do Blogger, encontrei o seu, e o que tenho a dizer é que gostei muito!
Sabendo então que gosta do trabalho da Pitty, gostei mais ainda!

Virei aqui sempre que puder!

Abraço