terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E se a ganância tivesse sido menor...?


Ficou famosa no Brasil inteiro (e internacionalmente) a fotografia acima, de Charles Guerra (Diário SM), que mostra a enchente que arrancou a ponte sobre o rio Jacuí, na RSC-287, entre Restinga Seca e Agudo. A tragédia trouxe prejuízos humanos e materiais e apesar de tudo ter acontecido há quase um mês, as imagens seguem fortes na mente de todos (especialmente dos gaúchos) que sofreram as fortes chuvas que se iniciaram no final de 2009 e entraram o novo ano com tudo.

Casualmente hoje estava me detendo a analisar melhor a fotografia da ponte. Me parece que em ambos os lados do leito do rio haviam lavouras de arroz. Do mesmo jeito se vê ali próximo da ponte sobre o rio Toropi, em São Pedro do Sul, há lavouras de arroz bem próximas do rio. Como não sou muito viajado por esse Rio Grande afora, esse padrão me leva a crer que muitas lavouras de arroz se assemelham. Ou seja, ficam próximas de rios (o que facilita, de forma lógica, a irrigação).

Li que produtores de arroz em quase todo o Estado declararam perda de grande parte de sua produção em função do alagamento. (Já sabem: agora vão bater pedir prorrogação de dívidas, ganhar dinheiro do governo e aumentar o preço da produção...)

Bem, voltamos à questão da ponte sobre o Rio Jacuí. Como dá para perceber pela foto, não se sabe onde termina o rio e nem onde começa a lavoura.

Simplesmente porque emendou tudo. Agora, pergunto: não existe alguma lei que proíba a plantação de lavouras quase às escostas dos rios? Ou seja: se fossem respeitados limites de 100 ou 200 metros longe do leito do rio, preservando a mata às escostas, o rio teria subido tanto? Ou seja: se os produtores tivessem pensado menos no bolso e um pouco mais na natureza, ela teria sido tão "impiedosa"?

Não cabe a mim responder. Mas nem por isso é que vou deixar de questionar...

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