quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

E se existir um Deus dos animais?


Já acreditei muito em Deus. E da mesma forma, também já desacreditei muito dele. Hoje em dia minha mente até concebe Deus como uma força universal que interliga a todos nós. Comparando em aspectos terrenos, seríamos como um computador. Deus seria como o Google. Você o acessa para poder encontrar respostas para coisas que precisa. Mas, enfim...

Não é esse o objetivo desse post, acabei fugindo do assunto. Vou iniciar de novo: já acreditei muito em Deus e também já desacreditei dele. Hoje em dia, muito gostaria que Deus existisse. Porém, adoraria que ele se manifestasse na forma de pessoas ou animais que maltratamos de alguma forma. Assim, todo aquele que, por exemplo, tivesse preconceito contra negros, homossexuais ou deficientes etc acabasse encontrando um Deus que tivesse tais características. Da mesma forma -e julgo isso importante- as pessoas que maltratassem qualquer animal, acabassem encontrando um Deus naquela forma.

Assim, um homem que maltrata um cão, descobrisse quando morresse que Deus é um cachorro. Ou um gato. Ou um cavalo. Ou uma vaca. Ou pássaro. Ou qualquer outro ser vivente na Natureza. Ou uma floresta queimada ou um rio destruído. Afinal de contas, quão idiotas somos por acreditar que um possível Deus tenha tais e quais características iguais às nossas, não é? Ah, você não pensa assim? Claro, todos somos diferentes em corpo e mente. Portanto, Deus deve ser igualzinho, certo?

Outro dia, eu cruzava na frente da casa de um vizinho. Cumprimentei-o e notei seu ar de preocupação. Ele fez questão de me chamar e mostrar algo. Era a sua cachorra de estimação, que agonizava após ter ingerido carne envenada que alguém havia lançado dentro de seu pátio. Meu vizinho é daqueles homens que não chora, mas sofria junto com sua cachorra. Mais emotiva, a sua filha estava em volta da cachorra, com lágrimas no olhar, temendo pelo pior.

- Ela não faz mal pra ninguém. Fica só presa dentro do patio. Pra quê uma judiaria dessas?

Ele questionou, num desabafo. Infelizmente, são muitos os casos de animais envenados em toda a cidade. São muitos os casos de violência e assassinato de cães e gatos. E, sinceramente, odeio pessoas que pratiquem violência contra meus irmãos de outras raças. Toda vez que descubro que alguma pessoa que conheço praticou algo contra um animal que seja, é certo que diminui em muito qualquer respeito que possa ter por aquela pessoa.

Há poucos dias, fiquei com raiva de um homem que conduzia uma carroça puxada por um pobre cavalo. O homem puxava as rédeas de seu transporte e, vez por outra, dava chicotadas nas costas do animal para que corresse mais. Naquele momento, não teria a menor pena se um dia voltasse a cruzar por aquele homem e o encontrasse numa situação inversa: fosse ele que estivesse sendo chicoteado. Não me interessa quem ele é ou qual é o seu trabalho. Sua atitude de chicotear o cavalo diz muito mais sobre a sua índole do que quaisquer palavras ou aperto de mão poderiam dizer.

Outra coisa que não gosto: pássaros presos em gaiola. Lembro que minha avó adorava caturritas. Vez por outra, ela ganhava uma cocota que o Pedrinho Mattos lhe trazia, quando trabalhava na CEEE. Ele as retirava de cima dos postes no interior e distribuia entre amigos. Minha avó gostava de cuidar da caturrita. Lhe dava comida, lhe dava água e também conversava com ela. Eu, porém, não gostava de ver aquele pobre bicho na gaiola e julgava que tinha um olhar triste.

Uma vez, algumas outras caturritas voaram próximo de minha casa e lembro da cocota enjaulada gritar sem parar, como se estivesse pedindo ajuda, como se pedisse aos céus que a libertasse. Bem, não foi o céu que a libertou. Sem minha avó perceber, abri a portinhola da gaiola e a libertei. Horas depois, minha vó ficou triste de sua ave ter fugido, mas intrigada com o fato da gaiola estar aberta. Afinal, julgou que o animal não poderia ter conseguido fazer isso sozinha.

Pois bem, algumas semanas depois, o Pedrinho lhe presenteou com outra caturrita. E novamente, num instante de descuido de minha avó quis libertá-la daquela prisão. Só que, dessa vez, minha avó tinha colado um pequeno arame para impedir que a caturrita "abrisse" a portinha. Mesmo assim, abri a gaiola, tomando o cuidado de deixar o arame por ali, para que ela pensava que o bichinho tivesse aberto-a com o bico. Mas a caturrita não saía da gaiola. Não tinha ânimo para voar. Assim, resolvi dar-lhe um incentivo.

Tomei-a nas mãos e joguei para cima. Porém, minha avó havia diminuido-lhe as as penas das asas e a caturrita caiu no chão. Nessa hora, minha avó apareceu e descobriu tudo. Logo, deduziu que a cocota anterior havia sido solta por mim. Tomei uma bronca e a caturrita voltou para a gaiola, apesar de tentar explicar para a minha avó que eu não achava certo ter um pássaro preso em casa. Não teve jeito...naquele momento.

Porque, temos depois, a caturrita acabou adoecendo e morreu. Minha avó ficou triste com a morte de sua "fi-inha". Aproveitei para dizer que o bichinho era da natureza e, certamente, havia morrido de tristeza por não voar, por não seguir sua vida, apesar de ter sido bem cuidada. Naquele dia, ela me prometeu que não iria mais criar nenhum bicho preso. E aquilo me deixou muito feliz.

Portanto, nunca gostei de ver qualquer tipo de pássaro preso. Nunca gostei de ver cavalos puxando carroça e nem cães ou gatos sendo maltratados. É por isso que gostaria de acreditar num Deus que julgasse os homens e mulheres não somente por suas ações entre si, mas também que ele não esquecesse de como essas pessoas se comportaram perante outros seres que também tem todo o direito à vida e a liberdade.

Gostaria muito que existisse um Deus ou alguma força que o valha que aplique a Justiça não só aos seres humanos e seus atos entre si, mas que também não escapasse do seu olhar todo o mal que tenha sido praticado contra as demais criaturas viventes e a todo o ecossistema. Um Deus assim seria digno de acreditar...

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