quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Dívidas geram lucro$ (não pra você, claro...)


Toda hora a gente vê a imprensa divulgando os números do SPC e Serasa, informando como anda a inadimplência no mercado. "Esse mês diminuiu/aumentou em relação ao período tal". E, sempre, por mais que aumente o número de devedores no mercado, se percebe que também cresce o lucro dos bancos e instituições financeiras. Não soa como um paradoxo? Se as pessoas não estão pagando aquilo que tomaram emprestado ou financiaram, como podem os bancos estarem lucrando mais? Para entender isso, seria preciso conhecer um pouco mais de economia. Mas, ahhhh, economia é um assunto muito chato e difícil. Coisa que só um especialista como o professor Rogério Anése é capaz de entender e explicar.

Mas, será que realmente a economia é algo difícil de entender ou é mais simples do que parece? E, sendo assim, será que aqueles amontados de gráficos, sequências de números, planilhas e termos monetários não teriam o intuito único de complicar algo que é muito fácil?

Não só o intuito de complicar, mas também de não fazer você perceber que aquilo que recebe como salário é realmente aviltante, em comparação ao seu esforço. (Aqui, aplica-se a máxima marxista da mais-valia...)

Meu pai nunca teve conta no banco. Desta forma, nunca conheceu problemas com limite estourado, cartão especial ou cheque voltando. O interessante é que toda vez que precisei de dinheiro e pedi a ele -tilim, tilim- lá vinha ele com a quantia solicitada. Meu pai, que tem o sobrenome de Brasil, tem o seu próprio banco: o Banco do Brasil. Guarda o seu dinheiro em latas, em fronhas de travesseiro, em sacos plásticos, em bolsos de casacos e, às vezes -acreditem- até em sua carteira. Ressalto seus diferentes locais de guardar dinheiro para mostrar que ele confia seus valores a qualquer espaço que esteja ao alcance de seus olhos. Menos nas agências bancárias. (Ele não se sente nenhum pouco atraído em converter seus níqueis em dígitos...)

Da mesma forma, o velho Brasil é incapaz de "fazer uma prestação" de qualquer coisa. Se ele não tiver o dinheiro todo para comprar o que queira à vistaço, pode esquecer. Nem adianta oferecer produtos em dez vezes sem juros, que ele não quer saber e não cai nessa. Assim é o meu pai que acha a maior bobagem do mundo essa história de Banricompras. Uma vez, lembro, ele me censurou por eu usar de tal benefício oferecido pelo Banrisul. "Mas guri, como é que tu vai comprar uma coisa para pagar em 30 dias ou em três quatro ou vezes? Tu tá gastando um dinheiro que ainda não tem. Como é que é isso?".

Eu achava que meu pai era atrasado por pensar assim. Qualé, meu, são as facilidades do mundo moderno, do crédito rápido pá-pum, tomá-lá-dá-cá. Que nada. Meu pai é que tava certo. Depois de me ferrar com essas coisas de cartão de crédito, cheque especial, Banricompras e caixa eletrônico, retrocedi meus procedimentos monetários para o tempo do Ariri de Pistola (como diria minha mãe). O banco dos cofrinhos de lata não oferece cafezinho e nem ar condicionado. Mas pelo menos, não complica com a vida financeira de ninguém.

Meu pai, que é aposentado, está toda hora recebendo cartinhas dessas financeiras fodedeiras espalhadas por aí. Fora que o próprio banco pelo qual recebe também dá as suas tentiadas, oferecendo dinheiro fácil para pagar em suaves prestações que, ao final, fazem o dinheiro dar cria (no cofre deles, claro).

Ainda dúvida da real intenção dos bancos? Então, aprenda uma Matemática muito simples: faça um título de capitalização de R$ 100 em qualquer banco e depois deixe uma dívida de R$ 10 no limite em outro banco. Conte até três anos e descubra quem ganhará mais...

No Brasil, se fala Português. Nos EUA, o Inglês. No Japão, o japonês. Mas os bancos de qualquer lugar tem uma só linguagem: a financeira. E eles adoram conjugar o verbo "dever": eu devo, tu deves, nós devemos...

E os bancos? Lucram, claro...

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