terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Consumo de carne estimula a violência?


Até os 20 anos, eu não comia carne vermelha. Quando digo que não comia quero dizer que não comia mesmo e não era por vegetarianismo adquirido e, sim, de nascença. Por incrível que possa parecer, simplesmente não conseguia manter um pedaço qualquer de carne na boca. Me dava ânsia de vômito. Era algo muito muito natural. Sentia um nojo que eu não sabia explicar. Quando criança, era um saco ir almoçar na casa dos parentes. Na mesa, na hora de servir, lá vinha alguém me oferecer carne e, diante de minha natural recusa, tornava-me o centro das discussões. "Mas como, não come carne. Que tipo de gaúcho tu és". Era um s-a-c-o. Tanto que odiava ir almoçar na casa dos parentes que me consideravam o "cheio de parte", como dizia uma amiga de minha mãe. Eu não era cheio de parte. Comia qualquer coisa, menos carne. Até evitava atender aos convites amáveis de amigos meus para ir almoçar aos domingos, pois sabia que, inevitavelmente haveria churrasco e eu já estava traumatizado de tanto negar carne.

Motivos para isso? Não sei. Só sei que foi assim. Logo que comecei a trabalhar no Expresso Ilustrado, aos 19 anos, eis que um dia acompanhei o João numa coletiva lá no aeroclube onde estaria um figurão. E é claro que, para meu azar, tinha churrasco por lá. Nem adiantou inventar a desculpa de que eu já havia jantado. O pessoal insistia para que eu pegasse um prato para me servir. E acabei botando só pão no meu prato, pois a outra opção era carne. Logo, algum gaiato já tratou de saber se eu era vegetariano. Fiz que sim com a cabeça e, exatamente como acontecia quando eu era criança, me tornei o centro das atenções (e das gozações...)

Pois bem. Eis que, aos vinte anos, estava com minha namorada da época participando de um jantar lá na Casa da Amizade (lembro a hora, o local e a razão, veja só...) e no cardápio o inefável churrasco. Eis que para não fazer desfeita e não virar motivos de piada, acabei pegando carne para comer. Com certa estranheza via aquele feixe de nervos se romper diante da ação conjunta do garfo e da faca. Levei até a boca e comi a carne. Ao contrário de quando era criança, não me veio aquela ânsia de vómito terrível. Apenas uma estranheza ao experimentar algo que nunca havia provado (porque não queria...). Pois bem, cometi o pecado da carne pela vez primeira. E, depois disso, outras tantas vezes. Descobri que estava "curado" de meu vegetarianismo de nascença e, afinal, poderia participar dos churrascos com os amigos, sem fazer cara de nojo.

Pois bem. Devo dizer que, apesar de poder comer carne hoje em dia, daria tudo para voltar à época em que ela era algo totalmente rejeitado pelo meu organismo. Eis que acredito que a carne é bastante prejudicial aos seres humanos. Não apenas porque a produção de bovinos tornou-se um dos maiores problemas mundiais na questão da poluição e desmatamento, mas por outros fatores de saúde e ainda comportamentais.

Quando se leva um pedaço de carne à boca, estamos absorvendo uma série de toxinas terríveis (além de resíduos de pesticidas e vários outros elementos químicos), as quais no decorrer dos anos, tornam-se responsáveis por inúmeras doenças que desenvolvemos. Além de quê, lembre-se, consumir carne é degustar o cadáver de um animal morto e que está em decomposição. Quando ingerimos qualquer pedaço de carne, é preciso levar em conta que ela vai demorar um bom tempo para ser digerido dentro de nosso organismo e, durante o período que for, a carne segue em seu processo de deterioração.

Mas, afinal, meu propósito nessa postagem não é o de levantar bandeiras pelo vegetarianismo, como faz a organização Peta. Apenas fazer uma constatação: antes de começar a ingerir carne (coisa que não faço com muita frequência, de qualquer forma), eu era extremamente pacífico, sempre em paz, sempre mais leve. Após, me tornei mais afeito às pequenas irritações, estresses etc. Portanto, talvez seja devido a grande quantidade de zinco, ferro e certas proteínas, mas creio que as proteínas contidas na carne são estimuladoras de um comportamento mais agressivo no ser humano. Ou, sentenciando: creio que as proteínas contidas na carne ajudam a despertar um comportamento mais violento no ser humano, ao passo que pessoas vegetarianas ou que consomem pouca carne são mais calmas. Minhas declarações não estão sustentadas em qualquer embasamento científico, é coisa da minha cabeça apenas. Mas, sim, estou convicto disso.

Talvez seja loucura da minha parte, mas é uma reflexão que me cabe como um ex-vegetariano que cometeu o pecado da carne e procura se regenerar disso.


A foto acima é só para ilustrar essa postagem. E se nós fôssemos alimento para outros seres?

5 comentários:

Anônimo disse...

Oi... identifiquei demais com sua história de vida, mto parecida com a minha, e o que diz com relação a parte comportamental, tbem observo em mim, a mudança é mto brusca, e em razão de tudo que já se passou em minha vida, decidi, definivamente, assumir quem sou, uma vegetariana nata. Sinto-me melhor, realizada, em paz com o mundo e comigo mesma. Eu me libertei. Amei seu texto... espero que se liberte tbm. Fique na paz.

Holísticas disse...

Agradeço ao amigo por compartilhar sua história conosco, sugerindo a leitura de dois livretos:

O que há de errado em comer carne?
http://www.reikibr.org/documentos/O_que_ha_de_errado_em_comer_carne__Barbara%20Parham.pdf

E Era uma vez um espírita (que pode elucidar a questão da agressividade):

www.reikibr.org/documentos/Era_uma_vez_um_espirita.pdf

Um abraço, Luz, Paz e Dicernimento a todos os que lerem essa mensagem.

Plínio Ganzer Moreira.

Holísticas disse...

Olá,

agradeço ao amigo pelo relato da sua história!

Sugiro a leitura de dois livretos:

O que há de errado em comer carne:
http://www.reikibr.org/documentos/O_que_ha_de_errado_em_comer_carne__Barbara%20Parham.pdf

E outro, que pode te elucidar quanto a questão da agressividade:
http://www.reikibr.org/documentos/Era_uma_vez_um_espirita.pdf

Gostaria de ter sido como vocês, cuspindo a carne, quando me foi oferecida. Mas agora jamais voltarei a consumir coisas desse tipo.

Luz, Paz e Dicernimento a todos vocês!

Plínio Ganzer Moreira.

Anônimo disse...

Eu estava aqui na net procurando algum artigo que me ajudasse a comer carne..rsss... pois desde que eu vi matarem um porco na minha frente aos 4 anos de idade, eu sinto ansia de vomito só de olhar pra carne, acho que é uma espécie de trauma e eu tbm não aguento mais ser o "centro das atenções" em todos os almoços e jantares, tenho 29 anos e já tentei de tudo pra voltar a comer carne, pra tentar ser "normal", pois dizem que não comer carne faz mal pra saúde e eu não tenho tempo de preparar aquelas receitas vegan... como em restaurantes e vivo só de massa, pão, legumes, vegetais e frutas... sempre tive medo de que isso um dia pudesse me fazer mal, a falta de algo que eu descobrisse só na velhice..sei lah.. Mas lendo seu artigo vou desistir de tentar comer carne e continuar assim mesmo.

Anônimo disse...

Bem interessante sua história, e principalmente, suas conclusões. Eu creio que faz muito sentido o consumo de carne estimular a violência, e acho q isso não seria explicável apenas por uma questão química do alimento e do organismo, mas quem sabe há muitos mais fatores, inclusive de ordem espiritual (sou espírita), mas não convém discursar isso aqui.
Eu como carne normalmente, embora percebo q em quantidade bem menor q todos na minha família e círculo de amizades. Gostaria muito de abandonar esse hábito, mas nunca consegui. Às vezes tenho nojo de carne mas ao mesmo tempo, sinto necessidade na minha alimentação.
Seria muito interessante se houvessem pesquisas científicas que tentassem comprovar o q vc já comprovou na prática, e talvez até já existam essas pesquisas. Difícil é o mercado econômico permitir que essas questões venham à tona. Mas eu amaria que nossa sociedade evoluísse a ponto de poupar nossos amigos animais!
Muito boa sua ilustração do artigo!