quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Visitante emocionada


Na semana passada, aconteceu em Santiago o I Fórum Latino Americano de Literatura, promovido pela Casa do Poeta. Participaram escritores da Argentina. Paraguai e de várias cidades do Rio Grande do Sul e Brasil. Os escritores santiaguenses que deixaram de ir perderam um grandioso evento. Confira, a seguir, um depoimento emocionado da escritora Marilene Teubner, que veio de Urânia, interior de São Paulo, especialmente para o evento em Santiago. Suas palavras:


"Santiago terra dos poetas
Recebi o convite da Casa do Poeta de Santiago no dia 05 de janeiro de 2010. A primeira reação ao ler o convite foi... Não poderei ir. Menos de 15 dias para levantar verbas e providenciar passagem para um lugar tão distante de minha realidade.

Dias depois e aquele convite permanecia vivo em minha mente.

E eu pensava porque Santiago, porque quero ir para lá?

Num impulso, faltando apenas uma semana, decidi que eu deveria ir e enfrentar todos os obstáculos. Pedi apoio à prefeitura e arrecadei com meus irmãos e através de rifas o suficiente para completar o dinheiro das passagens.
Eu tinha que ir, estava decidido.

Depois de alguns imprevistos e mais de 20 horas de viagem chego a Santiago cansada e intrigada com minha decisão.

Primeiro dia de fórum, nada mais inspirador do começar alimentando a alma com o som de violinos e conhecer o jornal Letras Santiaguenses que a 14 anos circula levando aos leitores páginas e mais páginas de poesias. Giovani Pasini, presidente da casa do Poeta dá inicio às atividades da noite e apresenta sua nova diretoria, jovens compromissados com a literatura, visivelmente exposta na interpretação emocionante de Márcio Brasil no texto “ Raiz do Pampa” de Caio Fernando Abreu. Deixando bem claro que é necessário buscar nas próprias raízes a energia para superar limitações.

Naquele momento, entendi o porquê eu esta em Santiago.

Fernanda Ramos, uma linda gauchinha, entra com tarjes típicos mostrando seu talento e amor por sua terra em uma dança regional.

Giovani e pura emoção e segue com sua proposta do intercâmbio cultural. A noite e encerrada com a conferência do poeta argentino Esteban Adab.


Segundo dia de fórum:
Eduardo Galeano fala em nome da (CILAM) Centro de Integração Latino-Americana agradecendo a presença de todos e acentuando a importância cultural do I fórum Latino-Americano de Literatura.

A mulher poeta em evidencia
A psicóloga Nilza Terezinha Capiem de Figueiredo leva ao fórum um tema emocionante através do livro Cooperativas Sociais Alternativas para Inserção

Sua luta é pela inclusão. Mostrando capacidade e limitações dando oportunidades através da cooperativa.

A menina Ellen Barbosa Ramos mostra que não há idade para ser poeta..ela iniciou seus primeiros versos aos 8 anos e aos 14 lança seu primeiro livro “Pra não te esquecer, meu Rio Grande.

Inspirada na guerra dos farrapos descreve em versos a batalha dos heróis de sua terra.

Brigido Bogado, escritor paraguaio. com sua voz calma inicia sua palestra em guarani homenageando assim seus antepassados.

Não há um som a mais em todo o auditório. apenas ele com seu olhar meigo, verdadeiro de uma transparência envolvente transmitindo a importância da alma.

Sua mensagem final e para que as pessoas aprendam como seu povo a descobrir a simplicidade do viver que envolve “amor, alma e coração” equilibrando e dando harmonia a natureza.

Uma pausa, e todos saem do auditório querendo uma cópia do depoimento de Bogado. As atividades da tarde é aberta por apresentação musical atual de MPB

Em seguida Sr Joaquim Moncks, coordenador Executivo da POEBRAS, fala do povo gaúcho, suas lutas e tradições, de sua paixão pela poesia,suas andanças lembrando aos colegas escritores da importância de se ler sempre mais e mais. E deixa claro que todos os poetas são condenados a pensar e que o poeta nasce poeta e o escriba se faz.


O Sr Miguel Angel Ferreira, argentino, apresenta seu livro e diz que “Não se deve escrever por escrever, a poesia tem seu papel social.”


Aledir Bristot professora, escritora e presidente da casa do Poeta de Passo de Torres abre sua palestra ao lado de seu marido, Valter Roxo cantando a musica que fez para homenagear a cidade de Santiago levando o publico ao delírio.

Em seguida fala do papel da mulher das limitações da diferença entre o homem e mulher.

Fala que é necessário se assumir e não ter vergonha de falar sozinha anotando o que vem a mente...é assim que nasce a criação poética.


Novamente a mulher poeta é representada e desta vez apresentada pelo vereador de Virasoro, Argentina. Geraldo nos fala que não é o rio que nos separa e sim a ponte que nos uni. Deixando a palavra com Celinas Perez e Maria Del Carmen que falam do grupo de 14 mulheres unidas pela arte da escrita que se encontram uma vez por semana para realizar atividades culturais. Mostrando a garra e determinação da mulher argentina
Aledir Bristot novamente é convidada a se apresentar e com uma canção italiana leva Giovani Pazini às lágrimas e junto com ele todos os presentes.

Giovani ainda emocionado agradece e explica o motivo das lágrimas...era a musica que seu pai “falecido há poucos meses” mais gostava de cantar.

Ao som das palmas e comoção geral Giovani se retira por alguns momentos voltando em seguida para encerar o segundo dia do fórum convidando os participantes para um jantar de confraternização.

Antes do jantar um passeio cultural e desta vez conheço a rua dos poetas, prefeitura, centro, museu e viajo na historia de Santiago na voz de Rodrigo Neres, e nem percebo o avançado da hora.


No hotel apresso o passo num banho rápido, arrumo a mala, deixo tudo pronto pois sei que não tarda a hora de partir.
Entre tantos novos amigos me sinto enriquecida. Observo um a um procurando gravar em minha mente seus sorrisos.
Com o coração apertado não pude deixar de me emocionar com os versos do Sr Joaquim Moncks, e o carinho e todos os presentes.


E chegada há hora, e deixo Santiago lamentando não ficar para o enceramento do fórum. Em Porto Alegre sou recebida por Andréa, Cecília e malhada e fecho minha visita ao Rio Grande do Sul com a hospitalidade e energia do povo gaúcho.


Da raiz de Santiago trago para Urânia exemplos de como se iniciar uma Casa de Cultura.E necessário amor pelas tradições, vontade de conservar a historia, determinação de toda uma equipe, cooperação da população não temendo as pedras do caminho. Sou uma sonhadora que veio de fora, mas que acredita que a Casa de Cultura de Urânia será possível.



Marilene
28/01/2010"

2 comentários:

Giovani Pasini disse...

Caro amigo Márcio,
Novamente as lágrimas insistiram em brotar.

A fantástica narração da Marilene fez com que eu lembrasse de todos os brilhantes momentos do fórum. Casa instante, todos os segundos...

O evento ficou em nossas mentes, mas, principalmente, em nossos corações.

A sensação de que conhecimentos "brotavam" junto com a emoção é algo que não conseguimos descrever.

Só posso dizer, obrigado Marilene e obrigado Deus...

Weimar Donini disse...

Márcio, também me emocionei com o sincero depoimento desta participante que viajou de tão longe e com tantas dificuldades. É por estas e outras que acredito: algo de muito importante está acontecendo agora, neste momento em nossa Santiago. E é fruto de alguns abnegados. Parabéns a voces que se integram "de corpo e alma".