quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um Olhar do Paraíso

Peter Jackson não precisa provar nada mais para ninguém. Afinal, se um dia ele dirigiu trashs como Fome Animal, o tempo se encarregou de colocá-lo à frente de um dos projetos cinematográficos mais revolucionários do cinema, a trilogia O Senhor dos Anéis, pela qual o arrecadou quase 3 bilhões no cinema e ganhou dezenas de prêmios, entre eles 17 oscars (incluindo de Melhor Filme e Diretor). Ou seja, ele realmente não precisa provar nada para ninguém. Tanto que os estúdios abraçaram de corpo e alma seu projeto seguinte, uma refilmagem de King Kong, que estreou em 2005 e que, além de faturar alto, também rendeu muitos elogios técnicos e artísticos a Jackson.


E eis que chegamos a Um Olhar do Paraíso (no original The Lovely Bones, algo como Os Adoráveis Ossos). O filme se passa na década de 70 e conta a história da adolescente Susie Salmon, vivida pela jovem (e linda) atriz Saoirse Ronan. Aos 14 anos, ela é uma garota romântica que sonha em beijar o rapaz por quem é apaixonada no colégio. Ela é filha do casal Jack e Abigail, vivido por Rachel Weisz e Mark Walberg.

Certo dia, ao sair da escola ela é abordada pelo vizinho George, interpretado por Stanley Tucci. Ele a convence a ir até um local que ele diz ter construido para as crianças brincarem. E precisava da opinião de alguém jovem para saber se iria agradar. Por ser tão amável e educada e também por conhecer o vizinho, Susie acaba indo. E isso se torna a última coisa que ela faz na vida.

O vizinho, George, prende Susie no local (espécie de cabana subterrânea), estupra, mata e esconde seus restos mortais dentro de um cofre no porão de casa. E é a partir daí que começa a premissa do filme, que se baseia num livro. O espírito da jovem assassinada começa a acompanhar tudo o que se passa com sua família e com seu assassino, tentando fazer com que descubram o que aconteceu com ela. Seu espírito não aceita entrar no paraíso antes que a justiça seja feita e, assim, ela fica vagando por uma espécie de limbo.


O assassino de Susie é um homem acima de qualquer suspeita. É um bom vizinho, educado, cidadão pacato e que tem o hobby de construir casinhas de boneca. Sua amabilidade social faz com que a polícia o desconsidere como suspeito durante as investigações. E isso vai deixando o espírito de Susie cada vez mais obsessivo. Tão obsessivo quanto seu pai, interpretado por Mark Walberg, que se dedica a procurar pistas que o levem a descobrir onde está o corpo de Susie e quem é o seu assassino.

O filme tem um visual fantástico, lírico e que lembra Almas Gêmeas em certas cenas (que também foi dirigido por Peter Jackson). É lindo de ver a concepção do paraíso de Susie, que acaba encontrando outras garotas que, como ela, também perderam a vida de forma violenta. Os momentos dramáticos são alternados com cenas de uma composição artística impressionante.

Só que, por mais que a trama tente emocionar, o espectador nunca se sente emocionado. É mais fácil, por exemplo, ficarmos revoltados com a impunidade com que vive o assassino de Susie do que chorar com a dor de seu pai.

Claro, há um culpado por isso: Mark Walberg. A cada cena dramática encenada por ele, eu ficava me perguntando o porquê de Peter Jackson ter escalado esse péssimo ator para interpretar um papel tão crucial. Se o personagem estivesse nas mãos de um ator mais intenso como Viggo Mortensen, aí seria outra história (bem feito pro PJ, que não costuma repetir elenco).

Há também a atriz Rachel Weisz, pouco aproveitada. Há Susan Sarandon que está muito bem numa participação cômica como avó das crianças (para quebrar um pouco o clima lírico-pesado). Mas eu diria que Um Olhar do Paraíso é muito filme pra pouca história. Tem mais de 2 horas e vinte cinco minutos. Se tivesse meia hora a menos, teria sido perfeito.

Mas, não. Peter Jackson fica mostrando as (belíssimas) cenas de Susie no paraíso e Mark Walberg se esforçando para convencer. Não dá para se identificar com uma garota morta que observa os vivos lá do paraíso. Não dá para se emocionar com um ator ruim. Se, ao invés disso, o diretor tivesse privilegiado a trama sob a ótica e as motivações do assassino, interpretado com brilhantismo por Stanley Tucci, aí sim, teríamos um filme surpreendente.

Um Olhar do Paraíso dificilmente será um sucesso, ganhará algum prêmio (exceto por Tucci, excelente) e nem mesmo ficará por muito na memória dos espectadores. Mas para Peter Jackson isso não será um problema, afinal, ele não precisa provar nada para ninguém.



Saldo positivo: os atores Stanley Tucci, Saoirse Ronan, Susan Sarandon e as cenas no paraíso.
Salgo negativo: Mark Walberg, Mark Walberg, Mark Walberg e a duração excessiva do filme.


Veja o trailer:

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