quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sherlock Holmes

Madonna dá azar. Foi o que concluí depois de ter assistido Sherlock Holmes. Explica-se: acontece que o diretor Guy Ritchie foi anunciado como um talento muito promissor depois dos filmes Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch-Porcos e Diamantes, onde apresentou um estilo refinado, interligando vários personagens em tramas cheias de reviravoltas cronológicas e montagem acelerada. Depois disso, ele casou com Madonna e sua carreira degringolou (leia-se Destino Insólito, estrelado por sua então esposa e depois o mediano Revólver)

Mas se houve um recomeço para Sean Penn (ex-marido da cantora), que depois se consagrou no cinema, o destino também fez o mesmo com Guy Ritchie. Depois de se separar da cantora, que nunca foi levada à sério no cinema, o diretor reencontrou seu caminho. Primeiro, com o movimentado Rocknrolla e agora com Sherlock Holmes.


O filme traz de volta o famoso personagem criado por Arthur Conan Doyle, buscando ser fiel às aventuras literárias do detetivo inglês. A história acompanha Holmes e Watson num caso envolvendo o temível Lorde Blackwood, vilão que lida com magia negra, espalhando o medo por uma Londres na era vitoriana, numa reconstituição de época que simplesmente nos transporta para aquela época. Watson e Holmes precisam descobrir o que está por trás de uma série de assassinatos ligados a estranhos rituais, ao mesmo tempo em que descobrem que o vilão que prenderam (e que é mandado para a forca), voltou do mundo dos mortos (ou nem foi) e é responsável por vários outros crimes.

Em primeiro lugar, devo dizer que, como espectador, fiquei muito empolgado com o filme. Portanto, não farei aqui uma análise mais crítica. É uma afirmação de fã: achei o filme simplesmente perfeito.

Robert Downey Jr. é Sherlock Holmes. E se existia alguém que fosse contra um americano interpretar um personagem inglês, esqueça. Downey Jr renasceu (em todos os sentidos): neste filme ele se tornou um ator inglês, com sotaque e fleuma, não devendo nada ao colega Jude Law, que é inglês, e interpreta o dr. John Watson, assistente e amigo do detetive. Aliás, não é nada elementar constatar que Watson é tão protagonista do filme quando Holmes. E a interação entre os dois atores é muito dinâmica.

Não foi à toa que Robert Downey Jr. conquistou o Globo de Ouro de Melhor Ator. Ele realmente está incrível no filme, com uma interpretação minimalista. Ele interpreta não apenas com palavras, mas com olhares, trejeitos, tiques e gestos mínimos. Seu personagem é um homem inteligentíssimo, observador e capaz de fazer brilhantes deduções. Sua mente não para nunca e Holmes está sempre inventando ou estudando algo. Ou, até mesmo, se autodestruindo em lutas de boxe ou semanas a fio sem sair do quarto, pouco se alimentando.

A trama é envolvente. Me vi torcendo pelos personagens e temendo seus destinos. Sinceramente: me empolguei mais com Sherlock Holmes do que com Avatar, por exemplo. Do início ao fim, prendeu minha atenção. E se o filme trouxe de volta um dos personagens mais retratados no cinema (mas que estava esquecido), também nos brinda com uma brilhante interpretação de um astro redescoberto (Downey Jr) e também com o trabalho de um diretor que faz as pazes com o sucesso, comprovando que o brilhantismo demonstrado em seus primeiros filmes não foi uma questão de sorte. O problema mesmo era que a Madonna dava azar.


Veja o trailer:

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