quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sensação de Déjà vu?

"Amor, por favor,
Não desligue o telefone
Eu sou sua mulher
E você é o meu homem"

ou então

"O que pensa que eu sou?
Se não sou o que pensou
Me libera
Não insista
Vai viver um novo amor"

Se você habita o mesmo país que eu, já deve ter sido torturado pelo refrão dessas duas músicas. Sim, são duas músicas, apesar do ritmo delas nos fazer crer que se trate da mesma. Aliás, isso ocorre com o resto do repertório dessa banda que, não é toa, se chama Dejavú.

E como eles mesmo anunciam no começo de cada canção: "banda Dejavú, a batida envolvente". Não importa dizer o nome de uma ou outra música. As duas não prestam na mesma intensidade. E, adivinhe, todas as outras também.

Não, não me submeti a um estudo mais profunda da "obra" em questão. Minha análise é por amostragem, mesmo. Essas duas canções, tocadas à exaustão por aí, já são mais do que o suficiente para grudar como se fosse uma xamixunga de açude.

Quem não tem um vizinho xarope e de mau gosto que "lacra" o som para ouvir essas tosqueiras? Ou quem ainda não teve o desprazer de verificar que essas músicas são as mais tocadas por algumas rádios e especialmente pela turma que adora fazer do carro uma boate ambulante? Falando nisso, é curioso de ver: quanto mais alto os vizinhos ou motoristas ouvem música, menor é o seu nível intelectual e sua capacidade de ouvir boa música.

Se isso ainda não aconteceu com você, não se preocupe. Mais cedo ou tarde, a Dejavú vai entrar na sua vida sem pedir desculpa. Talvez assistindo o Faustão, o Gugu, o Raul Gil ou algum desses apresentadores àvidos por presentear os telespectadores com o que eles gostam de assistir. Ou seja: qualquer coisa que não preste.

Durante muitos anos, a música brasileira foi uma referência para o resto do mundo justamente por apresentar poesia, beleza, sentimento ou propagar ideias ou ideais. Mas a música verdadeira morreu. Morreu com a Elis, com o Renato Russo, com o Cazuza. E segue morrendo ao passo que os bons cantores de outrora e de agora ou vivem esquecidos ou entram na onda da letra idiota e do refrão grudento para não serem engolidos pelas celebridades da semana.

Lembro de um amigo que gostava de Calypso. Certa vez, ele chegou em minha casa, enquanto eu estava ouvindo um CD de música clássica (não estou fazendo gênero. É que, quando estou escrevendo prefiro ouvir música instrumental para não me dispersar). Baixei o som e segui conversando com meu amigo. Lá pelas tantas ele reclama e pede para eu desligar ou trocar de música, justificando:

- Essas coisas clássicas me dão dor-de-cabeça.

Na hora respondi:

- Te dão dor de cabeça porque tu não está acostumado a ouvir música de verdade.


Por sua conta e risco:




2 comentários:

Danusa Almeida disse...

Oh, Márcio...tb não gosto das letras dessas músicas, mas adoro dançar, então o ritmo é gostoso. E, de brincadeira, até a postei na minha página de orkut e, ainda, enviei pra algumas amigas...brincando e desejando um dia de alegria. Então...há espaço para tudo, se a gente for um pouco tolerante...rs Também gosto de músicas clássicas.Abraço.

Clermont Gosling disse...

Realmente, meu caro, estamos sendo "entupidos" de drogas. Parabéns pelo texto.