segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

(500) Dias Com Ela


Faz vários dias que não comento sobre filmes. Pretendia escrever sobre "Um Olhar do Paraíso", que assisti nesse final de semana, mas ainda estou refletindo sobre o filme. Então, esse ficará para outro post. Vou então falar sobre 500 Dias com Ela, que está concorrendo ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Comédia, e sobre o qual eu ainda não tinha comentado.

Dá para resumir o filme num torpedo de celular: "Rapaz se apaixona por garota, mas ela não. E eles não ficam juntos no final". Pronto. É essa a síntese de 500 Dias com Ela. Não ficou a fim de assistir? Azar o seu: vai perder uma história que, ora enternece, ora faz rir, ora emociona, ora te deixa com um nó na garganta. Logo que o filme começa a gente descobre que o rapaz em questão, Tom (Joseph Gordon-Levitt) foi deixado por sua namorada, Summer (Zooey Deschanel). E, logo, o romance começa a ser contado sem uma ordem cronológica pulando os dias aleatóriamente. Num instante, testemunhamos o início do relacionamento entre os dois, onde tudo é muito romântico. Noutro, vemos os momentos de tristeza, do fim de tudo, para logo em seguida, voltar aos "dias de verão".

Tom é um rapaz romântico e vive na expectativa de ter o seu amor correspondido. Só que Summer, diferente dele, não acredita no amor, considerando isso uma fantasia tola. Além disso, ela também descarta prender-se a alguém, por mais que possa gostar. Determinada cena resume bem isso: a moça ama seu cabelo comprido, mas não hesita em cortá-lo. Ou seja, por mais que ela goste de algo, não se prende a nada.

Por isso, jamais aceita considerar Tom como seu namorado. Ela apenas está ficando com ele e pronto. Nada mais que isso. Em certo momento, ela o chama de "melhor amigo", arrasando com os sentimentos de Tom que, a essa altura, já está mais do que entregue ao amor (e seus tantos planos de futuro). Aos poucos convencendo-se da dureza de tudo, vai perdendo o romantismo e deixando de ver beleza para ver farsa em tudo que nos emociona: na poesia, na relação entre casais, amigos e até na música.

Ele observa, inclusive, que a música romântica é responsável por destruir a vida de muitas pessoas, justamente por afastá-las da dura realidade. (Aliás, falando em música, a trilha sonora do filme é uma delícia. E a canção "Us", da Regina Spektor grudou na minha cabeça por dias).

Quem já esteve apaixonado nem que seja uma única vez, há de se identificar com as situações apresentadas. Seja nos momentos felizes ou nos tristes, pois é uma história simples, mas bonita de ser contada. Em certo momento, Tom se dirige para a casa de Summer, depois de meses sem vê-la, tendo sido convidado para uma festa. Neste momento, a câmera se divide em dois momentos: realidade e expectativa. Num quadro, o que Tom idealizava que aconteceria, com sua versão romântica. No outro, a realidade...

Por fim, (500 Dias) Com Ela vai nos deixando um recado, que assimilamos através de Summer, de que o amor é muito mais uma ilusão que abraçamos do que a realidade que vivenciamos. E vamos nos convencendo disso testemunhando o duro aprendizado de Tom. E é justamente quando ele começa a ver o mundo com outros olhos (ou sob a ótica de Summer) é que a realidade se coloca à sua frente da forma mais romântica possível. Ou seja: como algo que esteve diante dos seus olhos e que ele não foi capaz de perceber. Assim seria o amor?


PS: É redundante alertar isso para quem conhece (e me perdoe pelo comentário), mas antes de assistir ao filme, saiba como se escreve o nome das quatro estações do ano em Inglês. Senão, vai acabar perdendo um significado importante e filosófico da história, o qual não merece passar despercebido...


Trailer de (500) Dias Com ela

Nenhum comentário: