sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sexta-feira

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E chegou a sexta-feira, depois de uma semana de muito trabalho. Hoje pela tarde vou ficar só lidando na elaboração do protocolo da festa "Os Melhores do Ano", que vai acontecer no sábado, dia 26 de setembro. Amanhã, aniversário do Jones, filho do Chico e da Luana. Hmmm. Vou deixar essa postagem pela metade e vou sair com o Sidi, que vai comprar o almoço dele lá no restaurante do Corcini. E eu vou descer junto para a gente ir conversando.
Mais tarde, atualizo o blog com alguma besteira.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Meio isso, muito aquilo

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Você conhece alguma pessoa que seja meio chata ou muito egoísta? Ou alguma que seja muito legal e outra que seja meio fechada? Há também aquele sujeito que é meio cheio ou aquela mulher que é muito esnobe. Há o meio preguiçoso, meio gay, meio negro, meio retardado. Há também a muito burra, muito interesseira, muito fútil. A pessoa é meio isso ou muito aquilo, dependendo de várias variantes. São definições fáceis de se ouvir e de se dizer a respeito de outros. Mas quem realmente consegue ser metade ou muito alguma coisa? Será que aquela pessoa a quem designamos tal ou qual característica realmente é merecedora de uma etiqueta de “meio isso” ou “muito aquilo”?

Supondo que, sim, estamos certos em nossa definição de características em relação ao outro, então, isso significa que é possível resumir a existência daquele ser em duas palavras. Sendo assim, o conhecimento popular consegue desvendar um dos maiores mistérios da Ciência a respeito da consciência humana: o outro é meio isso ou muito aquilo e, não, uma amálgama de sentimentos e emoções (e desta forma, o ser humano deixaria de ser o conjunto de suas emoções e o resultado de suas ações). O fato é que, em tempos modernos, e quanto mais a humanidade avança em seus níveis de tecnologia, segue mantendo seus pré-conceitos a respeito disso e daquilo a tudo ou todos quanto lhes convencione julgar ou determinar. Seria possível livrar-se (e livrar o outro) de (des) considerações de toda ordem? Ou tais observações seriam intrínsecas de nossa programação mental, enquanto máquinas humanas, resultado das transformações do ambiente e das relações que temos uns com os outros? É, eu sei. Refletir sobre isso é meio chato...

A melhor pizza de Santiago

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Nesses dias de chuva e frio, não tem coisa melhor do que saborear uma pizza com Coca-Cola no conforto de casa, seja com a família, seja entre amigos. Dia desses, a Tainã e eu estávamos lá em casa assistindo a uma maratona de episódios da série Gilmore Girls e liguei 3251-9000 e pedi uma daquelas pizzas gigantes preparadas no capricho pela gurizada buena da Comilona Pizzas. E bota gigante nisso. É a melhor pedida para os dias de semana e também para os findis. Já experimentei pizza de diversos lugares em Santiago e, para mim, não há melhor do que a pizza da Comilona, que faço questão de propagandear e recomendar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Orgulho demais

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E o Rio Grande do Sul vive a sua Semana Farroupilha. E os peões e as prendas lotam os CTG's pilchados como se convencionou há muito tempo. E neste período é muito comum de se ver alguém dizer que tem orgulho de ser gaúcho. É normal isso acontecer. Assim como é normal alguém dizer que tem orgulho de ser brasileiro. Ou de ser gremista, ou colorado, ou corintiano. Há quem tenha orgulho de comprar um carro novo. Quem tem orgulho de ser bonito ou elegante, ou inteligente. Ou quem tenha orgulho de ser dono de muitas propriedades. Ou orgulho de seu talento. Ou orgulho de seu esforço. Ou orgulho de seu carisma. Ou orgulho de ter um poodle. Há também quem declare solenemente que tem orgulho em ser humilde. Ou orgulho de ser orgulhoso.

A gente tem orgulho demais. E humildade de menos...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre o Expresso. Sobre o Carnaval dos gaúchos. Sobre o blog. E sobre minha preguiça

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Ah, essa semana me bateu um orgulhozão de trabalhar no jornal Expresso Ilustrado. É que estive dando umas olhadas na minha carteira de trabalho e me dei conta: fazem 10 anos que estou trabalhando no jornal. E como todo mundo costuma dizer, parece que foi ontem. O jornal Expresso era a empresa onde eu queria muito trabalhar e lá estou até hoje. Foi a única empresa que carimbou a minha carteira de trabalho e onde permaneço. Claro, tive um período afastado, pois honrosamente trabalhei também na Câmara de Vereadores como chefe de gabinete, onde fiz muitas amizades. Mas sempre me mantive vinculado ao jornal. Outro dia, lendo uma entrevista do Elton Doeler, sobre a Felice, li que ele dizia que numa pesquisa interna, os seus funcionários não deixariam a Felice por outro emprego por até 20% a mais em seus salários. E fiquei pensando: não deixo o Expresso nem pelo dobro do que eu recebo. Porque o prazer de trabalhar numa firma como a que eu trabalho, não há proposta que cubra. É onde tenho grandes amigos e foi através do jornal que cresci como profissional e ser humano. São coisas que não tem preço. Amo o Expresso, sem dúvida e é bonito de ver o jornal evoluir e se tornar referência para muitos outros Rio Grande do Sul, afora. Nos congressos da Associação dos Jornais do Interior (Adjori) um exemplar do Expresso é disputado a tapas e tiros.
No decorrer desses 10 anos, tive proposta de ir trabalhar aqui ou ali, algumas me balançaram outras eram bucha mesmo, mas sempre me mantive no Expresso e o Expresso sempre me manteve. Acho que é uma simbiose, mesmo.
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E estamos aí no mês de setembro, que mal iniciou há poucos dias e já está na metade. É que é nesse período que acontece o Carnaval dos Gaúchos, que se dá através dessa coisa aí de Semana Farroupilha. Eu, como sou uma metamorfose ambulante, não dou a mínima para esses gauchismos aí. Sou gaúcho porque nasci no Sul, gosto de algumas tradições de pai para filho, acho bonito muita coisa da cultura gaúcha até porque sou admirador da cultura humana em geral. Mas não sou 8 e nem 80, estou aí pelos 45. Por isso, nem abomino muito, nem dou bola para tanto. Sou indiferente mesmo. Tô nem aí. Jamais me fantasiei de gaúcho, não sei cevar mate e muito menos fazer churrasco (até porque não sou muito chegado em carne). Comparado aos gaúchos de ocasião, sou de araque.
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Tenho andado meio afastado do blog, sem muito tempo para atualizar ou até mesmo ânimo para fazer isso. Nas últimas semanas nem tenho tido oportunidade de assistir filmes, o que é algo que sempre foi marcante em minha vida. De qualquer forma, nem por isso tenho deixado de viver. E, sim, estou vivenciando uma nova fase em minha vida, redescobrindo algumas coisas e aprendendo sempre. E sempre. Afinal, penso que a vida seja justamente uma faculdade, um laboratório onde estamos aí a experimentar nossas razões e emoções para tentar equilibrar tudo o que se processa para, ao final, ver o que acontece.
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Outro dia, um amigo que não mora mais em Santiago comentou que acessa o meu blog para ver o que está acontecendo em Santiago. E reclamou que eu quase não publico o que se passa na cidade, mesmo assim, ele gostava de ler o que eu escrevia. Bom, amigão, meu blog passou dessa fase. Não gosto mais de ficar falando o que está acontecendo por aí, relatando acontecimentos alheios ou tampouco transcrevendo postagens daqui e dali. Gosto de escrever o que penso e sinto. E isso quando estou com saco para fazer isso. Aqui no meu blog, sou o senhor do universo. Eu que mando, eu que sei.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A lei de Lavoisier

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No colégio, nunca me dei bem com Matemática, Química ou qualquer outra matéria que envolvesse cálculos. No entanto, foi justamente numa aula de Química que aprendi uma lição inesquecível. Foi quando a querida professora Elizete Fontana ensinou sobre a Lei de Lavoisier. Segundo ela, nas reações químicas, a soma das massas dos elementos é igual à soma total das massas das substâncias produzidas por uma reação. Ou seja, a massa total permanece constante. Diante disso, Lavoisier ensinou que "na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma." Dita na época, essa frase ficou gravada na minha memória e percebi que ela se aplica não somendo à Química, mas também a tudo o mais na vida. (Para ver como eu não prestava mesmo atenção na aula)

No universo dos sentimentos, por exemplo, nada se perde e tudo se transforma. Toda vez que a gente sofre por alguma coisa, mais tarde essa dor se transforma em compreensão. Por mais que a gente não se dê conta disso ou até nem queira admitir isso. A dor, assim como a alegria, tem um propósito de ensinar. São sentimentos necessários para que se cumpra algum estágio, para que cheguemos a um determinado ponto. Nada se perdeu, o que sentimos se converteu. Pode ser que a gente perca uma oportunidade na vida, sofra um acidente, perca um amor ou uma pessoa querida. Mas para tudo há um propósito. A partir disso, a vida se estrutura e segue em frente. Se tivermos a compreensão, haverá a transformação. Mais ou menos como aquela frase popular de que "a vida fecha uma janela, mas abre uma porta". No final das contas, há um sentido para tudo: para o amor e para dor. Pois nada se perde e tudo se transforma.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Em homenagem ao Sete de Setembro...

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Sete de Setembro. Dia da Independência do Brasil. Sem delongas, apenas a apresento para reflexão a música "Perfeição", do Legião Urbana (clip não-original). Nada mais a dizer...




Perfeição
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Plantão blogueiro informa: regimes são feitos para serem quebrados!

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Diacho. Meu regime estava entrando no 5º dia. Tudo estava indo tão bem. Até que, bateu uma fome súbita às 4h da manhã. Abro a geladeira, vejo leite, vejo queijo, mortadela, pão. Penso, tentando convencer a gula: "quem sabe um sanduichinho leve?".

Que nada. Olho para umas panela: arroz. Olho para outra: feijão. Olho para a porta da geladeira e vejo ovos. Há poucos metros de mim um fogão. Em poucos minutos, indefeso e lutando contra meus instintos de sobrevivência, me vejo esquentando a comida. Minha consciência aprisionada grita dentro de mim "pare enquanto é tempo. Tu vai criar barriga". Não ouço minha consciência gritar. É que meu estômago, a essa altura gritava mais alto e cantarolava "arroz feijão e ovooo. Alegria do povooo".

Instantes depois, arroz e feijão estão misturados num prato e uma frigideira estala dois ovos (dois, eu disse dois! E às 4h da madrugaaaa!!). Foi nesse momento que apaguei e não lembro de mais nada, porque foi tudo muito rápido.

Só sei que agora vejo um prato vazio do meu lado e estou na frente do computador desabafando a minha culpa.

Pelo menos, a fome passou...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dica de filme: Watchmen

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Chegou às locadoras o filme Watchmen. Trata-se da adaptação para o cinema da obra escrita por Alan Moore, desenhada por Dave Gibbons e lançada na primeira metade da década de 80. Watchmen, que é considerada a bíblia dos quadrinhos, é senão uma crítica voraz às neuroses da sociedade americana e também ao próprio segmento dos quadrinhos, pois foi a primeira obra a romper barreiras, apresentando um texto com altas doses de violência, política, sexo, drogas e rock and roll como nunca tinha sido vista antes. Não é a toa que há algum tempo foi a única história em quadrinhos que figurou numa lista da revista Time, que elegeu as cem mais importantes obras literárias do século passado. A HQ foi revolucionária e muitas das suas influências são notadas em séries como Heroes e Lost, além de uma penca de filmes que misturam cultura pop, ciência, misticismo etc.

A história se passa no ano de 1985, porém, num período alternativo onde Richard Nixon é presidente há várias mandatos. O mundo está à beira de uma guerra nuclear entre EUA e União Soviética. Os americanos, porém, tem a vantagem de contar com a maior arma possível, o semi-Deus batizado de Dr. Manhattan, que tem poderes extraordinários, sendo o único super-humano da história.

Os vigilantes máscarados são considerados criminosos e foram proibidos de atuar. Mas há o perigoso Rorschach que desafia a lei e segue fazendo justiça com as próprias mãos. E se for preciso sujá-las de sangue, tanto melhor. Ele começa a investigar a morte de um ex-combatente do crime, conhecido por Comediante (interpretado pelo Jefrey Dean Morgan, atenção Micheli!!).

E percebe que há algo de errado. Logo, tenta alertar antigos aliados, enquanto vai descobrindo um plano muito maior e que pode resultar numa grande catástrofe.

Assisti ao filme três vezes e duas versões do filme. A primeira, a de cinema (que é a que está chegando às locadoras). A segunda, a versão do diretor. E há duas formas de se encarar este filme. Se você conhece a história em quadrinhos em questão, não há dúvida de que vai gostar.

É, sem dúvida, a adaptação mais fiel já feita de uma HQ, reproduzindo mínimos detalhes de forma elegante e glamourosa. O projeto que era considerado infilmável teve no diretor Zach Snyder seu mais fiel discípulo (Alan Moore ficaria honrado se assistisse ao filme, o que não deve acontecer, porque ele sequer permitiu que o seu nome fosse creditado).

A segunda forma de ver o filme é como um espectador comum, que nunca ouviu falar de Watchmen na vida. E quando assisti a primeira vez, tentei olhar dessa maneira. Nesse caso, acho que é um filme "difícil" de encarar. A ação demora para acontecer, os personagens não despertam empatia direta e os flashbacks, essenciais para se compreender a história, podem confundir muito. É um filme que tem muitos diálogos e, para quem não é "iniciado", isso pode complicar as coisas.

De qualquer forma, seja como leitor de HQ ou não-leitor, uma coisa que me deixou cabreiro foi a trilha sonora do filme. Aliás, nisso o Zach Snyder quase sempre se mostra equivocado (Em 300 ele demonstrou todo o seu mau-gosto musical, o que foi elevado à nona potência em Watchmen). Há uma cena de sexo entre dois personagens do filme que, teóricamente, era para ser sensual, mas se torna comicamente involuntária devido a música que toca. (Assista e veja. Eu odiei a música. A cena se salva porque a bunda da Malin Akerman é simplesmente uma das 10 melhores coisas do filme).

O elenco não é formado por estrelas de primeira grandeza, como se esperaria de um projeto como esse. Na verdade, até acho que o diretor preferiu pegar atores que não fossem tão conhecidos do grande público, justamente para dar mais ênfase nos personagens. (Se Tom Cruise fizesse o personagem Ozymandias, como ele queria, você o veria no filme e pensaria TomCruiseTomCruiseTomCruise. Como aqui, o ator que interpretou o personagem é alguém desconhecido, se estabelece melhor a relação público-personagem).

Por fim, chega de falar. Loque o filme e julgue por si. Tenha em mente que é uma história adulta, com elementos diferentes do que você já tenha visto (se não conhecia Watchmen, claro). Ao final, da projeção, vai ser inevitável sentir-se invadido de um de dois sentimentos: ou você vai amar ou odiar Watchmen.


Alguém leu esse texto até o fim?

Poema

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Na manhã desta quinta-feira, recebi com muito alegria o livro Poemas Opus 4, que me foi presenteado pelo amigo Oracy Dornelles. A obra foi lançada pelo autor no ano de 1981 e reúne poesias belíssimas e que merecem desprender-se de suas páginas e ganhar os mais longínquos recantos da via láctea blogosférica. Eis uma delas:


Poema

Não me ames ainda por favor.

Dá-me antes teu ódio, teu nojo,
tua incompreensão e teu orgulho besta,
quero fazê-los pássaros de luz,
girando,
nos sete céus da minha angústia.

Depois, sim,
adora-me
sem nome
nem medos de arrependimento,
porque serei apenas
um apenas
na migração comum do teu amor

Oracy Dornelles

Contato com o autor: oracydornelless@ymail.com

Música do dia

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Bee Gees cantam I Started a Joke

Eu comecei uma piada
a qual fez o mundo inteiro começar a chorar.
Mas eu não percebi
que a piada era comigo, oh não...

E eu comecei a chorar
o que fez o mundo inteiro começar a rir.
Se eu somente tivesse percebido
que a piada era comigo...

E eu olhei para os céus,
passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama,
amaldiçoando minha cabeça pelas coisas que disse.

Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido
que a piada era comigo...

E eu olhei para os céus,
passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama,
amaldiçoando minha cabeça pelas coisas que disse.

Até que eu finalmente morri,
o que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido
que a piada era comigo...
Oh não, que a piada era comigo...

...E se hoje fosse o último dia?

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Levantaria cedo, extraordinariamente cedo. Talvez, aí por volta de 6h30. Tomaria um banho, faria a barba. Escolheria uma roupa que eu gosto, usaria um pouco de perfume. Colocaria uma toalha na mesa e esquentaria o leite, prepararia um sanduíche de queijo e mortadela. Nesse dia, tomaria café sem pressa, sem ser de pé. Esquentaria uma água, colocaria na térmica e tentaria preparar um mate. É claro que não saberia fazer isso, porque nunca soube fazer.

Mas quando meu pai levantasse pelo menos poderia dizer que a água já estava quente e era só cevar o mate. Enquanto ele fizesse isso, iria olhar de perto. Talvez até pedisse para que me ensinasse. Se hoje fosse o último dia gostaria de aprender algo a mais com ele. Depois, aceitaria compartilhar de alguns goles (mesmo que não tenha tanto esse costume). Nesse dia, isso proporcionaria alguns minutos que tornariam-se eternos.

Ele seguiria sua rotina. Eu iria fugir da minha. Se hoje fosse o último dia, cada minuto contaria. Não perderia tempo arrumando o guarda-roupa. Em verdade, sempre detestei perder tempo arrumando o guarda-roupa. Mas ainda assim pensaria que iriam ver ele depois e pensar "nossa, que bagunça". Tudo bem então. Arrumaria o guarda-roupa rapidamente, dando uma última olhada nos meus filmes, revistas e CDs. Cada objeto daqueles ocupou um pedaço de minha vida. Ideias, imagens e sons que proporcionaram horas felizes. E que também tinham sido compartilhadas com pessoas importantes para mim.

Se hoje fosse o último dia olharia para tudo o que tenho e perceberia que nada disso poderia levar comigo. "O conhecimento que elevamos ao nosso coração é o que levamos com a gente", iria refletir. E perceberia, talvez, que tudo é amor. E que o amor acontece a cada minuto. E que a felicidade é de instante a instante.

E pensaria que iria partir em paz, se hoje fosse o último dia. Porque até então, cada dia tinha sido único e cada pessoa tinha sido especial. E os singelos momentos ao lado de cada uma delas tinham sido raros.

Talvez, se tivesse mais tempo, iria querer escrever ou tentar abraçar todas e dizer o quanto suas vidas viviam dentro de mim. O quanto seus sorrisos me faziam sorrir e suas lágrimas me dilaceravam também. E tantos sorrisos eu dei, tantas lagrimas derramei, que compreenderia que tudo vira ensinamento. E o quanto todos deixamos de compreender os mistérios da vida justamente porque, assim como em cenas importantes de algum filme, "piscamos", justamente naquela hora.

Se hoje fosse o último dia, iria querer encontrar ou falar com pessoas que tanto significam para mim. Lhes daria um forte abraço e lhes agradeceria pelo ensinamento que proporcionaram. E lhes diria "até logo". No dia do último dia, se soubesse quando seria, afastaria qualquer pensamento injusto, qualquer mágoa que pudesse ter guardado.

No dia do último dia, se soubesse quando seria, trataria de libertar o perdão que há muito tivesse aprisionado ou negado ou ignorado. Porque, tenho certeza, o amor ganharia outro significado.
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Para o gigante de bigode em volta do berço, dedicaria minha primeira palavra em sua língua, chamando-o "pai".
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Abraçaria com muita ternura aquela mulher que me levou pela mão no primeiro dia de aula. E que ensinou tudo que o mundo jamais ensinaria.
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Teria coragem de dar uma flor para a garota por quem me apaixonei pela primeira vez (ao invés de aproveitar o recreio para deixar-lhe bilhetes anônimos de "eu te amo" no meio do caderno. PS: alguém).
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Diria para a primeira professora que nunca esqueceria o seu nome. E agradeceria por sorrir para mim.
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Diria para a menina de olhos verdes o quanto a amei (e ainda amo naqueles dias que estão acontecendo agora no passado que viveremos no próximo ciclo da roda de Sansara).
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Eternizaria aquele dia em que não viajamos para ir ao cinema, quando a princesa dos gatos se deitou no meu colo, no sofá vermelho e ficou me ouvindo cantar dezenas de músicas bregas (com minha voz brega e descompassada). Quando fecho os olhos volto com facilidade.
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Aos sete melhores amigos da minha vida, dedicaria as sete maiores virtudes de minha alma multifragmentada.
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Para a garota do pôr do sol, deixaria meu coração no lugar do pote de ouro no final do arco-íris.
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Na natureza nada se perde, tudo se transforma: a química, o amor, a dor. Vida e morte são dois lados de uma mesma moeda. Numa terrível simetria, uma é celebrada e a outra é temida, mas ambas são intensamente belas e cada qual carrega o mistério mais profundo e a verdade absoluta, só vislumbrada quando as luzes se acendem. E novamente quando se apagam.

A morte não existe, a não ser como uma ilusão que nos ensina que a vida se encerra. O que se encerra é uma existência, uma etapa. Pois somos todos como atores, vivenciando papéis no teatro da vida.

Se hoje fosse o último dia, minha alma se desprenderia. Dançaria e cantaria. O fim se torna o princípio e o que fica é a certeza infinita de que o universo possui variantes de única vibração/composição/força/arte/química/sensação:

Tudo é Amor...

...e se hoje fosse o último dia, eu saberia?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Flores de Ipês...

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Eu gosto de ipês amarelos. Não que, ao afirmar isso, eu esteja discriminando os ipês roxos que são igualmente bonitos. Mas tenho uma afinidade maior pelas flores do ipê amarelo. É o colorido bonito, que dá o tom da proximidade da Primavera. Acho que Santiago é uma das cidades que mais tem ipês. É possível percebê-los em toda a zona urbana, ainda mais nessa época em que eles se tornam especialmente chamativos. Gosto de caminhar sobre as flores caídas de ipês pelas calçadas, que se tornam ornamentadas com o colorido delas. As flores de ipê me fazem lembrar de algum coisa que eu não lembro o que é.

Mas prometo contar quando eu lembrar...

Música do dia: My Cartoon Network

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Amy Lee canta “My Cartoon Network”.

Dias de um futuro esquecido...

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Meu amigo Chico e eu moramos a vida inteira próximo da Estação Férrea. Por isso mesmo, o largo da Viação se transformava em nosso principal ponto de encontros. A gente costumava brincar com o resto da turma entre os vagões e também pulando por cima deles (a diversão maior eram os que transportavam areia).

Incontáveis vezes bancamos os "surfistas de trem", pegando carona (não façam isso, crianças. Podem cair e o trem esmagar a perna de vocês, arrancar um braço ou decapitá-los). Quando a estação local foi desativada, acabou ficando "tapera" durante anos.

Era uma lástima ver aquele prédio se perder ante as intempéries ou vandalismo. (E é justamente por isso que ficamos muito felizes quando a Prefeitura passou a tomar conta desse patrimônio e está recuperando-o para criar a Casa do Conhecimento).

Lembro que até 2005, todos os dias após o almoço, o Chico e eu escalávamos o prédio da estação para ficar por ali lagarteando (pegando sol de mansinho), enquanto comíamos bergamotas ou nozes.

Numa dessas oportunidades fiz essa foto de meu amigo, pensativo, olhando para a paisagem à sua frente.

Um momento eternizado, em que ele viajava de trem rumo ao passado ou transportava sua mente para os dias de um futuro esquecido?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Para sempre teu, Caio F.

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A escritora e jornalista Paula Dip acaba de lançar pela Editora Record, de São Paulo, o livro "Para Sempre Teu, Caio F". A obra tem mais de 500 páginas e é um sincero relato sobre a vida e a obra do escritor santiaguense Caio Fernando Abreu. A autora, que era muito amiga dele, reuniu suas cartas, conversas e memórias. Ela conta desde a saída de Caio de Porto Alegre até a vida em São Paulo, onde trabalhou na revista Veja e conviveu igualmente entre celebridades e comunidades hippies.
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Caio costumava se assinar como Caio F., em suas cartas. Era uma brincadeira que fazia, em referência com Christiane F.
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O escritor santiaguense Oracy Dornelles é amigo da autora, Paula Dip, que lhe enviou um exemplar de presente.
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Gostei de ouvir o vereador Davi Vernier falando na Câmara de Vereadores sobre a necessidade de valorizarmos mais a memória e a obra de Caio Fernando Abreu. Ele disse que temos, sim, que reforçar o título de "Santiago, terra dos poetas", mas muito mais o status de sermos a "cidade de Caio Fernando Abreu". Uma inteligente observação do vereador e que merece aplausos.
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A Câmara de Vereadores de Santiago anunciou que vai construir o auditório multicultural Caio Fernando Abreu. Fico extremamente feliz com essa notícia. Afinal, fazem dois anos que eu sugeri essa ideia para os vereadores. Na época, existia a intenção do prédio ao lado da Câmara ser demolido, o que considerei um desperdício, pois o local poderia ser aproveitado e reformado. Além de que, poderia ser feita uma justa homenagem para Caio F.

Fotos da Luly

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Tava olhando o Orkut da Luana hoje e encontrei essas fotos que fiz dela há uns dois anos. Ela está muito bonita, evidentemente. Mas achei interessante a composição das imagens. Sou um fotógrafo "aposentado", mas ainda assim acho que fotografar é que nem andar de bicicleta: a gente nunca esquece.

Falando em não esquecer, eu lembro que no dia em que fizemos uma série de fotos ali na praça, (em 2007) ela estava usando essa roupa preta linda, com capa e botas. E algum gaiato deu um assovio:

- Fiu-fiuuuuu! Que linda que tu tá, hein, Batgirl?

A Luly é minha amiga, minha comadre, minha confidente. Amo ela.

Kissing You

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Hoje estou melancólico. Por que? Eu não sei. A primeira música que me chamou a atenção de ouvir hoje foi Kissing You, da trilha sonora do filme Romeo + Julieta, aquele com o Leonardo Di Caprio. Aquela música tem uma composição arrebatadora de piano e violino. É o tipo de música que você ouve com o coração. E que dói. E que enternece. E que dá saudades de alguma coisa que, às vezes, você não sabe dizer o que é, exatamente. Mesmo assim, dói.

Na verdade, tudo me faz lembrar uma música. Ou tudo me faz lembrar um filme, ou um diálogo de livro.

Estou aqui. Às vezes, há tanta coisa que eu queria viver, realizar. E ao mesmo tempo, me sinto cansado de tudo, querendo parar tudo, sem ânimo para seguir adiante. Não sei. Talvez me falte um objetivo maior nessa existência, uma razão maior para que não me sentisse tão insignificante. Carrego uma inquietude que não sei definir. Passado, presente e futuro se misturam como se tudo acontecesse ao mesmo tempo e isso causa uma confusão em mim.

Não sei em qual tempo prefiro viver: no passado que já conheço, no presente que não compreendo ou no futuro que não sei...