sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cenas de pais e filhos

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Jocelaine e o Hélio sentados na beira da piscina e a Elionora, aos 4 anos, fazendo gracejos dentro d'água. "Olha, pai", ela dizia jogando água para cima e observando as gotícolas tornando-se coloridas devido a reflexão solar e a dispersão. "Tô fazendo um arco-íris". A pequena sorria com a descoberta. O Hélio ainda mais. "Para ti pode não parecer, mas para um pai, o mínimo que um filho faz é o máximo". Gostei da observação do Hélio. Mas era mesmo o máximo ver aquela baixinha fazendo um arco-íris na piscina do Pesqueiro Chapadão...
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O Cristiano fazendo caras e bocas para o Pablo, de 1 ano (acima). Sentado no carrinho, o guri gargalhava toda vez que meu amigo escondia o rosto atrás de uma fralda e, depois, se revelava. "Cadê? Cadê? Cadêêêê?? Achouuu!!!". O Pablo achava o máximo. E adorava mais ainda quando o Cris mordia de leve os pequenos dedinhos do Pablo que, também adorava puxar o rosto do pai. E o Cristiano ali, indefeso e derretido diante daquele ser humano de menos de meio metro de altura que, sequer conseguia parar em pé sem estar agarrado à barra de sua calça...
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O João jogando bola com o João Henrique, de 6 anos, no pátio da casa. Ele era o goleiro. O filho cobrava pênalti. Conversávamos sobre assuntos diversos, enquanto ele brincava de pai e observava, orgulhoso, que o filho chutava forte. "Vai ser um grande jogador de futebol"...
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Éverton pegando o filme "Shrek 2" pela quarta vez na locadora. O Arthur, 05 e o Victor, 03, gostavam do Gato-de-Botas e do Burro...
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O Chico, orgulhoso. Seu filho de quatro meses tinha esboçado a primeira palavra sua vida. "Ele disse pá", revelou o pai gabola.
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Os bolsos do avô cheios de bala banzé. E, mais uma vez, ele trazendo mandolate ao invés de chocolate. Ele nunca acertava...
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O seu Sílvio junto ao leito do Hospital Universitário para cuidar do filho, de 37 anos. "Pai, eu já sei o que eu tenho...". Ele, preocupado, chegou mais perto para ouvir melhor, já que a voz do rapaz estava fraca. "Fala, meu filho...". Com os olhos em lágrimas, um tanto envergonhado, outro pouco cheio de coragem para enfrentar a verdade, pois sabia que a morte era uma possibilidade, o rapaz falou. "Eu tô com aids, pai". Eu estava ali, testemunhando aquela cena histórica, aquela revelação, com um nó na garganta. Seu Luiz beija a testa do filho. "Paizinho vai cuidar de ti, meu filho. Tu vai ficar bem"...
E ele cumpriu a promessa. O filho ficou bem. Tempos depois, era o filho quem beijava a testa do pai, que partia deste mundo numa manhã ensolarada...
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O gigante tinha comprado um ovo de Páscoa, antes de viajar para a cidade onde trabalhava. "Deixe do lado da cama dele no Dia da Páscoa", ele falou para os avós do guri. Antes da Páscoa, o gigante morreu. O ovo de chocolate derreteu no roupeiro...

"Você é melhor que isso"...

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Melhor cena do filme Rocky Balboa que, aliás, é um ótimo filme e que assisti umas cinco vezes. Nesta cena, um emocionante diálogo entre Rocky e seu filho. Uma pequena lição de vida...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Não é a minha praia...

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Janeiro e fevereiro são tradicionais meses de férias para muita gente. É o período propício para tomar o rumo do litoral ou dos balneários e tirar um tempo fora da rotina. Uma amiga que estava aprontando as malas para passar uma temporada em Santa Catarina me perguntou para qual praia eu iria neste verão. De início, até pensei que ela estivesse brincando comigo, mas depois vi que era sério.

- Querida, eu sou um sem-terra. Não vou para praia nenhuma. No máximo, vou pôr meus pés numa bacia...

Ela, que ia para os lados de Itapema quis me convencer de que se não era possível (financeiramente) para mim ir para Santa Catarina como ela, que eu aproveitasse as praias aqui do Rio Grande mesmo. Ela não aceitava, juro: simplesmente não aceitava que eu não tivesse dinheiro nem para ir dar uns bicos no Rio Rosário em Ernesto Alves. Achava que eu fosse um pão-duro e não quisesse gastar (quem dera). Ficou falando das maravilhas de descansar na orla marítima, saborear água de coco e se deparar com aquele mundão de água. Ainda me atiçava para admirar as mulheres bonitas de biquini. Tirar umas fotos novas, botar no Orkut. Quem sabe até eu não arranjasse um casamento por lá.

Em seguida, me sugeriu tirar um empréstimo se fosse o caso, mas eu tinha que ir "tirar uns dias" na praia. Inventei de dizer um "é, quem sabe". Mas pra que foi? Minha amiga começou a sugerir algumas praias que ela conhece e que achava que eu deveria ir para me animar um pouco:

- Que tu acha de ir para Capão da Canoa?
- Para Capão dá. Mas do Cipó.
- Cidreira?
- O chazinho eu aceito.
- Cassino?
- Quando muito, carpeta
- Mostardas?
- Não, maionese. E caseira.
- Osório?
- Grande fotógrafo.
- Magistério?
- De que jeito? Tô no Primário.
- Atlântida?
- Para mim é que nem aquele continente perdido. Não existe!
- Xangri-lá?
- Da última vez, sangrei-lá...
- Torres?
- Só se for o cerro do Obelisco.
- Imbé?
- Béééé...
- Chuí?
- Xiiii....

Sem avisar, sem esperar

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Ao som de Linger (Cranberries)

Clarissa gostava da casa arrumada e as coisas no lugar. Tinha dado trabalho, mas tudo estava como ela queria. Se vez por outra deixava a bolsa no sofá da sala era por preguiça, mas sabia que ao acordar, ela continuaria por lá. No mais, tudo era regrado. As plantas bem cuidadas. As roupas nos cabides e gavetas certas. O piso era brilhoso, as cortinas na posição que ela gostava, sem iluminar tanto, sem escurecer muito, a meio tom. Se ia para o quarto, apagava a luz da sala e vice-versa. Tudo era impecável, tudo estava no lugar. Até mesmo os diversos cadernos do jornal de domingo, nada de espalhá-los pelo sofá ou em cima da mesa. Ela era feliz assim, com suas regras e com seu mundo perfeito. Clarissa vivia só, sim, mas estava bem acompanhada.
Até que veio um vento, desses que surgem de repente. A poeira se espalhava pelo piso alvo. Outras pegadas pelo chão. As cortinas saiam do lugar, ora claro, ora escuro. Gavetas desarrumadas, roupas fora do lugar, pedaços de jornal por toda a parte. Um vento que desalinhava os cabelos de Clarissa e que eriçava os pêlos de seu braço, causava arrepios, sussurrava em seu ouvido e que não se importava com as regras da casa. E do jeito que chegou, alvoroçado, foi embora, serenado. Restou a Clarissa alinhar os cabelos, cuidar das plantas, ajeitar as gavetas, limpar o piso, verificar as cortinas, pôr ordem na casa, rever suas regras e apagar as luzes da sala. Tudo de volta no lugar como antes. Tudo limpo e bem organizado. Mas seu coração tinha virado numa bagunça...

Quase dormindo...

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Não gosto de atualizar o blog para dizer que estou sem tempo de atualizar. Mas é isso que farei nessa postagem. Estou sem tempo e estou cansado. É madrugada e eu preciso dormir. O sono começa a se abater, minhas pálpebras estão pesadas e minha visão já não é clara. Há uns lampejos, uns devaneios, parece que começo a sonhar acordado. É uma coisa estranha...
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O dia de hoje foi, deixa eu pensar, divertido mas cansativo. Trabalhei a tarde e a noite na redação do jornal. Meus colegas e eu conversamos, batemos papo, trocamos ideias. Numa redação de jornal você acaba sabendo coisas dos mais diversos setores da cidade. Existe a troca de informação, a interatividade, enfim.
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Uma das coisas que eu gosto na quarta-feira, é de conversar com o Froilam. Ele surge na redação para pegar as páginas do jornal a serem corrigidas e por alguns minutos sempre levantamos algum assunto para debater. Seja a respeito do que tem sido dito em nossos blogs, seja algum fato pitoresco do cotidiano. Gosto de conversar com o Froilam, que é uma pessoa agradadável, vivida, inteligente, generosa e que nos últimos tempos tem transmitido uma paz muito grande. Realmente, percebo que o Froilam tem encarnado um espírito de doçura, talvez de tanto falar a esse respeito e repetir essa palavra como se fosse um mantra. Sempre aprendo muito ouvindo o Froilam.
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Temos, afinal, algumas considerações em comum sobre a vida simples e privilegiada de nossa querida cidade de Santiago. Uma hora dessas vou convidar o Froilam para tomarmos um chimarrão juntos na sombra d'alguma árvore ou, se o bolso nos permitir, uma cerveja. A bebida ou o lugar é o que menos importa. Vale a pena, sim, a companhia de um amigo.
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Me perguntaram para qual praia eu vou neste verão. E é claro que eu pretendo ir, como vou deixar passar em branco o período de férias? Economizei uns trocos e em fevereiro eu e uns amigos vamos partir para o Passo do Umbu, em São Vicente. Vamos la a playa, uou, uou, oooo-ou.
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Tá. Meu bobajômetro apitou. Sinal vermelho. Hora de dormir.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Jornal do Almoço: Santiago 125 anos

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Para quem não assistiu e, como eu, é apaixonado por Santiago, eis uma reportagem especial do Jornal do Almoço sobre os 125 anos do município. Passou na RBS TV em todo o Estado, na semana passada, dando ênfase para a Rua dos Poetas e principalmente ao projeto Santiago do Boqueirão seus Poetas Quem São? Confira: aparece a querida Rosane Vontobel falando sobre o projeto e o Oracy Dornelles, que é chamado de figura ímpar, comentando que seus versos "podem até não prestar, mas é impossível encontrar erros neles". E, claro, dedicaram um espaço especial para falar de Caio Fernando Abreu. Tem uma entrevista com o amigo Airton Flores e sua mãe, a dona Elcy, primo e tia do Caio. As imagens da Rua dos Poetas são belíssimas e a edição do vídeo é primorosa. Tive que cortar um pedaço do vídeo e eliminar um bloco inteiro do programa, pois tinha outras reportagens antes. Deixei só a parte de Santiago.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Hospital de Caridade de Santiago foi destaque no Jornal do Almoço

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Que o Hospital de Caridade de Santiago é motivo de orgulho, todos sabemos. A saúde financeira da instituição, bem como a sua credibilidade são fatores que influenciam na vida de toda a sociedade, que conta com um hospital sempre bem equipado e equipe qualificada. O trabalho desenvolvido pelo administrador Ruderson Mesquita, doutora Sônia Nicola e pelo provedor Irmo Sagrillo é reconhecido não só pela Secretaria de Saúde do Estado, como também fora do Rio Grande do Sul. Não são apenas os investimentos em equipamentos, na estrutura e nos funcionários que fazem do HCS um dos melhores do Estado. Mas os investimentos nas pessoas. Tanto é que a iniciativa de criar um salão de beleza dentro do hospital vem melhorando a auto-estima de muitos pacientes e foi motivo até de reportagem no Jornal do Almoço, na RBS TV de Porto Alegre, no último dia 13 de janeiro. Para quem já viu, clique no PLAY da imagem acima e veja de novo. Para quem não viu, eis a oportunidade.

Falhas no atendimento ao público

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Em seu blog, o meu amigo Ânderson Taborda levantou um assunto que precisa ser debatido pelo público consumidor santiaguense, que é a falta de preparo no atendimento ao público. A maior parte dos estabelecimentos comerciais peca justamente nessa que é a mais importante característica de uma empresa e que determina o sucesso ou o fracasso de um negócio. Caras fechadas, como aponta o meu amigo, são fichinha no comércio local. Ocorre que a falta de treinamento ou mesmo de relacionamento humano é que cria tais empecilhos. E o consumir quando não é bem atendido, é óbvio que sai criticando como é o caso do Taborda, que chegou para calibrar o pneu do carro num determinado posto e o atendente, vendo-o, seguiu tomando chimarrão e não foi colocar-se à disposição.
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Ocorre que, para calibrar o pneu, não se cobra nada. Ou seja, o funcionário deve ter pensado que aquele cliente não era exatamente um "cliente". Outro problema apontado por meu amigo blogueiro é quando a pessoa entra na loja e é recebido com sorrisos, mas quando o cliente diz que só está "dando uma olhadinha", a cara do vendedor já fecha e ele sai de perto. São dois exemplos que existem às pampas em nosso comércio. Outro dia, o meu amigo Francisco Rosso Diello reclamava da loja Quero-Quero. Segundo ele, os vendedores são muito bons e atenciosos.
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No entanto, quando chegou a hora de fechar a compra, foram duas horas de fila e na hora de fechar o negócio, o impediram por exceder em R$ 30 reais o limite estabelecido pela loja. Meu amigo saiu puto da cara. "A Quero-Quero é a pior loja para ser atendido", ele costuma dizer.
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Em contrapartida, aponta a Becker como a loja que mais facilita para o cliente. Foi até lá, fez a compra e foi atendido em pouco mais de vinte minutos, sendo que o mesmo caso do limite excedente foi apontado, mas a equipe buscou uma solução e meu amigo saiu satisfeito da vida.
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Falando em atendimento, como é que pode: alguns estabelecimentos comerciais já estão vendendo a Coca-Cola 2 litros a R$ 4,00, enquanto nos supermercados a bebida sai por R$ 2,50 em média. O lucro excessivo não é regulamentado e fiscalizado? O consumidor precisa denunciar para não seguir pagando mais caro.
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Fique atento: no rótulo da Coca-Cola 2,25 está escrito "Gratis 250 ml". Portanto, se o estabelecimento quiser fazer diferenciação no preço de uma garrafa de 2 litros, procure o Procon.

Santiago: parque de diversões

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Tem parque de diversões em Santiago. E, como sempre acontece, já se verificou o aumento no número de ocorrências de furtos na cidade. De outra vez que teve um parque por aí, diversas vitrines foram quebradas na cidade. Tanto é que a Obino Top, uma das que foi arrombada da outra vez, teve até de instalar grades, diminuindo a sua beleza visual de antes. É uma correlação interessante: aparece um parque, aumentam os furtos. É um fenômeno prá lá de intrigante. Deixando a ironia de lado, é fato que muitos empreendimentos desse tipo (não sei se é o caso desse que está aí) acabam empregando elementos de índole duvidosa. E a prática andarilha, de se viajar de uma cidade para outra, acaba sendo um atrativo para tais elementos. Já houve casos de foragidos da justiça encontrarem trabalho justamente em circos e parques de diversão, o que os permite viajar de forma anônima. Não quero aqui semear uma desconfiança contra os circos e parques, mas seria interessante que a polícia fizesse algum tipo de vistoria nos quadros funcionais de todos os parques e circos que viessem à cidade. Outro problema é que tais atrativos acabam chamando também a atenção de elementos nocivos de nossa própria sociedade, atraídas pela concentração de pessoas com dinheiro no bolso. Não seria necessário algum tipo de segurança por lá? Não sei se a Brigada Militar costuma marcar presença. Gostaria de saber a opinião do amigo Cassal sobre esse assunto.

Juremir Machado vs Mônica Leal

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Não me surpreende que o Juremir Machado tenha criticado de forma tão veemente o trabalho da secretária Mônica Leal, em recente coluna publicada no jornal Correio do Povo. Afinal, o trabalho da secretaria foi de popularizar a cultura, criando eventos culturais que beneficiem um maior número de pessoas, ao invés de priorizar interesses de grandes festivais, apoio a escritores famosos ou artistas elitistas. Desta forma, é natural que grandes festivais, escritores famosos e artistas elitistas se sintam contrariados com o que está sendo feito por Mônica Leal.
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Como leitor, penso que apesar do Juremir escrever muito bem e defender suas idéias com maestria literária, ele é um xeróx do Diogo Mainardi e acaba sendo muito mais porta-voz de uma casta superior, regada a goles de uísque, tal qual o Mainardi é na Veja, representando o pensamento elitista e americanizado do homo superior, sempre contestando todo esforço de se fazer algo pela sociedade. Tais escritores se colocam sempre contra, por exemplo, a benefícios como o do Bolsa-Família, levantando o argumento de que "se dá o peixe e não se ensina a pescar" ou que "o povo deixa de trabalhar porque está ganhando tudo nas mãos". Tais argumentos são, naturalmente, acompanhados de embasamentos científicos, textos enfeitadinho e tal. Aí, o leitor menos preparado começa a reproduzir também aquele discurso.
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No entanto, o que dizer a uma família pobre, cuja maior fonte de renda acabe sendo justamente um desses benefícios eletrônicos? Que ela está equivocada em receber aquilo? Que ela precisa pescar e não ganhar o peixe? Que os políticos, festivais ou artistas privilegiados precisam mais daquele dinheiro? Tais escritores, o Juremir e o Diogo, deveriam descer de seus pedestais literários e conviver em meio às pessoas, conhecer suas aflições e anseios. E não reproduzir uma verdade absoluta escrita no conforto de suas salas refrigeradas, talvez até acompanhados de goles de uísque, de marcas que não se compram nem com o dobro do valor de um benefício oferecido pelo Bolsa-Família.
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É muito fácil falar mal e ser do contra. Confesso que muito me diverti lendo as colunas do Diogo Mainardi na Veja ou a do Juremir Machado no Correio do Povo. São intelectuais e escrevem muitíssimo bem. Porém, são mestres na arte de falar mal de seu país, de seus Estados e de sua cultura. Foi o Mainardi, por exemplo, que semeou um sentimento anti-literário às obras de Paulo Coelho, o maior fenômeno literário do Brasil em todos os tempos. Confesso que li poucos livros dele, mas querer reduzir a sua importância por ele ser popular, é algo esnobe da parte do Diogo, que deveria, sim, incentivar a leitura do povo. Se é de Paulo Coelho que as pessoas gostam, deixe que leiam. Mas, pelo menos, estão lendo e isso é que é importante. Mas não, o Mainardi arrasa com tudo. Afinal, ele escreve melhor que o Paulo Coelho. (Não estou defendendo nem um ou o outro, apenas colocando meu ponto de vista)
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Nada presta, nenhum esforço é digno e tudo é inútil, na ótica do Juremir ou do Mainardi cujas críticas devem ser comparada às irreverências do Casseta & Planeta, em muitos casos. Já em outros, merecem aplausos ao combater o idiotismo nacional.
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Há que se respeitar, sim, a opinião do Juremir Machado (assim como ele respeitará a minha). Mas também é preciso filtrar a sua opinião e não tomar como base para julgar todo o trabalho da secretaria de Cultura do Estado. Ela, pelo menos, sei que percorre o Estado e convive em meio ao povo e a eventos populares de todos os tipos. Ao contrário de muitos escritores, como os citados, que sentados em suas salas refrigeradas sentenciam verdades absolutas.

sábado, 24 de janeiro de 2009

O futuro da Copa Santiago (na opinião de quem não entende de futebol)

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Confesso que não entendo muito de futebol. Sei mais ou menos que quando a bola é chutada para dentro da goleira é ponto. Mas é impossível ficar impassível diante da estrutura montada pela Copa Santiago de Futebol Juvenil. É impossível morar em Santiago e não saber o quanto este evento significa para o município, já tendo revelado diversos craques para o mundo do esporte, como o Anderson Polga que, numa negociação inteligente do Cruzeiro, foi trocado por uma dúzia de camisetas que nunca aportaram no Alceu Carvalho (e se vieram, me corrijam, por favor).
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Como disse antes, não entendo muito de futebol. E, portanto, minha opinião neste campo é insignificante. Mas penso (logo existo) que essa discussão de reduzir a idade dos atletas participantes é um erro. Qual o argumento? Que equipes como Grêmio e Inter acabam enviando atletas mais badalados para a Taça São Paulo de Juniores que acontece no mesmo período. Aí, a estratégia de reduzir a idade, teoricamente seria a saída para trazer equipes melhores para a competição.
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Ao invés disso, não seria melhor simplesmente trocar a data da Copa Santiago para depois da que ocorre em São Paulo? Até porque, o evento de lá é o que recebe muito mais holofotes da mídia. Até o Efipan, de Alegrete, acaba atraindo mais atenção que a Copa Santiago, infelizmente. Tanto é que no Globo Esporte desta sexta-feira, divulgavam que o Grenal dos piazinhos que iria acontecer em Alegrete seria o primeiro do ano, ignorando que um dia antes, o tradicional embate se daria primeiro no Estádio Alceu Carvalho em Santiago.
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Não estou falando com o propósito de criticar, simplesmente. Como santiaguense, queria muito ver a Copa de minha cidade merecendo destaque no Correio do Povo, na Zero Hora ou na RBS TV de Porto Alegre (pois quando isso acontece é só em notas de roda-pé). Mas não é isso que ocorre. Por aqui, a gente diz que é o maior torneio juvenil da América Latina. Passando adiante de Santa Maria, a Copa Santiago acaba tendo a sua importância reduzida e a cada quilômetro percorrido longe de Santiago, ela diminuiu proporcionalmente. O que fazemos aqui não está encontrando eco lá "para cima".
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Se a Copa Santiago fosse mesmo o maior torneio da América Latina, não seria de esperar que grandes equipes fizessem questão de participar da competição? Que equipes que já participaram, fizessem questão de voltar? (Não vale citar a dupla Grenal).
Mas o que acaba acontecendo é que todo ano quando se divulgam as equipes participantes, sempre há aquelas que saltam fora de última hora. E muitas que já vieram, não voltaram mais. E delegações de alguns países já não participam. Por que isso acontece?
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Tenho uma teoria: por mais esforçada e bem intencionada que seja a organização de nossa Copa (e é preciso ressaltar o esforço de todos os dirigentes do Cruzeiro), a estrutura oferecida em Santiago não atende aos níveis de exigência das equipes. Que equipe abriria mão de participar da Taça São Paulo de Juniores, com toda a mídia em cima e alojamentos de primeiríssima, para participar da Copa Santiago, que não consegue nem oferecer ajuda de custo para o transporte das equipes? Já ouvi dirigentes de equipes do exterior reclamando de ficar alojados em quartéis ou escolas. Certa vez, registrou-se até um arrombamento num desses alojamentos, de onde foram levados vários materiais.
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Acontece que o máximo que temos a oferecer, acaba sendo o mínimo que as equipes participantes esperam. E por mais esforços sejam empreendidos pela comissão organizadora (e que sempre deve ser reconhecido), tais equipes precisam contar com uma estrutura melhor para o conforto de seus atletas. Afinal, eles precisam estar bem preparados para o embate no campo. Portanto, é de hotéis que eles precisam e não de alojamentos. Foi isso o que me disse um dirigente. Claro, há outros que acham tudo muito lindo e muito bom. Mas o nível de exigência de cada equipe varia. Tanto é que equipes juvenis do São Paulo, Corinthians, Palmeiras ou da Argentina não vem para Santiago.
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É esse o problema da Copa Santiago e não a idade dos atletas. Reduzir a idade, creio, seria um erro que deve ser evitado. Ouço pessoas dizerem que se reduzirem a idade dos participantes, não vão ver um bando de moleques jogarem. Afinal, quanto mais próximo do futebol profissional, mais se atrai o interesse do torcedor.
Muito melhor trocar a data do evento para não conflitar com a Taça de São Paulo e buscar oferecer melhores condições para as equipes. Sei lá de que maneira. Mas se me perguntassem, não diria o "não sei", mas sim o "vamos descobrir". O fato é que essa estrutura da Copa Santiago já vem de muito tempo e pouco evoluiu.
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Devo ressaltar: minhas sugestões são apenas para colocar um ponto de vista totalmente de fora. Simplesmente pensando no benefício deste importante torneio para a nossa cidade. O futuro da Copa Santiago, creio, depende de sua evolução em todos os aspectos. Não basta sermos o melhor torneio da América Latina no Vale do Jaguari. Temos aí um torneio profissional que ainda está sendo estruturado de forma amadora. Deixemos o bairrismo de lado para fazermos a autocrítica (BEEEP. Parem tudo. Admirem: esta palavra é da nova regra do Português. Ohhh) e percebermos o quanto a Copa Santiago já conquistou e o quanto mais pode vir a conquistar. Para o bem do Cruzeiro, da cidade e dos desportistas.
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Enfim, essa é uma opinião de quem não entende muito de futebol. Não levem a mal.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pensamento positivo por Santiago

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A URI-Santiago está promovendo a campanha Rede Pensamento Positivo por Santiago. A idéia, segundo o diretor-geral Clóvis Fernando Ben Brum, é criar um sentimento de amor pela cidade, como a campanha sugere. Ele justifica que a intenção é que as pessoas aprendam a falar bem da cidade, reconhecendo aquilo que temos de bom, seja a hospitalidade de nossa gente, as empresas, instituições como a própria URI, Hospital, Tritícola ou, simplesmente, o nosso modo simples de viver. No meu entender, a campanha toma um pouco por base a idéia do filme "A Corrente do Bem", onde cada pessoa deve fazer algo de bom para outras três pessoas e, assim, sucessivamente. A campanha sugerida pela URI é algo simples de se fazer e não custa nada para ninguém.

Gosto muito de Santiago e vislumbro a possibilidade de que nossa cidade pudesse se destacar como a de melhor qualidade de vida de todo o Estado. Torço e rogo por isso. E que bom seria se isso acontecesse. Portanto, a intenção da URI em promover essa campanha é salutar e merece ser apoiada e difundida. Porém, não se elimina aí o senso crítico: há que se enaltecer o nome de nossa cidade e as coisas boas que temos, mas também apontar as falhas que existem com o nobre propósito de melhorar mais e sempre. E que as elites santiaguenses compreendam e também façam a sua parte, não só a chamada "comunidade". No final, o que conta é isso aí: Santiago em primeiro lugar.

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Falando nisso e me autopromovendo (BEEEEP: NOVA REGRA DO PORTUGUÊS), há cerca de dois anos, eu criei um blog chamado Visões de Santiago, como pode ser conferido nos links aí no blog e que foi comentado na postagem anterior. É um blog só de fotos da cidade, mostrando um pouco daquilo que temos de bom e bonito.
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A satisfação de criar o referido blog é poder compartilhar de minhas visões santiaguenses com outros conterrâneos que estão distantes. Como o caso de meu grande amigo de infância, o Cristiano Freitas, que está lá na cidade de Silvânia, no Estado de Goiás. Ele deixou a seguinte mensagem:
"Vivendo a 2500 km de distância, é bom ver como está a "terrinha", pelo menos fisicamente. Belas fotos, mas faço uma sugestão, e ao mesmo tempo, pedido: Tira umas fotos dos arredores da cidade, do "cachoeirão", dos trilhos, dos barrancos, das coxilhas...As vezes dá saudade dos pampas.Um abraço bicho velho".----O Cristiano (ou Chico) também é blogueiro. Confira em http://www.naoestaavenda.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Para conhecer Santiago

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Uma dica para os santiaguenses que estão longe da terrinha (como Heloísa Flores, lá em Portugal). Há algum tempo mantenho o blog Visões de Santiago, onde publico algumas imagens de nossa cidade. Não o atualizo com tanta frequência, porém, tem várias imagens por lá que são legais e devem matar um pouco as saudades para quem não está por aqui. Sou apaixonado por Santiago e esse blog é uma pequena declaração de amor a nossa cidade. Clique na imagem acima para acessar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Depois de seis meses de férias, Vargas retorna ao Tribunal de (Faz-de) Contas

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Depois de ter sido denunciado pelo Ministério Público Gaúcho por possível envolvimento no esquema de desvio de dinheiro público, promovido pelo maracuteiro, digo, deputado José Otávio Germano, o presidente do Tribunal de (Faz-de) Contas do Estado, o barbudo João Luiz Vargas reassumiu a sua função, cujo salário está acima de R$ 25 mil (que eu não ganho em cinco anos). Ele havia se retirado estrategicamente nos últimos seis meses (?) para tirar umas férias (??). Em seu retorno triunfal ao Tribunal, Vargas disse que em nenhum momento se sentiu constrangido perante a população gaúcha que, segundo ele, reconhece a sua honestidade e não fez nenhuma cobrança ou crítica (???) a respeito da acusação que sofreu. Assim, Vargas reassume as suas funções de comandar o Tribunal de (Faz-de) Contas, que possui a incumbência de fiscalizar as Câmaras e Prefeituras de todo o Rio Grande do Sul com a missão de exigir transparência e honestidade nas finanças públicas. Penso eu que juiz, promotor, político ou advogado bom é aquele que sequer é citado como possível envolvido em qualquer coisa, porque existe o pensamento daquele velho deitado de que onde há fumaça, há fogo. E se o barbudo usasse um Maxx Turbo, não duvido que despencasse serragem...

A fábula do Lobo Mau de Jaguari

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Recebi, em meu e-mail, a listagem de empresas que ainda não receberam o pagamento por serviços prestados para a Prefeitura de Jaguari. É preocupante que as Finanças do município tenham se desequilibrado no encerrar do mandato do Ivo Patias, que é uma pessoa simples, de rara índole e honestíssimo. Temo que a sua ex-equipe fazendária possa não ter correspondido às suas expectativas e acabe lhe causando problemas junto ao Tribunal de Contas. E, claro, problemas para o atual prefeito João Mário Cristofari, que está buscando contornar tudo da melhor forma possível, como bom gestor que é.
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Mas me parece que tem algum Lobo Mau na história. Tenho a impressão que lá em Jaguari aconteceu mais ou menos uma adaptação de O Chapeuzinho Vermelho. Teve uma Chapeuzinho Vermelho que deu mole por lá e um Lobo Mau que entrou em cena, à luz da lua e com papo de cerca-lourenço, com suas várias faces empresariais e ganhando dinheiro, desfilando em carrões etc. O Ivo, coitado, ficou com o papel da vovozinha. E todos sabem o que o Lobo fez com a vovozinha...
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Nesta segunda-feira de noite, eu estava trabalhando em casa, quando recebi um e-mail do Júlio Prates, perguntando se eu não poderia dar uma mão e diagramar a sua revista A Hora que tinha prazo para ir para a gráfica e o seu diagramador da Qualygraph, o Beto, tinha ido viajar às pressas. O Júlio me disse que era para resolver algum problema de saúde. "Não tem problema. Posso fazer", respondi ao meu amigo. E, assim, ele me pegou de carro e nos fomos para a sua "chácara", que fica quase lá em Nova Esperança. Brincadeira. É uma bonita casa que ele alugou no bairro...putz, não sei o nome. Sei que é lááá para baixo da substação da AES Sul. Não parece, mas fica em Santiago...
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E lá ficamos algumas horas, um pouco papeando, um pouco trabalhando. Enquanto distribuí facilmente os artigos dos colunistas de sua revista. Depois, a Eliziane fez um saboroso jantar e demos uma pausa no trabalho. Conheci o cachorro que o Júlio tem criado alimentado só com linguiça toscana. Enquanto comíamos, o cusco nos olhava e o JP insistia em abrir a geladeira e dar carne para o bicho. "Já dei comida para ele", avisa a Eliziane, alertando que não teria para o outro dia. "Mas ele está aqui nos olhando comer", justificou o Júlio...
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Depois do trabalho e da janta e da prosa, o JP me levou em casa e eu desabei na cama. Precisava acordar cedo e seguir trabalhando num outro projeto que a Sandra me passou e eu estou nos arremates. Confesso que é o serviço mais complicado e que me está me dando mais dor de cabeça de fazer, porque é cheio de coisas onde pouco dá para fazer. E muito pouco material, onde precisaria fazer muito. Tô quebrando cabeça ainda. Ou não é fácil ou eu é que sou muito burro. Mas espero concluir tudo nas próximas horas e se Alah quiser.
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Fui acordado por meu amigo César Martins. Conversamos rápidamente e ele me solicitou material sobre a prefeitura. Eu o informo que estava agendado para passar-lhe tudo em prazo hábil, conforme tinha acertado com o meu amigo Éldrio. Aí, o César me informa. "Não é mais aquele prazo. Tem que ser antes". Ok, amigo. Dou um jeito e envio tudo. Ele disse que estava indo viajar para Jaguari e pergunta se não quero nada de lá. "Queijo, salame, uva e vinho", apresento a minha lista. "Tá. Um vinho eu te trago", responde o César, dando uma de surdo e ignorando que eu pedi também queijo, salame e uva. Eheheh.
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Tive a grata satisfação de conversar outro dia com a Marta Marchiori. Já tinha dialogado brevemente com ela uma vez e havia percebido que ela era inteligente e de bom gosto. Apenas confirmei isso ao conversar novamente. Pessoa agradável, fina e elegante. E que está atenta a tudo o que acontece em Santiago e região.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Teias invisíveis

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Vai piorar antes de melhorar. A frase do presidente americano Barack Obama reflete não apenas o panorama econômico americano e mundial, em função da tão propagada crise. As coisas sempre pioram antes de melhorar. É como dizem "depois da tempestade, a bonança". Durante o final de semana, Santiago registrou o primeiro homicídio do ano. É possível que nesta semana a gente veja pelas ruas familiares do rapaz assassinado empunhando faixas e cartazes pedindo justiça, lei e ordem. Essa é a natureza do ser humano: quando ele é atingido, resolve agir. Resolve exigir uma sociedade melhor, mais justa e mais igualitária. Afinal, é para isso que paga os seus impostos (até quando compra a cerveja) e exerce a sua cidadania.

Quando se está doente, se reclama da falta de saúde. Mas quando se tem saúde, nada se diz, nada se percebe e o ser humano segue abusando de todo o tipo de vícios ou práticas. Sempre piora antes de melhorar. É certo que já estamos vivendo o princípio do fim, o final de um estágio. Não sei como será daqui para a frente, mas é certo que as coisas devam piorar, como profetizou Obama.

Hoje temos toda a tecnologia do mundo, avançadíssima, à disposição da humanidade. Gastam-se trilhões na criação de um acelerador de partículas ou em programas espaciais. No entanto, se tais investimentos fossem capitaneados para a recuperação ambiental ou mesmo a recuperação moral de nossa humanidade, é certo que seria muito melhor aplicado do que tentar descobrir a origem do universo. Importa saber de onde viemos?

Sim, importa. Mas talvez importe muito mais saber para onde estamos indo. Nada ocorre em separado no planeta ou no universo, que funciona como as engranagens de um relógio. Está tudo relacionado e intrínseco, como uma enorme teia social, onde todos estão unidos e todos são atingidos. Não basta que a sociedade cobre dos governos para que invistam em educação, como sendo a chave de tudo. Não adianta fazer investimentos bilionários numa educação institucional, se a família- o princípio da coletividade, o micro-universo familiar- falha ao lançar para a sociedade um elemento carregado de problemas psico-sociais, levando uma herança familiar com os mais variados traumas ou obsessões.

É a família a célula da sociedade. E é de lá que surgem todos os tipos de pessoas, as boas e as más. As que conviverão de forma pacífica com seus semelhantes e as que irão explodir cabeças com tiros de trinta e oito. No entanto, não basta pensar a educação de forma mecânica: sala de aula-livros-palestras-concientização. Ocorre que hoje há inúmeras teias "invisíveis" que contribuem para a degradação social.

E esses mecanismos estão espalhados em tantos péssimos exemplos políticos, na lamentável música que se produz, nos pseudo-artistas (Zorra Total, Mulheres-Melancia?), ou nos extremamente nocivos programas de televisão, novelas, big brothers, noticiários, etc. Até que ponto, por exemplo, os meios de comunicação de todo o país cumprem um papel importante em nossa sociedade? Prestar a informação é importante, sim, e sacia a nossa sede de curiosidade. Porém, o que ocorre quando se cria a sensação de insegurança e a certeza da impunidade ao se veicular informações a respeito do aumento da criminalidade e a consequente desvalorização dos setores de segurança? Reflexão: será que tudo isso precisa piorar antes de melhorar?

Tigre, tigre...

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Nada de novidade no front. Passei os últimos dias trabalhando muito, intensamente. Aliás, trabalhar em Natal e Ano Novo foi só o que fiz e só agora estou começando a me dar conta que um ano terminou e que outro iniciou. Eu trabalho e pago para trabalhar. Neste domingo, ainda me peguei falando que estava em 2008. A gente tem esses lapsos. Ainda nem parei para pensar o que 2009 significará para mim, o que pretendo fazer, o que pode vir a acontecer. Nada disso. Essa semana, possívelmente, é que vou poder colocar a cabeça mais ou menos no lugar e analisar as situações. O ano que findou foi, para mim, bastante promissor e espero fazer de 2009 um ano melhor, aproveitando das oportunidades que surgirem, buscando a evolução e "queimando pontes", como diz minha amiga Elisandra Minozzo. Só sei que não vou repetir em 2009 algumas loucuras que eu fiz em 2008, tipo ficar 36 trabalhando direto e sem dormir, só na frente do comput; não vou acampar (gosto de natureza, mas morro de medo de cobra) e nem vou mais gastar dinheiro comprando DVD's com intenção de montar locadora, que é um negócio sem futuro nos dias atuais, por causa da TV Digital, Downloads e pirataria.
Mas é certo que em 2009 quero estar junto dos amigos e, especialmente, de pessoas que eu amo.
Esse post não tem nada a ver, é só para atualizar o blog um pouco. Depois vejo o que eu faço. Saco. Sem sono, sem inspiração, sem vontade de nada. Tô entrando naqueles dias...
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Fora que peguei chuva e acabei gripando.
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Pelo menos é muito bom dormir com chuva. Volto mais tarde, quem sabe, talvez. Enquanto isso, vou ponderar sobre a poesia abaixo, de William Blake. (A imagem acima é uma pintura de autoria da querida artista santiaguense Adriana Madrid)
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O Tigre
(Título Original: "The Tiger")

Tigre, tigre que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?

Em que longínquo abismo, em que remotos céus
Ardeu o fogo de teus olhos ?
Sobre que asas se atreveu a ascender ?
Que mão teve a ousadia de capturá-lo ?
Que espada, que astúcia foi capaz de urdir
As fibras do teu coração ?

E quando teu coração começou a bater,
Que mão, que espantosos pés
Puderam arrancar-te da profunda caverna,
Para trazer-te aqui ?
Que martelo te forjou ? Que cadeia ?
Que bigorna te bateu ? Que poderosa mordaça
Pôde conter teus pavorosos terrores ?

Quando os astros lançaram os seus dardos,
E regaram de lágrimas os céus,
Sorriu Ele ao ver sua criação ?
Quem deu vida ao cordeiro também te criou ?

Tigre, tigre, que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão, que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria ?

William Blake

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Rodrigo Vontobel

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Eis um flagrante de meu amigo e irmão Rodrigo Vontobel Rodrigues, trabalhando em seu escritório. O RV, como eu o chamo, é um grande profissional, ser humano de raro caráter e é o orgulho de seus pais, o Ery e a Rosane. Formado pela URI-Santiago, esse jovem advogado já acumula uma experiência e tanto, tendo sido o primeiro Procurador Jurídico da Câmara de Vereadores de Santiago, onde trabalhamos juntos em 2007, quando eu também atuava como chefe de gabinete da Presidência. Ali, nasceu a nossa amizade forte e duradoura. Já o conhecia de nome, conhecia algumas de suas idéias através de uma coluna que ele mantinha no jornal Folha Regional e também conhecia os seus pais. Mas ainda não o conhecia.
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E na Câmara, estreitamos laços de amizade e, certamente, formamos uma dupla e tanto, capaz de marcar época no Poder Legislativo, coroando de muito trabalho a administração do então presidente Diniz Cogo. Sinto falta do convívio diário com esse amigo, o qual levo sempre no coração e na lembrança. E, sempre que posso, dou uma chegada em seu escritório para apertar-lhe as costelas e convidar para tomar uma cremosa (apesar de que ele nunca vai, para dedicar-se à Rafa ).
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No ano passado, o Rodrigo Vontobel conseguiu superar-se fazendo um trabalho brilhante à frente da Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Capão do Cipó, onde sucedeu nada menos que o experiente Miguel Garaialdi, professor universitário e ex-prefeito de Manoel Viana.
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Hoje, com o término da administração de Serafim Rosado, o RV está de volta ao seu escritório (fone 3251-5032), sempre com a mesma firmeza e o compromisso com a ética, honra e todos os valores herdados de seus pais. É colunista do jornal Expresso Ilustrado e mantém o seu blog http://www.rodrigovontobel.blogspot.com onde manifesta suas opiniões.
Com 27 primaveras nas costas, ele já acumula uma experiência e tanto como advogado e duas vezes Procurador Jurídico de Administrações Públicas. Torço que, em breve, ele esteja alçando vôos cada vez maiores, à altura dos desafios que sempre foi acostumado a enfrentar e equivalentes ao seu brilhantismo.
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É certo que o desempenho apresentado por ele e elogiado por prefeitos, legisladores e até pelo Tribunal de Contas lhe renderá o lugar merecido em nossa sociedade. Afinal, qualquer instituição pública, privada ou um grande escritório de advocacia só cresceria com a soma do nome de meu amigo Rodrigo Vontobel. Não estou rasgando seda para ele à toa. É certo que sua boa fama o precede.

Post literário e cultural

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Já vou avisando: esse meu post só fala sobre cultura e literatura.
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Fiquei muito feliz com a receptividade no meio literário santiaguense e especialmente entre os leitores do novo espaço ecriado no jornal Expresso Ilustrado, que é a coluna Rotação Literária. O objetivo deste espaço é de mostrar o trabalho de novos escritores de nossa cidade, oportunizando o surgimento de mais talentos. Na semana passada, saíram dois mini-contos do amigo Marcus Vinícius. Nesta semana, dois poemas do Alessandro Reiffer. Para as próximas semanas, já temos recebido trabalhos de escritores como Giovani Pasini, Ligia Rosso, Juliana Machado e muitos outros. Cada semana é um autor diferente e quem quiser pode enviar textos para o meu e-mail: marciobrasil7@bol.com.br.
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Para mim, foi uma honra ter o texto, a foto e o nome do Marcus (meu mano) ao lado de minha coluna no jornal. A nossa amizade já vem de longa data, desde crianças. Reparem na foto acima. Nosso antes (lá na década de 90) e agora (a minha foto é desta semana, a do Marcus de pouco tempo atrás, só que ele adora usar barba e nesse dia estava sem). Da criança maravilhosa que era, o Marcus tornou-se um escritor de talento, um músico sensível e um ser humano sensacional.
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Na manhã desta quarta-feira, tive a satisfação de conversar com o vereador Miguel Bianchini, que já está plenamente integrado aos novos compromissos como presidente da Câmara. Empolgado, ele me garantiu que iria conversar com o prefeito Júlio Ruivo e que o auditório multicultural Caio Fernando Abreu vai mesmo sair do papel. Bianchini compreende que tal projeto irá fortalecer a identidade cultural de Santiago, ao mesmo tempo em que eterniza de forma respeitosa o maior ícone de nossa literatura e também oportuniza o surgimento de um novo espaço, que tanto pode ser usado para a cultura quanto para eventos da própria Câmara ou da Prefeitura. Divido com o vereador Bianchini a expectativa de ver esse projeto materializado.
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Ainda não foi nomeado nenhum titular para assumir o Departamento de Cultura da SMEC, apesar de alguns nomes terem sido cogitados. A possibilidade é de que o Departamento acabe regressando ao núcleo da SMEC, dentro da nova política de gestão. Vamos ver como é que fica.
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A Casa do Poeta de Santiago, coordenada pelo escritor Giovani Pasini, está lançando um concurso literário nas categorias de Conto, Crônica e Poesia. As inscrições já estão abertas e o regulamento está à disposição no site da casa do poeta http://www.casadopoetadesantiago.com.br ou na livraria do Tide Lima.
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Fui convidado pelo amigo Alessandro Reiffer para participar de uma janta na casa dele que vai acontecer no próximo domingo. A ocasião pretende homenagear os 200 anos da memória do Edgar Alan Poe, o mestre do mistério na literatura.
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Rapaz do céu. Ontem fui surpreendido com um simples scrapp no Orkut. Era a Irene Gomes, grande comunicadora, jornalista e hiper conhecida no meio tradicionalista do Rio Grande do Sul. Ela perguntando da minha mãe como estava e falou da tia Maria, lá de São Luiz Gonzaga. Aí, me dei conta de uma coisa que eu não sabia: ela é minha prima. Quando criança, eu frequentava a casa da tia (mãe dela), mas perdi o contato. Cresci e nunca mais a vi. Quer dizer, a vi tempos depois e várias vezes, mas nunca me toquei que a famosa Irene Gomes era a minha prima Irene. Que coisa, não. Mas fiquei super-feliz em ganhar uma prima que eu já tinha. Eheheheh.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Jones Diello

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Esse rapaz curioso, posando para uma câmera, é o Jones Diello, filho de meus amigos Chico e Luana. Está com três meses. Fiz a foto essa semana na casa deles. Apesar deles terem me convidado para ser o padrinho do guri, confesso que evito de segurar criança no colo, porque não tenho o menor jeito para isso. Mas eles aproveitaram que eu estava distraído e largaram o Jones para mim. E o guri me olhava, dava risada e me deixava assustado. Desajeitado, tinha medo de machucar a criança. E, claro, a Luly aproveitou que eu não conseguia nem respirar para fazer uma foto minha e mostrar para o resto da turma. Tá louco, que aflição, não tenho vocação para ser pai, mesmo. Prefiro admirar o Jonesinho no colo de seus papais.





Curso de Letras da URI

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Recebi o e-mail da querida amiga Lígia Rosso, divulgando o curso de Letras para o Vestibular da URI. Eis a mensagem:


"Olá! Você é uma pessoa especial!
São tantas as coisas boas que temos para dizer-lhe! Pode nos dar um minuto de sua atenção? Isso poderá fazer a diferença em sua vida.
Você já concluiu o Ensino Médio! Certo! E agora? Já tentou algum vestibular? Pretende continuar seus estudos, mas ainda não se definiu?
Uma porta se abre agora para você:
- uma universidade de qualidade, com credibilidade, bem conceituada – a URI
- um Curso que habilita para um leque de atuações – LETRAS
- aulas dinâmicas
- ambiente humanizador
- clima de convivência muito legal
- aprimoramento da comunicação oral e escrita
- visão de mundo com muita leitura
- convívio com a arte, que envolve, entusiasma e desinibe – POESIA, MÚSICA, TEATRO, ...
- criticidade – você opina, TEM VOZ e TEM VEZ!

Venha conhecer este grande Curso!
Escreva sua história nas LETRAS!
Maiores informações?
Venha ao campus da URI – Santiago.
Informe-se sobre o pagamento. Várias são as possibilidades facilitadoras para que você possa ser um de nossos acadêmicos.
Não deixe passar esta oportunidade: segunda edição do vestibular de verão/2009.
Inscrições até 12/02/09
Prova única no dia 14/02/09 (05 questões de Português, 05 questões de Matemática e redação).
Na opção do curso: estamos apostando que você já está começando a “apaixonar-se” pelo de LETRAS. Você não vai se arrepender!
Aqui é o lugar bom para estudar, crescer, fazer amigos, ...
Estamos esperando você com muito carinho! Aqui é o MELHOR LANCE DA SUA VIDA!

Atenciosamente,
Coordenação do Curso de Letras
URI - Santiago

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Blogueiro pedincha

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Vou também abrir uma campanha para pedinchar através do blog. No caso, estou precisando de um tênis All Star novo. O meu já deu o que tinha que dar, como pode ser conferido na foto acima. Confesso que, vez por outra, eu ainda o calço só para matar a saudade do conforto. Infelizmente, quando tu sai com um tênis assim, as reparadeiras não tiram os olhos dos seus pés, aí não tem jeito. Tem que trocar mesmo. E como eu sou o mais pobre dos blogueiros de Santiago, está aí a minha solicitação...

Então, se alguém quiser me dar um All Star novo, eu aceito. Não mandem em carne, por favor, porque sou meio vegetariano (como é que é isso?) Se quiserem me dar mais algum presente, estou precisando comprar a Watchmen edição especial e de um aparelho de DVD toca-tudo, um aparelho de som, um aparelho de celular, cuja bateria não fique desconectando e desligando, um ar-condicionado, um cortador de unha, um puxa-saco (daqueles de guardar saco plástico), um litrão de Coca, uma garrafa de vinho Miolo, um Playstation 3, uma bolsa de estudos, uma bolsa de viagem, uma chaleira daquelas que assovia quando a água está quente, um colchão king box, uma TV 21 polegadas, um MP5, um cinto novo, um sapato que não aperte, uma viagem com tudo pago e direito a acompanhente até Ernesto Alves, um...
Enfim, mas se alguém preferir ao invés de me dar qualquer coisa dessas, ajudar alguma instituição de nossa cidade, vou ficar feliz do mesmo jeito.
:)

Flagra na Copa?

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Ao abrir o blog do meu amigo João Lemes, levei aquele "suxto", como diz o Mulita. Entre algumas fotos feitas (pelo "maquiavélico" Taborda) na Copa Santiago, eis que havia uma foto que me identificava ao lado de belas loiras. E o texto ainda afirmava que se tratava de mim mesmo. Fiquei numa tremenda dúvida: será que eu tinha mesmo ido ao estádio? E conversado com aquela moça tão simpática e curvilínea? E, o pior de tudo, sequer lembrava disso? Tive uma crise de consciência. Estaria eu acometido de uma crise de dupla personalidade, tipo dr. Jekill/Mister Hyde? Ou seria um caso de clonagem a ser investigado, ou mesmo um irmão gêmeo?
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O pior é que depois recebi uma ligação de um possível clone, dizendo que ele tinha saído com uma moça linda outro dia e que ela tinha gostado dele, porque achava que ele era eu. Eu respondi que tudo bem, não tinha problema. Aí, ele me contou que tinha levado ela para o motel e que ela só aceitou porque achava que ele era eu. Respondi que não tinha problema mesmo. Só que aí ele respondeu: "acontece que foi a maior broxada que tu já deu".
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Aí, é pra acabar com o ramo da gente.


(Calma, leitores. Só entrei no clima da brincadeira dos meus amigos)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Angela nel blu

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Vestida de branco, ela entra no salão. Passos lentos e calculados. O sorriso era o mais bonito que o mundo já vira surgir em seu rosto. O coração acelerado, invadido por uma alegria que jamais sentira em toda a sua vida, até então. Um coração que não cabia em si com tanta alegria e que, ainda bem, encontrara outro coração para dividir tanta emoção. No semblante do outro, a compreensão e a confiança no olhar. Ao seu lado, a pessoa que a completava, sua outra metade. O seu elo encontrado. Duas almas tornando-se uma só, unidas fisicamente pelo contato das mãos entrelaçadas. Espiritualmente, voavam como dois anjos. A delicadeza de seus passos fazia crer que ela pisava em pedaços de nuvens, flutuando no ar. E ela iluminava a noite com seu sorriso. O mais bonito que o mundo já viram surgir em seu rosto.Em volta, rostos de todas as matizes. Sorrisos de todas as nuances e aplausos de todos os tons. Em tela, a simbologia do amor verdadeiro, da busca coroada de êxito. "Sim", ela disse. "Sim", ele também respondeu. E a aliança então os uniu. Todos aplaudem. Os românticos choram. Os sonhadores idealizam. E os realistas? Desdenham, talvez. E, à sua maneira também choram e idealizam. Amor, quem sabe? Daqueles que não se realizam...
***
Durante a cerimônia de casamento de sua amiga, Ângela encara-se no espelho do toalete, após receber cumprimentos por ter conseguido fisgar o disputado buquê. Ironia e tanto para quem não vê beleza em flores mortas. Finge retocar a maquiagem e admirar-se em seu vestido azul. No reflexo, encara a tristeza de seu olhar e tenta compreender-se como ser humano. Tenta compreender suas ações, suas emoções complexas, suas atitudes desconexas. Ela foge de quem quer estar perto. Ela nega o amor que sente, quando o que mais queria era abraçá-lo com toda a sua estúpida alma, cheia de defeitos e anseios. Ela reluta, quando só queria baixar a guarda. Ela sorri, querendo chorar. No salão, o seu amor. No rosto, a sua dor. Ângela respira fundo e aprisiona todos os beijos, abraços e sonhos mais uma vez e estanca todas as lágrimas. Antes de entrar em cena, retoca a maquiagem. A noite é de festa...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O meu dia hoje até esta postagem...

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O meu dia começou hoje por volta das 9h45. A primeira voz que eu ouvi foi a do meu amigo Jones Diniz, no comando do Olho Vivo. Como os leitores do blog já sabem, meu pai é meio sócio da Rádio Santiago e passa ouvindo os programas. Ele começa lá pelas 7h e só desliga quando acaba o Jornal Falado. Aí, liga a tv para ver o Jornal Hoje. Mas enfim. Levantei e rapidamente tomei um banho, procurei uma camiseta e encontrei uma que estava praticamente guardada dentro de uma garrafa (ou no bucho de uma vaca). Restou pegar o ferro de passar e rapidamente tentar resolver. Cumprida essa etapa, tomo rapidamente um gole de café numa caneca que não é a minha, já que a minha eu quebrei por bocaberta, aí saio rapidamente. Antes de sair, minha mãe pergunta se iria ver a transmissão do Jornal do Almoço. Eu disse que sim, iria. E ela me avisa que vai ficar esperando para me ver na televisão. Respondo que ela estava me vendo aquele momento, como me via sempre. Ela responde que queria ver como eu ficaria na televisão.

E saio para a rua, subindo a Carovi, atravesso os trilhos e subo a rua Guirahy Pozo, cruzando em frente ao QG. Alguém cruza por mim de carro e buzina, não vi quem era e nem sei se era para mim. No calçadão, cruzo em frente a loja do Kamal e dou uma acenada para ele. Sigo rumo à praça central. De longe, avisto a Kombiteka da URI e vou me aproximando do centro da praça. Neste dia, fora de casa, a primeira pessoa com quem veio falar comigo foi o Oracy Dornelles. Falamos brevemente sobre a Rua dos Poetas e afins. O Oracy chega a comentar, sobre a vinda da RBS TV que a imagem da santa estava bem pintadinha para aparecer na TV. Em seguida emenda que "correram o Zé Bolacha da casa dele". Rio com a ironia e, em seguida, me despeço. Vejo a Jéssica Marques e a Cristiéli Lanes se preparando para mostrarem seus trabalhos. As cumprimento rapidamente, pois gosto de ambas. Em seguida, vou tratar de tirar algumas fotos. Encontro o meu amigo Éldrio Machado. Conversamos um pouco e ele me antecipa uma novidade, mas diz que não é para eu falar sobre ela. Ok. Guardo o segredo. O Ataliba se achega para conversar e, em seguida, surge o grande Sadi Machado oferecendo chimarrão numa cuia do Grêmio. Mesmo sendo colorado, o Éldrio aceita o mate do tio. Ela desliga o telefone. Em seguida, me desloco e vou dar mais uma conversada com o Oracy Dornelles, que eu vejo sozinho logo adiante. O Ruderson Mesquita cruza por ali e chega para nos apertar a mão, saindo logo em seguida.

Seguimos eu e o Oracy conversamos mais um pouco, a respeito do lançamento de seu livro, o 10º de sua vida, que será só de caricaturas. Ele me diz que convidou muitas pessoas e está curioso de saber se o Sidnei Garcia e o João Lemes pretendem ir. Eu informo sobre o casamento da Camila, que é sábado, e é possível que algum deles não vá. Também estou divido, pois pretendo ir nos dois lugares. Vamos ver no que vai dar. Em seguida, o professor Clovis Brum, diretor da URI, aparece e nos cumprimenta. Ele demonstra felicidade de ver a cidade mostrando suas coisas boas na televisão, o que coincide com a campanha de pensamento positivo sobre Santiago. Peço para que ele me consiga um logotipo da campanha para eu pôr no blog e ele diz que vai me enviar. Após, o Oracy sai para conversar com outro amigo e o Clovis segue falando comigo. Aparece a professora Salete Reolon e nos cumprimenta. Ela estava vestida com a camiseta da URI. O professor Clóvis decide se retirar para vestir a sua também e tirar o casaco que estava usando. Fico sozinho por uns instantes, olhando o movimento. De repente, surge o Paulo Doleys Soares, me cumprimenta e me pede uma caneta emprestada. Quer anotar o meu e-mail. Ele conta que está morando em Sapiranga, mas costuma acompanhar o meu blog. Fico feliz. Sem saber o que estava acontecendo na praça, ele me pergunta o que era aquele movimento todo. No mesmo instante está cruzando por ali o seu Sérgio Peruffo e eu puxo ele para a conversa, respondendo alto ao Doleys e dizendo que aquela função toda era porque o seu Peruffo iria dar uma entrevista para o Jornal do Almoço. Simpático, ele se achega para prosear comigo e com o Doleys.

Aproveito que os dois estão conversando e me retiro para tirar fotos, pois já estava para iniciar a transmissão do Jornal do Almoço. Acabo encontrando a Marta e a Juliana, que trabalham no Balcão de Desenvolvimento. A Marta é super-simpática, como sempre e me conta que a apresentadora do JA é sua amiga. A Juliana? Uma gata de olhos verdes. Cumprimento-a, mas não fico tirando relações por conta. Fico na minha. Encontro o Chicão que vem me cumprimentar e dizer que o Paulo Pinheiro e o Jones tinham comentado sobre mim no rádio e feito alguns elogios. O Chicão estava muito contente em ver a praça cheia de gente e estar meio ao público. É incrível de perceber o carinho que todos tem para com ele. Cumprimento a Juliana Vitorino, que agradece por uma foto publicada no jornal falando de sua aprovação na OAB. Ela é muito querida. Converso brevemente com o Rodrigo Smolareck, em que paro uns segundos para dar um abraço. Logo adiante, converso por alguns minutos com o Christina Bellaguarda, um piscólogo jovem e muito bacana. Saio para o outro lado da praça e encontro o seu Ery Rodrigues, pai de meu amigão Rodrigo. Conversamos bastante e ele me cobra por não ter aparecido em sua casa nem no final do ano e nem no início. Fico devendo uma visita. A essa altura, os apresentadores do JA estavam entrevistando os escritores de Santiago. Ele diz para eu ir até lá e aparecer na TV também, mas digo que preciso tirar fotos. Mas a verdade é que prefiro ficar atrás das câmeras. É mais seguro.

Encontro o Paulo Pinheiro, conversamos um pouco sobre política e agradeço pelos elogios que, eu soube através do Chicão, ele e o Jones tinham feito para mim. Enquanto conversámos o Rodrigo Vontobel me liga e diz que não iria poder assistir o Jornal do Almoço porque estavam trocando um poste na frente da casa dela. Barbaridade. A essa altura, o Jornal do Almoço estava começando e o Pinheiro se retira para voltar à Rádio Santiago. Dou mais uma circulada. O Sérgio Marion cruza e me cumprimenta. Fico do lado da Marta Finamor, que é uma pessoa encantadora e conversamos brevemente. A Juliana estava por ali, linda. Me retiro, vou procurar minha turma. Lembro que minha turma não estava por lá. Páro um pouco e fico conversando com o Davi Vernier, que é uma pessoa muito agradável e um amigo de vários anos (comprava dele lá no Ponto Frio). Uma cigana me pergunta se eu quero ler a sorte, digo que não. Sugiro ao Davi para que leia a sorte dele para descobrir se ele seria o presidente da Câmara o ano que vem. O Davi dá risada. Em seguida, o Brisola aparece e daquele jeito dele, chega se intrometendo no nosso assunto e diz que vai concorrer a vereador em São Borja e que, lá, ele se elege. Pois tem um cara "grande" que iria colocar 50 cabeças de boi na campanha dele. Dou risada e pergunto ao Davi o que ele faria se tivesse 50 cabeças de boi na campanha dele para vereador. O Brizola percebe que eu estava de piada e me retruca dizendo que ele vai se eleger, sim. E depois, vai pagar o investimento do amigo "grande". Sugiro que ele deveria mudar de partido, ir para o PDT, que dai fecharia o nome de Brizola. Ele responde que era exatamente iso que iria fazer. Saio dali e vou para os lados do seu Ery novamente. Cumprimento o Bruno, que trabalha na Prefeitura.

Ele brinca comigo dizendo que o Jornal do Almoço estava deixando de transmitir duas atrações, o Brizola fazendo campanha e o Zé Bolacha cantando. Aliás, vi o Zé Bolacha com seu pandeiro cantando algo tipo "Minha cunhada/Não te esqueça que posso perder a cabeça e te amar". É um grande poeta, o Zé. Falando em Zé, meu último diálogo na praça foi justamente com um Zé, o Lir. Meu amigo do Letras Santiaguenses. Ah, sim. Enquanto conversámos o Marquinhos Peixoto foi até nós e me convidou para ir na primeira sessão legislativa do ano. Aceito o convite. Ele pergunta se o jornal iria tirar fotos dos novos vereadores e eu respondo que óbviamente essa seria uma obrigação do jornal. Ele me conta uma história que achei engraçada. Um eleitor o procurou pedindo R$ 80, pois tinha que ir encontrar a mulher em Santa Maria. O Marquinhos disse que não tinha dinheiro, que condena esse tipo de prática. Em seguida, o homem observa que ele já estaria devendo mais de R$ 500 para ele, desde a época da campanha. Acontece que toda vez que o homem o procurava para pedir, o vereador dizia que não tinha e ficava para outra vez. Só que o eleitor ficou somando todas as vezes o dinheiro que ficaria para depois e, assim, somou aquela quantia. Brinco com o Marquinhos dizendo que ele pode ir parar no SPC Político. Em seguida, ele se retira.

O Zé Lir me pergunta qual é o meu rumo. Eu digo que vou descer para o jornal e largar a câmara por lá, pois tinha um compromisso em seguida. O Zé me acompanha, pois a sua casa fica na mesma direção. Depois de largar a câmera no jornal e descarregar as fotos, corro até a pracinha. No caminho, cruzo pelo Jones Diniz, meu amigão. Ele, como sempre, segura meu braço puxa o assunto e quer me impedir de sair. É um brincalhão. Consigo me desvencilhar do Jones e encontro a Tainã Steinmetz. Acompanho ela até a URI. Lá, enquanto espera ela resolver algumas coisas, converso com o Guto Pinto e ele conta sobre projetos na área ambiental. Depois, saio de lá cumprimentando a sua esposa, Michele. No caminho, cruzamos com o Jonathan. Enquanto a Tainã resolvia um probleminha, converso com o professor Clóvis Brum, que me fala de alguns projetos e ele reforça um convite que já me havia feito há alguns dias.

Enquanto aguardávamos o ônibus, aparece o seu Ery e a professora Rosane Vontobel, de carro. Ela desce e vem falar comigo, chateada porque há vários dias não vou na casa dela. Fiquei mal comigo mesmo e prometo ir visitá-la neste final de semana. Espero, em nome de Odin, que eu consiga ir. O ônibus estava chegando. Dentro dela, vinha a Lígia Rosso. Nos abraçamos rapidamente e dou um beijo no rosto dela e lamento ter que ir embora, também me despedindo da profe Rosane. No caminho, de ônibus, a Tainã fica me debochando porque eu não "sabia andar num ônibus". Pior que é verdade. Por minha causa, a gente quase perde o ponto de descer. Acompanho ela até o escritório do Rodrigo Vontobel, porque ela tinha um presente para me dar. E ela me dá o presente: uma caneca igual a que eu tinha quebrado no dia anterior. Pura coincidência, mas ela sem saber o que eu tinha perdido me deu de presente exatamente a mesma caneca.

Ela pergunta se gostei. E, é claro, que amei o presente: era um caneca com o símbolo do Batman. Ela conhece minhas pequenas manias de fã de história em quadrinhos. Afinal, ela também adora quadrinhos, super-heróis, literatura e essas bobagens legais. Depois, preciso correr até em casa para pegar meu notebook. Chego em casa e sei que meu tempo é exíguo e resolvo não comer nada. Entro direto para o banho e troco de roupa. Antes de sair, minha mãe pergunta porque eu não apareci na televisão junto com os outros. Eu respondo que pensei em não aparecer na TV porque era possível que a Globo me visse e quisesse me levar embora de Santiago, longe dela. Minha mãe pensa uns dois segundos e responde. "Que bom que tu não apareceu na TV, então". Subo para o jornal, e mergulho no trabalho e sigo trabalhando por várias horas. Lá pelas 8h30 da noite, penso em todas as pessoas que eu vi e conversei no dia de hoje. Dou uma pausa no trabalho e resolvo escrever um texto para o blog. Esse mesmo que você acabou de ler.

Texto sem revisão

Sono e besteiras

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Cheguei em casa por volta de 2h30min. Antes de dormir, resolvo que tenho de escrever alguma coisa para colocar no blog e, óbvio, dar uma rápida passagem por outros blogs e verificar o meu e-mail. Logo mais, pela manhã devo estar na praça para assistir/registrar e participar da gravação do Jornal do Almoço, da RBS TV. É possível que eu invente de querer aparecer pelas costas de algum dos entrevistados dando uma acenadinha para a câmera ou, vá lá, fazendo guampinhas. Ainda não decidi.
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Estou em déficit de sono. Há várias noites tenho chegado tarde em casa e ido dormir tarde. Não teria problemas se eu conseguisse dormir até tarde, mas geralmente isso é difícil pois acabo acordando pela manhã, com os movimentos pela casa.
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Penso em tomar um café antes de dormir, pois sou viciado na bebida. Ao contrário do que possam pensar, café não me tira o sono. Aí, tenho a desagradável lembrança de que hoje pela manhã, antes de sair correndo, eu quebrei a minha xícara preferida. Simplesmente babaqueei e deixei caí-la no piso e espatifando-se. Tive de recolher os cacos, um por um e pôr no lixo, quieto. Minha mãe ouviu e perguntou o que eu tinha quebrado. Falei baixo, mas com raiva de mim mesmo que tinha sido a minha xícara. Olhei para o meu pai e ele estava apertando os lábios para não rir. Eu o autorizei. "Pode rir. Dá risada". E ele riu, dizendo que "ainda bem que tinha sido eu a quebrar a xícara". Respondi que não. Preferia que outro tivesse quebrado, pois julgaria um acidente. Como fui eu, considerei uma idiotice.
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O que aconteceu ao Celta? Vendi para o meu amigo Diniz Cogo. Mas toda a vez que ele excede os limites de velocidade, sou em que recebo as notificações. Desacelera, Diniz.
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Mas olha o que o sono não faz com uma criatura, eu aqui falando sobre carros e xícaras, que assunto bobo até o sono chegar. Que idiota que sou. Duplamente.
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Mas que eu gostava da xícara, gostava...
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Ainda não pude tirar aquela folga que eu pretendia. Estou trabalhando acelerado, com meu cérebro reduzindo-se a uma ervilha, praticamente. Sinto-me um tanto esgotado e pouco criativo. Só não perco a criatividade para falar bobagem. Nisso, sou campeão.
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Mas só bobagem construtiva. Amanhã, pela manhã vou me arrepender de ter escrito tanto besteira. Mas sou que nem o Paulo Coelho. Deixa o erro acontecer...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ainda Sete de Janeiro (Na falta de título melhor para a postagem)

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Fui dormir tarde ontem e, em função disso, acordei tarde hoje. Quem me acordou hoje foi o Paulo Pinheiro, pois meu pai estava com o rádio a todo volume ouvindo o programa Santiago Atualidade. Sei que o Pinheiro estava indignado com uma mensagem telefônica que recebeu anunciando que ele teria ganho um Cross Fox. O Jones também comentava que em toda a cidade várias pessoas estão recebendo esse tipo de propaganda, indicando o número para reinvindicar o prêmio. É claro que se trata de um golpe, mas sempre tem algum idiota que caia. Eu mesmo recebi uma mensagem dessas e liguei, depositei o valor pedido, mas até agora nada de Cross Fox. Será que era golpe?
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Brincadeira. É claro que não iria ligar para essas porqueiras. Mas o pior é que tem gente que cai. Mas bastou o Pinheiro e o Jones comentarem sobre o assunto que choveu telefonemas para a rádio contando a respeito desse assunto.
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Mas o assunto que julguei de maior relevância, até onde ouvi o programa foi o do incêndio de um poste de energia elétrica próximo da barragem da Corsan, o que indignou o apresentador. Em função desse incidente, vários bairros ficaram sem água. Aqui em casa, grazie Dio não faltou.
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Lá pelas 11h estive na prefeitura, participando de uma pequena reunião com os amigos João Otávio Biermann Pinto, Éldrio Machado e Júlio Prates, onde diálogamos a respeito de trabalho. Depois disso, no pátio da prefeitura eu e o Júlio peregrinamos atrás de um pouco d'água. Não tinha. O centro tinha sido atingido por obra dos desocupados que incendiaram o poste. É como diz o filósofo Sadi Machado, para algumas pessoas tem que dar "pau em vez de pão". Onde já se viu queimar um poste? Qual é o benefício? Como tem gente insignificante nesse mundo. A inconsciência está além de qualquer conscientização.
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Depois disso, o Júlio me deu uma carona me deixando próximo da loja Becker, onde fui pagar uma conta. Ele rumou para a Qualygraph, onde iria conversar com o amigo Pedro Zolin.
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Paguei a conta na Becker e dei uma passada no meu amigo Bactéria (Vulgo Rodrigo Kickow ou vice-versa). Conversamos um pouco e trocamos algumas idéias. Ele aproveitou para me mostrar uma penca de filmes que baixou na internet. Eu também peguei esse vício de fazer downlod de filmes para assistir.
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Ontem à noite um amigo me ligou pedindo R$ 100 emprestado. Eu expliquei a ele que não tinha e que emprestaria se tivesse, como já fiz diversas vezes. Ele então, respondeu que tinha uns R$ 1 mil na conta do banco, mas não queria mexer por causa dos juros. Mandei o meu amigo tomar Coca-Cola e disse que se eu tivesse R$ 1 mil no banco estaria emprestando dinheiro a juros. Me caiu os butiás do bolso com a avareza dele. Barbaridade. Esse meu amigo é do tipo que se preocupa com juros de 50 centavos. Nunca consegui ter esse apego ao dinheiro.
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Ontem conversei um pouco via MSN com minha irmã Camila, que mora em Santa Maria. Ela me contou que está trabalhando no MC Donalds. Fiquei feliz. E tratei de fazer um pedido: guarda para mim alguns brindes que vierem nos Mc Lanches Feliz. Eu amo muito tudo isso.
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Calor, né?

Sete de Janeiro

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Na manhã desta terça-feira estive visitando a Câmara de Vereadores, onde pude falar brevemente com alguns amigos. Também tive a oportunidade de ser recebido no gabinete do novo presidente do Legislativo Santiaguense, vereador Miguel Bianchini. Ele está com boa expectativa de muito trabalho para o ano e me afirmou que pretende tomar o peito para fazer pelo menos duas obras: a ampliação das bancadas e também a construção do Auditório Multicultural Caio Fernando Abreu, acatando sugestão deste blogueiro que vos escreve (e que adora se meter onde não é chamado). É justamente por esse perfil de ouvir a todos e manter uma postura ética é que o Bianchini tem galgado uma trajetória invejável na política santiaguense. E é certo que a presidência da Câmara é, para ele, um degrau que o levará além.
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Tive o privilégio de receber o convite para participar da formatura de meu amigo Éldrio Machado, que está se formando em Direito pela URI, fazendo parte da XI turma deste curso. O Ato Ecumênico acontece no dia 15 de janeiro, a partir das 19, no auditório da universidade. Já a colação de grau está prevista o dia 16, a partir das 18h.
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Sem dúvida um momento muito importante na vida deste amigo. E, tenho certeza, muito mais importante depois do acidente que ele sofreu no final do ano passado. Não sei se ele chegou a fazer essa leitura a respeito de vida/conquistas, mas é certo que um acidente, tal como o que ele sofreu faz a gente repensar a vida. Desejo todo o sucesso do mundo ao Éldrio, que é um grande comunicador e um ser humano de muito valor.
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A partir de sexta-feira, o jornal Expresso Ilustrado estréia um novo espaço. É o Rotação Literária, cujo propósito é abrir espaço para os jovens escritores de Santiago mostrarem um pouco de seu trabalho em poesias, contos e crônicas. O espaço será rotativo, com um autor diferente a cada semana. Tenho a certeza de que o espaço vai agradar aos leitores e será bem-vindo aos amigos que escrevem.
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Durante os próximos dias, é possível que eu esteja um pouco recolhido. É que pedi uma pequena folga de alguns dias para os diretores do jornal. Tenho alguns trabalhos a concluir e também pretendo dar uma breve descansada. Mas isso não me fará parar de escrever, pelo contrário. Fiquei alguns dias sem atualizar o blog, mas não gosto quando isso acontece. Sei que o leitor fica tapado de nojo quando abre uma página e não a encontra atualizada. É um saco mesmo.
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Pior ainda é se deparar com um texto longo e que não tem mais fim. Como o da minha postagem anterior nesse blog. Eheheheh. Não nego que eu estivesse fazendo um exercício de escrita.
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Que o blog apresentava diversos erros de Português, não há dúvida. Agora, que inventaram essa tal de reforma gramatical, o meu blog está cheio de erros dos mais variados tamanhos e formas. Ainda nem parei para analisar que mudanças ocorrem e como vai ser. Confesso que relutei em ler qualquer coisa a respeito, pois achava que era tempo perdido e que a reforma não seria aprovada. Apesar de Portugal não estar muito a fim, o Brasil saiu na frente e já está vigorando essa porqueira.
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O anunciado sistema de aposentadorias, que proporcionará a efetividade de um encaminhamento em cerca de meia hora é um grande feito do atual Governo Federal. Isso vai eliminar todos aqueles atravessadores que costumam ficar com, no mínimo, os dois primeiros salários dos aposentados. É mais um passo para moralizar um pouquinho esse país e estabelecer um pouco mais de respeito aos mais velhos.
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A construção civil segue aquecida em Santiago. Há diversas construções e prédios sendo construídos por toda cidade e há no centro algumas obras milionárias. Um prédio que tá ficando bonito e vai embelezar o centro é esse em frente ao Ministério Público.
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Nesta quinta-feira, a RBS TV estará em Santiago transmitindo ao vivo da praça Moisés Viana. O programa irá abordar todos os aspectos da nossa querida Terra dos Poetas, que completou 125 anos de emancipação político-administrativa. No último domingo, cheguei atrasado na festa promovida em frente a prefeitura e, portando, nem sobrou nenhum pedaço de bolo para mim. O máximo contato que eu tive com o bolo foi ao apertar a mão do Sadi Machado, que me alertou "está grudenta". E tava mesmo. Cheia de glacê. Esse Sadi é uma figura.
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Os locutores Éden de Paula e Diego Soares, depois de saírem da Rádio Iguaçu-FM, estão seguindo firme em suas profissões, porém, fora de Santiago. O seu Gibelino Minuzzi me informou que o Éden está trabalhando em uma rádio na cidade de Alegrete, onde faz sucesso com seu carisma de sempre. Já o Diego está trabalhando numa emissora de Itaqui. Uma pena dois talentosos locutores não estarem contribuindo em nossas emissoras, mas ao mesmo tempo é um orgulho saber que dois talentos locais conquistam espaço em rádios de outras cidades.
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Amanhã começa a Copa Santiago de Futebol Juvenil. E vai ter um monte de Maria-Chuteira em volta do estádio Alceu Carvalho...
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Pô, e esse ano não teve aquelas carreiradas lá no Jockey em homenagem à cidade? Queria ver a égua do delegado correr.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O Conto Proibido

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"As vozes o perturbavam, o perseguiam, o assombravam. E ele tentava livrar-se delas. De início, pensou que se tratava de alguma alucinação. Aos poucos, foi descobrindo que a vida não era o único plano de existência e que mortos o perseguiam. E eles vinham até ele, raivóticos, como se tivesse culpa por escutá-los. Queriam fazê-lo sentir também todo o sofrimento e agonia por perder o corpo físico. Queriam fazê-lo pagar por seus pecados, por suas vidas interrompidas. Alguém precisava ser culpado daquilo, afinal, do outro lado assim como no mundo tridimensional eles não enxergavam nenhum Deus para que pudessem praguejar ou jogar pedras. Impedidos do descanso eterno, eles perambulavam à procura de vítimas para aplacar o seu ódio e inconformidade. E desta forma o perturbavam. Ele resolveu dar um fim aquilo tudo. Iria também passar para o outro lado, pois sabia que as visões não o deixariam em paz. Ele seria, então, uma delas. Pegou o revólver que guardava há muito tempo. O revólver encontrado ao lado do que tinha sido a cabeça de seu pai, incapaz de aceitar a traição da esposa e de seguir criando o filho que ele descobria não ser dele. Ele levou o revólver até a boca. Era hora de acabar com tudo aquilo..."

Genaro folheava e lia alguns trechos das páginas do novo livro de João Pedro, seu amigo, que usava o nome artístico de J. P. Benites, sua nova identidade. "Nada a ver comigo", ele pensava. Mas a editora o convencera. "Ninguém vai comprar o livro de um Pedro alguma coisa", foi o que disseram. Era noite do lançamento de seu quinto livro: O Conto Proibido. A fila na livraria era imensa, quase toda ela formada por adolescentes e nerds. Todos adoravam as histórias de J.P. Ele era um especialista em mortes. Seus livros falavam dos pequenos dramas de pessoas anônimas, que morriam das formas mais inusitadas e, no entanto, carregadas de um realismo que atraia os leitores. Pedro ou J.P passou horas dando autógrafos e ouvindo os fãs comentarem sobre suas passagens favoritas em tal ou qual livro.

- Adorei aquela do viciado que morreu esmagado pelo trem.
- Pô, massa aquela da Vida e da Morte disputando a garota. Que troço mais lésbico.
- Minha preferida é aquela do cara que vendeu a alma para o diabo em troca de sucesso e se transformou num demônio no final.
- E a do cara que foi no cemitério dia de finados ver a esposa e morreu? Sepulcral.
- A mulher que se matou com um secador de cabelos na banheira. Show de bola!
- Minha preferida é aquela do filho que morreu e foi ver o pai pela última vez para se despedir e dizer que...
- Eu escrevi essa história. Eu sei como ela é.
- Ah, desculpe.
Era o último autógrafo da noite. Seu amigo Genaro o repreende.
- Tente ser simpático. São eles que te sustentam.
- Eu sei, mas experimente passar algumas horas ouvindo tudo isso. Nossa, como cansa. Ok, por hoje chega. Vamos, eu pago a bebida.
- Eu tava a fim de outra coisa hoje. Ouvi dizer que tem garotas novas lá na boate...
- Poxa, Genaro. Eu preciso acordar cedo.
- Para quê? Não seja moralista. Vamos lá. Vai que ela esteja por lá...
- Ela está lá.
- Aproveite para bater um papo e trepem de uma vez.
- Isso não vai acontecer. Ela é como uma irmã para mim...
- E que irmã gostosa tu tem, hein? Vou te dizer: semana passada comprei uma cópia pirata daquele filme pornô que ela fez.
- Não acredito que tu fez isso. Que nojo, Genaro.
- É, eu sei. Incentivar a pirataria não é legal.
- Estou falando da Thaís. Ela foi tua colega na faculdade e devia respeitá-la.
- Pô. A Thaís era a gata da faculdade, gostosa de arrasar quarteirão. E de repente se transforma numa estrela pornô. É óbvio que eu tinha toda a curiosidade do mundo de vê-la sem roupa. Tu não viu o filme? Todo mundo que eu conheço viu.
- Claro que não vi. E não quero que me fale sobre isso.
- Tá bem, desculpe. Mas ela é um tesão sem roupa. E tem os seios mais lindos que já vi...
- Que tal mudar de assunto?
- Desculpe. Vamos s’imbora.

E eles vão para uma casa noturna. Enquanto Genaro está agarrando-se com uma garota que esfrega os seios em seu rosto, Pedro ficava a um canto bebericando. Uma loira senta ao seu lado, insinuante, com roupas mínimas e perfume adocicado.
- Quer companhia?
- Já tenho companhia...
Ele diz apontando para a garrafa de cerveja.
- Algo mais quente?
- Não fumo.
- Eu quis dizer...
- Não sou idiota. Eu entendi o que quis dizer. Tu é bonita, mas não compro sexo, procure outro.

Ela pensa em dar alguma resposta, em chamá-lo de grosso ou algo assim, mas resigna-se. Afinal, se fosse dar uma resposta à altura para qualquer homem que trate mal as prostitutas, se cansaria. Levanta com ar superior, enaltecendo os seus atributos físicos, como se quisesse dizer com o corpo "veja o que tu não vai ter, babaca". Pedro segue bebendo sozinho, até que sente uma mão feminina tocar em seu cabelo.

- É por esse seu jeito especial de ser que ainda está sozinho. Vai morrer assim- ela diz-
- Aceito companhia- ele responde.
E a morena de pernas e cabelos longos, olhos cor de mel surge à sua frente, vestida como uma colegial. Senta à sua frente, provocante.
- Que roupa ridícula.- Ele diz
- Muitos homens devem achar o mesmo. Pagam caro para que eu a tire.
- Não fale assim, Thaís. Não fale como uma prostituta.
- E o que sou?
- Não para mim...
- O que veio fazer aqui?
- O Genaro queria vir. E é sempre bom te ver. Recebi o cartão de aniversário. Bacana.
- Para o meu amigo de infância. Meu primeiro amor. Meu ex-amor...
- Não gosto de vê-la aqui...
- Nem todos ganham dinheiro contando histórias. Aliás, não gosto desse seu novo estilo. É muita morte para o meu gosto, prefiria as suas historinhas mais doces, sabe? Aquela coisa de final feliz. Por mais que sejam de mentirinha.
- Bem, a vida não tem final feliz, né? E, afinal, as histórias de mortes dão muito mais grana...
- É a sua forma de se prostituir também, né?
- Ou de me punir...
- Ah, claro. Ainda o pobre menino rico em busca de um pouco de culpa e auto-piedade...
- Como psicóloga tu é uma ótima prostituta...
- Eu não me ofenderia com isso. Mas sei que tua intenção foi essa. Então, foi bom te ver...
- Desculpe, Thaís.
- Milene. Como o senhor não me ofereceu nada para beber, vou ver meu próximo "paciente".
E ela levanta, elegante e sexy, deixando para trás aquele misto de cigarro e perfume. "Eternity", ele lembra.

Há poucos metros, Genaro passava as mãos nos seios de uma garota, enquanto ela bebia e olhava para Pedro e Thaís.
- Eu já vi o seu amigo aqui outras vezes. Nunca quer ficar com ninguém e só conversa com a Milene.
- Que Milene?- Ele pergunta, procurando ver com quem Pedro estava- Ah, ela...
- Ele deve ser rico, né? O cachê dela é altíssimo. Ainda mais depois do filme. Eles tem algum lance?
- Acho que ele é meio que... apaixonado por ela desde criança. Eles se conhecem há muito tempo.
- E por que não estão juntos?
- Piff. O Pedro jamais namoraria uma prostituta, é cheio de regras e moralidades.
- Mas eles já treparam?
- Vamos explicar dessa forma: acho que eles nunca se tocaram, nunca fizeram sexo. Mas trepam um com o outro toda vez que seus olhos se encontram.
- Ai, que meigo isso...
- Eh, eh, tu achou?
- Achei muito inteligente, tu é inteligente. Quer me ensinar a ser assim?
- Quero. Ô, se quero.

Pedro vai até o amigo e o convida para ir embora.
- Tu não facilita nada, hein? Que tal relaxar um pouco e gozar?
- Foda-se. Detesto esse lugar. Foi tua idéia vir aqui. A cerveja, pelo menos, está no ponto.
- Então, tu fica com a cerveja que eu vou para o quarto. Essa menina é um tesão. Que idade tu tem?
- Então, tu fica aí e pede um táxi. Vou embora.
- Ah, péra lá, JP.

E ele sai para o pátio, em direção ao seu veículo que estava estacionado. Ao fazer uma manobra, ele olha para a sacada de um dos quartos do prostíbulo. Era ela. Seus olhares se fitam por alguns instantes, antes dela ser abraçada por trás por outro homem. Estava começando a chover. Ele odiou ter vindo a esse lugar. E amaldiçoou ainda mais por ter visto-a. Ele odiava cruzar por ela. Odiava que ainda morassem no mesmo planeta. E odiava ter esses sentimentos todos. Arranca dali e toma o rumo da estrada, para a solidão de sua casa. Logo adiante, na estrada, um policial chamava a atenção dos motoristas para que diminuíssem a velocidade. Há poucos metros um grave acidente de carro. Dois veículos haviam se chocado violentamente. Pedro diminui a velocidade do carro e cruza devagar pelo local para observar o trabalho dos Bombeiros e dos policiais tentando tirar os corpos das ferragens. O cheiro de sangue e morte estava impregnado no ar. Num golpe de luz, Pedro enxerga de relance dentro de um dos veículos: um rosto pálido e ensanguentado olhando para ele, batendo nos vidros. Num piscar de olhos, a imagem não estava mais lá.

Mas foi o tempo que bastou para um calafrio percorrer a sua espinha. "Foi o reflexo da luz", confortou-se, aflito. Pedro chegou em casa, sendo recebido com festa por seu cachorro, o Capeto. Ele dá um pouco de atenção ao cachorro e abre um pacote de ração. Mais tarde, depois de tomar um banho, ele perde alguns momentos pesquisando na internet. Foi ler as críticas a respeito de suas obras. Acessou um fórum. Era sempre a mesma coisa: os críticos detestavam o seu estilo, mas os fãs o veneravam. "É o nosso Stephen King", diziam os mais afoitos. É claro que Pedro sabia que não era nem perto disso, até porque Stephen King era o seu ídolo, seria um sacrilégio. Os críticos, no entanto, eram menos suaves: "não chega aos pés de um Zé do Caixão". Não tinha jeito, os críticos gostavam era de detonar o seu trabalho, por mais inspirado que ele se apresentasse.
- O que acha disso, Capeto? Vou começar a deixar as unhas bem aparadas.

Diz, conversando com o cachorro. Não interessava mais ler aquilo. Era hora dele fazer o que fazia de melhor: escrever. Para isso, Pedro tinha um ritual particular. Apagava todas as luzes da casa e só mantinha o ambiente iluminado pela tela de seu computador. Na noite de hoje, no entanto, os raios da tempestade davam breves flashs. Deixava tocando um CD do Led Zeppelin e ficava esperando a inspiração chegar. Às vezes, demorava um pouco, às vezes, era rápido. Mas sempre a inspiração chegava até ele como um sopro. E assim, começava a descrever os dramas mais reais, as mortes mais terríveis e as transformava em contos proibidos para menores devido as doses de realismo e violência, mas que seduziam milhares de leitores, que o sustentavam. Pedro era convicto de seu talento e, até mesmo por isso, se tornava arrogante. Quando começava a digitar em seu computador, seus braços se tornavam dormentes e as histórias vinham como uma enxurrada. Era como se entrasse em êxtase. Vez por outra, fazia uso de algumas substâncias adquiridas ilegalmente para entrar nesse transe criativo. Pedro costumava usar drogas, mas não era um viciado. Ele acreditava que tinha disciplina e conseguia controlar-se, fazendo uso delas apenas para escrever. E as histórias surgiam na tela à sua frente:

- Uma mulher que ingeriu vidro picado e esvaiu em sangue deitada ao lado do marido, que foi incriminado.
- Uma criança que morreu eletrocutada ao abrir a porta da geladeira.
- Um servente que se enforcou no refeitório de uma escola.
- Um agricultor que foi esmagado por uma colheitadeira.
- Uma menino que, brincando, disparou a arma do pai contra a cabeça da própria mãe, que amamentava o seu irmão. O pai não tinha porte de arma e foi preso.
- Um casal esmagado nas ferragens de um acidente entre dois carros.

Depois de terminar de escrever Pedro se dá conta: havia inserido uma cena que presenciara. Não costumava fazer isso, foi um descuido. Uma pena que ele havia imaginado toda a situação que levara os seus personagens ao minuto fatal. Pensou em deletar toda a passagem, mas estava muito bem construida. Ora, dane-se. É apenas um acidente de trânsito como outro qualquer. Onde está a criatividade disso? Deletou a passagem. Depois, foi descansar. Já era tarde.

Para dormir, Pedro também tinha um ritual particular. Gostava de misticismo e estava estudando sobre isso. Acendeu incensos, fez exercícios de meditação e tentava técnicas para fazer desdobramento astral. Ele havia lido sobre isso e era fascinado sobre o assunto. Nessa busca, procurou todo o tipo de literatura sobre isso e até frequentou alguns círculos ocultistas. A possibilidade de sair fora do corpo e vagar pelo astral é certo que ampliaria a sua criatividade, além de fazê-lo compreender algumas coisas sobrenaturais que o perseguiam desde criança. Eram como sussurros e presenças obscuras. Mas ele usava o medo daquilo que o perseguia (e não compreendia), para tentar ser o melhor escritor possível. Para isso, faria até pacto com o demônio, se acreditasse na existência dele. Naquela noite, ele não conseguia se concentrar, lembrando do acidente na estrada e daquele reflexo pálido e ensanguentado no carro. Alerta, Capeto começa a latir, chamando a atenção de seu dono. Em seguida, o cachorro sai do quarto correndo.

- Ei, JP....
Pedro ouve a voz de Genaro, seu amigo. Ele surge na penumbra do quarto, com a camisa ensanguentada.
- Pô, cara. Uma pena tu não ter ficado. Aquela guria me matou de tesão.
- Como tu entrou aqui?
- O que tu acharia de morrer pelado e excitado? Que sacanagem...
- Do que tu tá falando, Genaro. Tá bêbado?
- Bebi todas. Mas não tô mais bêbado.
- Genaro, faz o seguinte: toma um banho e deita lá no sofá. Eu preciso dormir.
- Ei, JP. Sabe aquela história de que tu tem direito a um telefonema quando vai preso? Pois é....
- Tu não tá falando coisa com coisa.
- A mulher de preto disse que eu teria direito a ver uma pessoa antes de ir embora. E...eu te escolhi, parceiro. Ehehe. Acho que é porque... eu não tenho mais ninguém mesmo ou porque fiquei com medo de escolher alguém que não iria se importar. E eu acho que tu se importaria. Pode parecer meio gay eu dizer isso, mas bem, tu sabe que eu não sou gay. Então...eu te amo, cara. Valeu!
Pedro vira para o lado na cama. Ajeita-se no travesseiro.
- Tá bem. Eu também te amo. Agora, vai te foder e me deixa dormir.
- Eheheh. Eu já me fodi, parceiro...

Pedro senta na cama para insultar o amigo, que se desintegra diante de seus olhos. Antes dele sumir, Pedro percebe os buracos de bala no peito dele. Um calafrio percorre o seu corpo. Pedro acende o abajour.
- Que porra foi essa?

O telefone toca.
- Senhor João Pedro?
- Sou eu!
- Aqui é a polícia. Estamos com o telefone do senhor Genaro. O seu número foi um dos últimos que ele ligou. Temos informação de que o senhor esteve com ele nas últimas horas....
- Aconteceu alguma coisa?
- Três tiros no peito. Foi isso o que aconteceu com ele.

Pedro ouve as palavras do policial, enquanto sua mente tenta ligar o que aconteceu a Genaro àquela visão no quarto há poucos instantes.

- ... E a menina era menor de idade. O pai dela invadiu o local e disparou contra o senhor Genaro.
- Eu...não sei o que dizer.
- Então, peço que vá até a delegacia pela manhã.

Pedro desligou o telefone, ainda pensando que não podia ser verdade aquilo. Genaro bem poderia estar de sacanagem para cima dele. Mas e aquela maldita visão pouco antes do telefone tocar? O pior é que ele tinha certeza de que estava acordado e que, naquela noite, não tinha usado de nada que o fizesse viajar. Genaro, seu melhor amigo tinha sido assassinado. E Thaís, o ex-amor de sua vida, ainda era uma maldita prostituta...

No dia seguinte, na delegacia, ele aguardava impaciente a sua vez de falar com o policial encarregado da investigação.
- Olhe, eu aceitei vir, mas não tenho planos de perder a manhã por aqui...
Diz ele para o atendente.
- O senhor já será ouvido. Só mais alguns instantes.

Pedro resigna-se e volta a sentar. Saca o celular do bolso e fica mexendo nele, impaciente. Detestava ficar parado, ainda mais à espera de alguém. Já haviam se passado longos 30 minutos. Uma eternidade para ele e para qualquer um que se sente numa delegacia. Cruza os braços e suspira alto, com intenção de demonstrar seu descontentamento. Ele começa a sentir uma certa tontura, uma pressão na parte de trás da cabeça. Os pêlos de seu braço ficam eriçados num instante.

- Disseram para eu falar contigo...
Pedro surpreende-se com a voz que surge no sofá ao lado. Ele não tinha percebido a moça que estava ali, sentada.
- Tu trabalha aqui?
Ele pergunta para ela, enquanto o atendente lança um olhar curioso para o escritor.
- Eu o procurei...para revelar a minha história.

Ela diz, evasiva. A moça parecia confusa, é claro que ela não trabalhava aqui. Parecia ter mais jeito de drogada. Talvez tenha sido presa com entorpecentes. "Ótimo. Pelo menos, alguém interessante para conversar", ele pensa.
- Eu usava drogas, sim...
Ela responde, como se tivesse lido o pensamento dele.
- De vez em quando, eu também uso. Só não conte para eles.
Ele diz, sussurrando perto dela e apontando com o queixo para os policiais.
- A culpa é minha- diz a moça, ignorando as palavras de Pedro- eu não sabia que minha mãe sentiria tanto, mas ela sentiu. E isso está me destruindo muito. Mas eu não sabia o que fazer. Eu o amava, mas ele me abandonou e isso doeu demais, foi ficando insuportável. Não dava para viver com toda aquela dor, sabe? É como se o peito da gente pesasse tanto, tanto. Eu não comia, eu não dormia, eu só chorava. Minha mãe acha que a culpa é dela, mas eu queria dizer para ela que não é e que eu me arrependo de ter feito o que eu fiz, porque a dor que eu sentia era realmente pequena, insignificante mesmo. Mas eu só sei disso porque a dor que carrego agora é muito pior. E ela é para sempre. E agora não há uísque ou cocaína que faça passar...

Pedro não estava entendendo nada. O policial o chama. "É a sua vez. Pode passar", ele diz. Pedro desiste de conversar com a garota.
- Preciso ir. Depois a gente conversa.
- Tu não está entendendo. Eu vim de longe para encontrá-lo. Preciso te contar a minha história. Preciso que entenda. Preciso que fale para os outros. Eu não tenho muito tempo.
- Tudo bem, eu entendo. Mas tenho compromissos. O que quer que tenha feito, não se preocupe. Lembre-se: enquanto há vida há esperança.
A garota levanta-se, num grito desesperado, lançando-se em direção a Pedro e mostrando os pulsos dilacerados e esvaindo-se em sangue:
- Não há esperança!!!!!!!!!!

A garota desfalece nos braços de Pedro, manchando sua roupa de sangue e tingindo o chão branco da delegacia de um vermelho intenso. Como ele não percebeu antes
os seus cortes?

- Um médico!!! Ambulância!! Socorro!!! Alguém... por favor, chame uma ambulância!!! Meu Deus, meu Deus!!!!

Os gritos de Pedro chamam a atenção de outros policiais, funcionários e pessoas que estavam na delegacia. Em segundos, vários estavam ao seu redor, mas ninguém ajudava.

- Não estão vendo??! Ela vai morrer!! Por que ninguém faz nada???

O delegado observa a cena. Pedro, cada vez mais nervoso, pega a garota no colo e a deita no sofá. Em seguida, vai para cima do atendente da delegacia, irritado.

- Por que ainda não chamou socorro??? Por que todos só ficam parados??

O atendente olha para o delegado que o autoriza. "Chame a ambulância", ele ordena.
- Ah! Finalmente! É preciso que alguém te dê uma ordem para salvar uma vida??

O delegado chega próximo de Pedro.
- Fique calmo. Vai ficar tudo bem....

O escritor ignora e vai até a garota e percebe que o sangue não para de jorrar. "Preciso estancá-lo", ele pensa. Levanta rapidamente e apanha um estilete de cima de uma mesa, ante o olhar preocupado de todos. Corta as mangas de sua camisa, transformando-a em faixas. Ele ata os pulsos da garota. O sangue dela está espalhado no piso, em suas roupas e no sofá.

- Isso deve adiantar até o socorro chegar- diz ele, nervoso e suando muito.
- Procure ficar calmo- aconselha o delegado.

A garota murmura alguma coisa. Pedro ajoelha-se perto dela.
- Minha história...escreva sobre ela. Conte o que eu te revelei. Minha mãe não tem culpa...me ajude. Disseram que tu iria me ajudar...
- Quem disse?
- Outros...como eu, que fizeram mal a si...e outros que foram interrompidos. Que foram tirados da luz.

Os enfermeiros entram na delegacia. Pedro os percebe. Vai até eles.
- Graças a Deus. Rápido, ela perdeu muito sangue.

Um enfermeiro o surpreende, imobilizando-o. Outro aplica um injeção no pescoço de Pedro que vê sua visão enuvear-se.

- O que é isso? Vocês estão loucos! Ela é que precisa de ajuda...
Num instante o colocam numa maca. Pedro olha para o sofá. A garota não estava mais lá. Ele força a visão para tentar encontrá-la entre os vários rostos à sua volta. Alguns com uma nuvem negra no olhar. Todos na delegacia o observam, assustados. A garota aparece de pé, ao seu lado. Não está mais sangrando.

- Enquanto há vida, há esperança. - Ela diz mostrando os pulsos com profundos cortes, mas sem sangue.

E Pedro não vê mais nada.



Vista de cima, a cidade parecia muito mais tranqüila e organizada. O vento acariciava os seus cabelos. Pedro sentia-se leve como fumaça, flutuando pela cidade. "Que sonho bom", ele pensa. Estava voando, livre de compromissos, contas e decepções. Finalmente, um sonho realizado: o de desprender-se de tudo e viver livre, voando pelo mundo. Nem bem esboçou um sorriso, percebeu que havia uma espécie de cordão enfumaçado acima de sua nuca. Olhou para trás e viu que aquele cordão se estendia por vários quilômetros, resplandecendo aquela cor-de-prata translúcida. Pedro não gostava daquilo, era uma amarra. "Vou desatar isso", ele pensa, levando às mãos à cabeça, mas não conseguia tocar no cordão, nem saber como estava amarrado. "Vou ver onde dá isso", pensa ele, com intenção de ver a origem de sua amarra. Num piscar de olhos, ultrapassou vários quilômetros e viu-se no teto de um quarto de hospital. O cordão estava ligado a um corpo que repousava sobre uma cama. Surpreendeu-se: era o corpo dele mesmo. Pedro caiu do teto, acordando-se de sobressalto. Ele suava e teve a intenção de passar a mão atrás da nuca, mas estava algemado.

- Que porra é essa?
Alguém no quarto responde sua pergunta.
- É a porra de uma algema.
Pedro olha para a janela e vê aquela silhueta, acompanhada do indefectível cigarro. "Maldito planeta. Malditos sentimentos", ele pensa. Era Thaís.

- O que está fazendo aqui? E o que eu estou fazendo aqui?
- Digamos que eu estava alegremente prestando depoimento numa delegacia a respeito de um assassinato, quando alguém resolveu surtar e estragar ainda mais as últimas 12 horas de minha vida.
- A garota...como ela está?
- Depende: a garota que causou a morte do teu amigo ou a tua suicida imaginária? Dito isso, chegamos a resposta de tua terceira pergunta nessa manhã - considerando a da "porra da algema" como a primeira- tu surtou dentro da delegacia tentando salvar uma garota que teria cortado os pulsos. Pelo menos, foi isso o que disse ter visto. Ainda fuma maconha?
- Thaís, eu sei o que eu vi. Eu toquei nela. Ela manchou minha roupa de sangue.
A garota aponta para o sofá.
- Tu diz aquela roupa que está ali, limpinha?

Pedro fica sem resposta por um instante. Sua mente tenta encontrar alguma lógica. Há algumas horas, seu amigo Genaro surgiu ensanguentado em seu quarto, pouco antes de descobrir que ele tinha morrido. Depois, uma garota suicida na delegacia. E Thaís diante dele, julgando-o. Ela era o ex-amor de sua vida. E, por isso mesmo, era a última pessoa para a qual gostaria de demonstrar fraqueza.
- Talvez eu tenha fumado qualquer coisa mesmo...
- A confissão redime os pecadores...- ela provoca.
- Até quando vou ficar aqui?
- Até os médicos disserem que já pode ir. Mas, falando nisso, tu não precisa de mim e eu preciso ir. Veja só, não tenho algemas...
- Por que veio?

Pedro a acompanha com o olhar. Thaís pára na porta.
- Sinto muito pelo Genaro. E por nós...
- É...eu também.

E ela vai embora deixando aquele rastro inconfundível, mistura de cigarro com perfume. "Eternity ainda", ele pensa, fechando os olhos e afundando a cabeça no travesseiro.
- Essas algemas devem estar apertadas, não, filho?
Havia mais alguém no quarto. Era um negro velho, vestido de branco.
- O senhor é enfermeiro?
- Eu cuido de muita gente por aqui há muito tempo. Vamos tirar essas algemas aí. Não gosto de ver gente acorrentada. É coisa que herdei de meus antepassados. - Ele diz sorrindo- tu sabe: eles eram escravos.
Num instante o velho o livra das algemas.
- Eu me chamo Virgílio.
- Pedro.
- "Tu és pedra"...
- Nem tanto...
- Não duvide da força de um nome bíblico. Tu tem um dom, guri. Tu pode ouvir o outro lado. E agora também vê...
- É o que me dizem, que sou talentoso e tal. Grande coisa.
- Ah, mas tu ainda não sabe. Tu é dos burros que negam...

Pedro estava agradecido por Virgílio tê-lo livrado das algemas, mas não gostava de ser chamado de burro por alguém que não o conhecia. Mesmo assim, era impossível não simpatizar com ele.
- Com quem eu falo para ir embora?
- Tu é livre. Todo mundo é...só não tente mais desatar o teu cordão. Ou vai ficar "nem lá, nem cá", como eu...
- Como disse?
- O cordão de prata. É ele que te prende ao teu corpo e tu precisa dele para cumprir o teu estágio. Não queira desatar, ele não atrapalha em nada, não te impede de ir para onde quiser e nem vai se emaranhar no canto de uma mesa. Eh, eh, eh.
- Como o senhor sabe...?
- É que eu cortei o meu...
Virgílio levanta levemente o pescoço e mostra profundas marcas de corda. Em seguida, toma o pulso de Pedro e reprova os cortes em seus braços.
- Não tente mais fazer isso. Apesar de que tava fazendo errado, mesmo...
- O senhor está confundindo. São marcas do estilete quando fui cortar a manga de minha camisa para estancar o sangue da garota.
- Tem gente que quer te confundir, guri. Alguns não gostam que tu conte aquelas histórias todas. Entende? Eles querem ser esquecidos. Tuas histórias fazem com que os pecados que cometeram sejam lembrados por muito tempo e quanto mais tempo forem lembrados, mais demoram para serem perdoados. Mais tempo demoram para terem outra chance. Tu se tornou um problema e eles são vingativos. É por isso que querem que tu passe para o lado de cá...
- Que lado?
- Dos sem cordão. Dos sem-perdão.

Por um instante Pedro fica em silêncio encarando aquele negro velho, sorrindo para ele. No sofá, o celular toca. O escritor vai atender. "Número não identificado", ele atende e a ligação cai. Ao virar-se para Virgílio descobre-se sozinho no quarto. A porta não tinha sido aberta, não em menos de um segundo por um velho de oitenta e poucos anos. Aos poucos, a mente lógica de Pedro começa a duvidar da própria lógica. E um calafrio, cada vez mais frio, percorre a sua espinha...

"Preciso sair daqui", ele pensa. Veste suas roupas. A camisa estava destruída, sem as mangas. Sai do quarto e caminha pelo corredor do hospital. Diferente de outras vezes em que esteve ali, hoje o hospital parecia um lugar aterrador. De todos os quartos, ele ouvia vozes, gemidos, choros e lamentações. Não parecia um hospital, era como se o lugar tivesse virado um sanatório de uma hora para outra. Ao cruzar por um quarto com a porta aberta, ele vê um homem no parapeito de uma janela. "Ele vai pular", ele pensa, entrando instintivamente para tentar evitar, mas chegando tarde demais. Pedro chega até a janela e olha para fora. O suposto suicida estava voando em círculos poucos metros abaixo, rindo dessa possibilidade. Ao olhar para o corpo na cama, ele descobre que era o mesmo homem. No sofá ao lado, uma mulher e uma garota choravam, abraçadas.

- Ele morreu. O seu pai morreu!!
Pedro observa a cena, pensando em dizer qualquer coisa. A mulher percebe sua presença, mas o ignora e segue chorando. Em seguida, o homem voador ultrapassa a parede de tijolos surgindo ao lado de seus familiares, tentando passar a mão em suas cabeças. Pedro olha assustado, ainda mais, quando o homem lhe direciona o olhar.

- Diga para elas que estou bem, Pedro. Mas não quero que esbanjem o meu dinheiro.

Aquela frase o perturba mais do que qualquer outra coisa nas últimas horas. Ele o enxergou e chamou por seu nome. Seu coração acelera e Pedro sai correndo do quarto, assustado como uma criança. Em um flash, ele lembra da infância e do medo que tinha de dormir no escuro, os barulhos que escutava, as presenças que sentia no quarto. Remotamente, enxerga-se como um bebê no berço, chorando com as aberrações em volta tentando sugar um pouco de sua essência e a mãe, sem nada saber, tentando fazê-lo dormir. "Tem dor de barriga o pobrezinho". E o bebê chorava vendo um homem sem a metade da cabeça ao lado de sua mãe, alheia àquelas presenças horrendas.

E Pedro corre, assustado ainda ouvindo o homem clamar.
- Volte, diga para elas!
Os gritos do homem se misturam a outros gritos de visões que cruzam o seu caminho, enquanto corre. Pedro já sabia o que estava acontecendo, mas não queria aceitar, como aquilo era possível? Ele enxergou o espírito daquele homem morto na cama. Pelo corredor, ele cruza por várias pessoas e tem medo de conversar com qualquer uma delas.

- Tenho fome!! Me dê alguma coisa para comer!!! - brada um homem gordo, que tenta lhe pegar pelo braço, rasgando um pouco mais de sua camisa e o persegue por alguns metros- há dias não como nada. Meu estômago está secando por dentro. Me dê comida. Me dê comida!!!!
- Saia daqui!!! Não olhe para mim!!! Eu sou um monstro!!!!!!!!- diz uma jovem magra, cruzando os braços na altura do rosto, tomado por uma espécie de tumor.
- Tu chamou os bombeiros?? Alguém chamou os bombeiros??- grita um homem com as roupas queimadas e partes dos braços e do rosto derretidos e impregnados de cinzas.

"Mortos?" O que estava acontecendo? Ele corria e corria e não estava encontrando a saída do hospital. "Parece que esse lugar está maior", ele percebe. Em sua aflição, os quartos se multiplicavam e os corredores pareciam infinitos. Pedro grita:

- Onde eu estou??!!??

Alguém toca a sua perna. Ele olha para baixo e vê um homem ensanguentado se arrastando, com várias partes do corpo esmagadas. A cabeça era enorme e os olhos com pálpebras inchadas e escuras.
- Me ajude, estou preso nas ferragens! Está doendo muito!!! Chame ajude! Chame ajuda!!!!!!!

O homem suplica tentando segurar firme a perna de Pedro, que consegue se soltar e fugir pelos corredores, mesmo sem encontrar a saída, nem saber para onde ir. Ele corre, apavorado, mas olha para trás e o homem se arrastava em sua direção, deixando um rastro de sangue. Pedro se choca contra um menino, que cai longe no chão. O menino, aparentemente de uns 11 anos, começa a respirar com dificuldade e se contorce, como se tivesse convulsão. Vai ficando roxo. "Ele não está conseguindo respirar", pensa. Pedro tenta ajudar. Pensa em chamar por socorro, mas não vê mais ninguém no corredor. Há poucos metros, no chão ele percebe uma bombinha para asma. "Deve ter caído quando me choquei com ele", pensa enquanto vai recolhê-la e entregar para o garoto. Pedro pega o remédio e ao virar-se na direção do menino descobre que ele não estava mais lá. Nem a bombinha estava mais em suas mãos. O garoto era mais uma alucinação.

- Agora tu vê. Mas sempre os ouviu. -Uma voz conhecida faz ecoar a frase pelo corredor.
Pedro vira-se. Era Virgílio, sentado num banco logo à frente, com o garoto asmático ao seu lado, usando a bombinha e respirando calmamente.
- Acho que tu conheceu o Nicholas. Ele é caçula daqui. Chegou faz poucas horas, mas não vai ficar muito tempo...- diz, sorrindo, e passando a mão na cabeça do menino.
- Eu não...sei o que está havendo- diz Pedro, com medo de manter qualquer diálogo, num misto de querer ficar e querer correr. Ele já conhecia Virgílio, que lhe parecia simpático. Mas, afinal, ele era um morto também. Como poderia querer conversar?

- Pelo menos, não tentei puxar o teu pé, não é, rapaz?
- Ele... está bem?
- Oh, não se preocupe. Na verdade, o Nicholas não sente nenhuma dor. É que certos hábitos são um pouco demorados para se largar. Mas do lado de cá não existe asma, fome e nem dor alguma. A não ser a dor da culpa...
Pedro olha para o homem que ainda se arrastava ao longe no corredor, suplicando por ajuda.
- Sim, a dor que ele diz sentir não é física. Até porque o Roberto não tem mais nada "físico". A dor que ele sente é a da culpa. Sabe aquela história de "não beber e dirigir, né"? É por isso que ele está ali, se arrastando com pena de si mesmo. Ainda não aceitou e nem compreendeu. Leva um tempo...
- Quanto tempo?
- Às vezes horas ou dias. Às vezes, o tempo de viver e morrer várias vezes. Muitos ainda acham que estão vivos e agem como se estivessem.
- Eu tenho que ir embora. Como faço para sair daqui?
- Só precisa abrir a porta e ir.
Vírgilio aponta para o final do corredor. Pedro olha e enxerga a porta e o hospital se torna familiar.
- Obrigado. Se eu continuar aqui vou enlouquecer. Ou melhor, estou louco, conversando contigo.
Pedro caminha em direção à porta. Ouvindo as palavras de Virgílio.
- Pode ir para onde quiser. Eles são muitos e onde tu estiver eles estarão também. A tua porta se abriu para sempre. Não era isso que buscava com tanta meditação?

Pedro pensa em olhar para trás, mas não queria ter de novo a desagradável sensação de descobrir que o velho não estava mais lá. Deixou para trás e manteve o olhar à frente, para a saída do hospital. Chegou até um saguão de espera, onde várias pessoas pareciam esperar pelo atendimento de urgência. Familiares aguardavam ao lado de parentes enfermos. Logo que Pedro passou pela porta, todos os olhares se voltaram para ele. O escritor baixou a cabeça e se dirigiu para a saída. Ao lado da porta, sentado, havia um homem com o braço enfaixado que não parava de olhar para Pedro, que fitou-o por um tempo, tentando decifrar se ele estava vivo ou morto. E da boca do enfermo, saiu uma palavra apenas.
- Morra!
Pedro se irrita. Era mais um maldito fantasma atormentando-o.
- Me deixe em paz, seu desgraçado!! Vá para o inferno!!

A mulher que estava ao lado o repreendeu.
- Por que está gritando com meu marido? Ele é surdo-mudo. Não fez nada para ti e não vai entendê-lo desse jeito.

Pedro pensa em desculpar-se, mas sai apressado do hospital. Já no pátio, ele se depara com uma aglomeração de pessoas, mas evita olhares. Havia uma confusão por ali, enfermeiros e funcionários estavam distraídos olhando uma ação do caminhão do bombeiros que elevava alguém vestido de Super-Homem até um dos quartos. "Que palhaçada seria essa?", ele pensa, mas aproveita para sair logo dali, sem chamar atenção. Ele caminha por várias quadras, sentindo o sol e a brisa. Era bom estar vivo. Era bom livrar-se daquela loucura toda. Precisava chegar logo em casa e descansar de tudo aquilo. Pegou um táxi e durante o trajeto manteve a cabeça baixa, poucas vezes arriscando-se a olhar para o lado. De qualquer forma, parecia que as coisas tinham voltado ao normal e as visões tinham sumido. "Será que não fui drogado de alguma forma? Ontem, naquele bordel, a bebida..."
Pedro chegou a sua casa e viu o seu carro estacionado na garagem e um bilhete. "A chave está com o vizinho". A letra era de Thaís. Com a confusão na delegacia, ela trouxe o veículo de volta. Pedro entrou, sendo recebido por Capeto, que tentou fazer festa, mas seu dono ignorou.

- Agora não, Capeto. Estou muito...muito...muito cansado.

E atirou-se na cama, pensando em dormir. "Droga. O Genaro", ele lembrou. Precisava descobrir sobre o enterro dele. Ligou para a esposa do amigo, inconsolada e inconformada. Num misto de tristeza e de raiva, ela sabia que o homem que ela amava tinha morrido nu nos braços de uma ninfeta, numa boate imunda. "
- Tu é culpado por isso, seu merda!!
Ela gritou do outro lado.
- Desculpe, Jéssica. O Genaro não queria ir. Eu é que o forcei...
Pedro mente. Jéssica o amaldiçoa para sempre, gritando e chorando.

No enterro, ele procurou ficar afastado para não ser visto, acompanhado de Capeto. Sabia que Jéssica poderia ter alguma reação e tudo o que Pedro não queria era chamar a atenção. Afinal de contas, ele era um escritor famoso e isso seria publicidade negativa. Depois que todos se afastaram, ele foi até o túmulo de Genaro e colocou um aparelho de som em cima, apertando o play. Patience, do Guns' Roses. Genaro se gabava de ser o único capaz de imitar com perfeição o assovio de Axl no início da música, que era a que mais gostava. Pedro depositou um maço de Free na lápide e uma garrafa de vodka, alisando a foto em porcelana de seu melhor amigo. Jamais tinha imaginado ver-se nessa situação. A medida em que a música tocava, ele foi arriscando cantar alguns versos.

Little patience, mm, yeah, mm, yeah
Need a little patience, yeah...
Just a little patience, yeah...
Some more patience, yeah...


Depois de terminada, a música reiniciou. Estava gravada 17 vezes. Pedro arriscou assoviar o início da canção, mas desistiu. Em seguida, ouviu uma voz.

- Só o Genaro sabia fazer isso com perfeição. Além do Axl, claro...

Era Thaís. Ela veio trazer flores ao túmulo de Genaro. Era a terceira vez que os dois cruzavam seus caminhos em menos de 24 horas. Muito mais do que tinham se visto durante meses.
- Bonitas flores. Ele iria odiá-las.
- A idéia é essa. O Genaro e eu nunca fomos tão próximos. Mas a gente dividiu um apartamento junto com outros amigos, antes de eu trancar a faculdade de Psicologia. Então, convivi pouco com ele. Mas ele era uma pessoa boa, até onde eu sei...
- Eu sei disso...eu o conheci nessa época. A gente tava fazendo parte de uma banda de garagem. Ele era o vocalista. Queria ser o novo Axl ou Bon Jovi. Eu era o bateirista apenas. Mas a gente não era muito amigo. Só me aproximei dele quando descobri que ele dividia o AP contigo. Como a gente não se falava naquela época, era através do Genaro que eu sabia de ti.
Ela senta-se ao seu lado. Dava para sentir a fragrância de seu Eternity espalhar-se pelo ambiente fúnebre, fazendo-o esquecer que estavam num cemitério. No céu, nuvens carregadas prenunciam chuva.
- Tu está bem?
- Obrigado por perguntar. Sinal de que se importa comigo...
- Estou apenas sendo educada- ela ri e senta ao lado dele- Esqueci de perguntar como foi o lançamento do novo livro?
- Normal. Os nerds estavam lá para comprar.
- Sobre o que é a história?
- Em resumo: é sobre um homem que levou séculos para se vingar de seu melhor amigo que tomou sua mulher e o matou. Eles se encontram a cada nova existência, com resultados negativos para cada lado, sempre. Suas reencarnações estão interligadas, sempre prenunciando uma vingança. Ora, como amigos ou parentes, sem nunca perdoarem o passado. Assim, vão repetindo a sua vingança e os seus pecados no decorrer dos séculos. A história tem morte, mistério e sangue e é bastante complicada de entender, o que dá aquele ar de "inteligente". É o que os leitores querem hoje: uma leitura fútil que os faça parecer inteligentes. E é isso que eu ofereço. Gostaria de ter escrito Harry Potter e ficado bilionário, mas essa inspiração não veio para mim, então, vou escrevendo essas besteirinhas que sobraram aí. Enfim, tem quem goste, tem que compre e vou levando a vida...
- Escreva uma história sobre a mim. Sobre nós. Mas alguma coisa que não inclua mortes, nem prostituição ou amores interrompidos. Escreva alguma coisa que tenha final feliz.
- Eu...eu já escrevi sobre ti muitas vezes. São aquelas histórias que tu chama de "doces". Teu nome não está nelas mas...a inspiração está lá. Toda vez que eu escrevia alguma delas, era como se eu falasse a respeito das possibilidades entre nós. Das possibilidades que ficaram para trás ou que talvez tenham mesmo acontecido em algum universo paralelo. Eisten dizia que isso era possível, vai saber. Não entendo de física ou física quântica...mas o que eu quero dizer é que... eu realmente pensava em ti quando as escrevia.
- É mesmo? Eu não lembro de nada disso. E olhe que eu acompanhei sua fase mais...romântica. Gostava daquelas coisas. Enfim, é o meu lado "menina sonhadora". Sempre imaginando um príncipe, sempre querendo um final feliz.
- É. Vocês, mulheres, parecem sofrer do complexo de Cinderela. Esse tipo de história devia ser proibido. Pelo menos até completarem 18 anos.
- Concordo contigo. Devia mesmo. A realidade nunca é doce, não é?
- A não ser que teu nome seja Willy Wonka.
- Não acredito. Tu fez uma piada...
- Infame, claro.
- Nem tudo está perdido. Acabo de recuperar a minha fé na humanidade.

Os dois riem e conversam bem à vontade, em meio àquele cenário fúnebre, inusitado para um bate-papo tão descontraído. Pedro se sentia à vontade ao lado de Thaís. Se sentia em paz.
- Por que...nós não ficamos juntos?
- A vida nos afastou, não foi assim?
- A vida nos uniu também.
- Quando já era tarde.
- Enquanto há vida....
- Nem complete a frase se não quiser que eu vomite. Pára de falar como um escritor. Fale comigo sendo quem tu é. Não use frases feitas. Eu não mereço isso. Originalidade, please.

Os dois ficam em silêncio durante um momento. Pedro percebe os primeiros pingos de chuva. Pensa em ir embora, mas estranhamente sentia-se em paz naquele lugar, ao lado de uma pessoa tão importante para ele. Thaís retoma a conversa.
- O Genaro foi ao lançamento de teu livro?
- Sim. Ele... estava lá comigo antes da gente ir para...bem, tu sabe para onde.
- A clínica onde trabalho?
- Desculpe por dizer aquilo...eu só não entendo por que abandonou os estudos. E por que insiste em continuar nessa vida...
- Não quero iniciar um longo monólogo para te fazer sentir pena de mim. Quem gosta de auto-piedade aqui é tu.
- Ei, ei: eu venho em missão de paz!!
- Ok.
- E o assassino?
- O pai da menina? Foi preso, claro.
- Como deixaram uma menor se prostituir naquele...lugar?
- Olha, eu não sabia. Eu apenas faço o meu trabalho e não me envolvo com o resto. Foda-se.
- O Genaro se fodeu...mesmo.

Thaís vai acender um cigarro. Pedro desliga o aparelho de som. Os pingos de chuva vão se intensificando, ao mesmo tempo em que o vento cria uivos, por entre os túmulos e cruzes.

- Eu...logo que cheguei em casa, não conseguia dormir e...eu tive uma visão. Como se ele tivesse ido se despedir, sabe? Ele me contou o que tinha acontecido e desintegrou na minha frente. Instantes depois, a polícia me ligou contando...
- Como aquelas visões que tu tinha quando era criança?
- Não. Eu nunca tinha visto nada tão nítido assim. Sempre ouvi vozes, sentia presenças, mas dessa vez foi diferente. Foi tão...real. Na delegacia também e depois no hospital.

Pedro percebe que Capeto fica agitado e começa a rosnar. Em seguida, vê um homem de branco sair detrás de um jazigo e chegar próximo ao túmulo de Genaro. Era Virgílio.
- Muitas vezes é no passado que estão as chaves para compreender o presente e desvendar o futuro...
- Não vem com essa pose de Mestre dos Magos. O que está fazendo aqui?

Thaís estranha o comportamento do escritor.
- Pirou? O que quer dizer com isso?
- Eu disse... para ele- apontando para Virgílio, mas em seguida, cai em si- ah, claro. A assombração é só para mim. Tu não enxerga, desculpe.

Vírgilio ri de Pedro.
- "Assombração". Ah, ah, ah. Essa é boa. Tu é espirituoso. Mas vou te dizer: não tem nada aqui no túmulo do teu amigo, a não ser a carcaça que ele usou. Ele teve sorte. Só Não sei para quê tanta flor. Que mania é essa que os vivos tem de trazer flores?

Pedro fica incomodado com aquela visão e convida Thaís para irem embora. A chuva estava começando a incomodar. Puxa Capeto pela coleira, que segue rosnando. Dá as costas para Vírgilio que segue dialogando.
- Ele te odeia. Tu sabe disso, não?
Pedro procura ignorar Virgílio para não parecer um louco, ao lado de Thaís. Mas fica intrigado com a frase. "Quem me odeia?", ele pensa.
- O teu pai - Virgílio responde, percebendo seus pensamentos- e ele persegue os teus passos.

Thaís nota a inquietação de Pedro.
- O que está havendo? Parece que fechou o tempo. Tu está esquisito e assustado.
- Eu só quero sair daqui, Thaís.

Um arrepio percorre a espinha do escritor. Seus pêlos ficam eriçados e ele sente os braços levemente adormecidos, assim como as suas pernas. Começa a sentir uma leve tontura, causada por uma pressão na parte de trás de sua cabeça. Seu coração acelera. Ele conhecia aquela sensação, a mesma que sentira na delegacia, quando a garota apareceu e no hospital, logo depois de falar com Virgílio. Ele olha em volta e parece que o cemitério é tomado por diversas formas nebulosas que aos poucos vão se definindo diante de seus olhos. Pedro sabe o que está para acontecer. Ele começa a enxergar aquilo que estava invisível até poucos instantes: os mortos.
Ele enxerga uma velha varrendo o próprio túmulo. Vê um homem chorando, agachado e recostado numa lápide, com as mãos grudadas ao peito. Uma criança, de uns três anos, puxando o rabo de Capeto, fazendo-o rosnar. Um jovem com o corpo inchado, com água saindo de sua boca e demais orifícios, tentando abrir o seu próprio túmulo, em vão. Uma garota esquelética vomitando uma gosma verde-fluorescente. Um homem sangrando pelos poros. Um jovem com ares de aidético arrancando os próprios cabelos aos tufos, junto com o couro cabeludo. Um casal transando em cima de um túmulo. Uma mãe chorosa, amamentando um bebê esquelético. Dois homens brigando de faca, ao lado de um jazigo, cada qual perfurando ou arrancando alguma parte do corpo do outro, e seguem brigando. Um homem com o corpo queimado. Outro, com os braços esmagados e com pedaços de metal atravessados no tórax. Pedro vê todas essas coisas e outras mais, para cada lado que olha. Até que surge ao seu lado a garota da delegacia, com seus pulsos ainda sangrando.

- Tu veio me ver??? Eu preciso que me ajude.
As palavras da garota chamam a atenção dos demais. Alguém avisa. "Ele consegue nos ver. Ele pode nos ouvir". Em seguida, mortos começam a se aglomerar em torno de Pedro pedindo atenção, pedindo ajuda, pedindo perdão, pedindo para que ele leve algum recado para alguém, pedindo para que acenda uma vela, pedindo para que se vingue de alguém, pedindo para que vá embora, amaldiçoando-o, chorando, tocando-o com suas mãos gélidas, tentando sugá-lo, clamando por alguma coisa. Para todo lado que ele tenta sair surge outro morto, outra mão suplicando ajuda ou ameaçando matá-lo. Pedro delira, diante os olhos de Thaís cambaleando entre os túmulos, falando coisas imcompreensíveis. Capeto rosna, late e choraminga. A chuva chegou com força e pequenas corredeiras se formam dentro do cemitério.

- Me deixem em paz. Saiam de perto. Saiam de perto de mim. Foge, Thaís. Foge. Sai daqui.
- O que tá acontecendo contigo, Pedro??
- Os mortos...os mortos...
Pedro tenta escalar uma capela para fugir dos mortos, machuca os dedos, arranha a parede, tenta se erguer. Um dos mortos consegue puxá-lo pela perna. Thaís fica assustada ao ver o amigo escorregar e cair de certa altura, num surto psicótico. “Ele está delirando como aconteceu na delegacia”, ela pensa.. No chão, Pedro é cercado pelos mortos que continuam seu lamento, sem se importar com o seu pequeno acidente. Querem ser ouvidos, querem ser ajudados, quer ser lembrados, querem ser esquecidos, querem ser vingados, querem dizer aos seus entes que ainda existem e que não se conformam de ter perdido o seu corpo físico. Não era a sua hora, não era a sua hora. Pedro está assustado, encolhido como uma criança. Capeto late vendo o desespero de seu dono. Thaís pensa em gritar por ajuda, mas não há ninguém por ali. Pedro fecha os olhos e tapa os ouvidos para não vê-los e nem ouvi-los. De repente, ouve um som conhecido. Um assovio ecoa no ar. Ele conhece aquele som. Ele conhece aquele assovio. Era de Patience.
Ainda de olhos fechados, ele percebe que a movimentação ao seu redor cessou. Ele ouve a música e sente um perfume agradável perto dele. Eternity. Em seguida, mãos quentes e macias tocam na sua pele. Era Thaís. Pedro abre os olhos procurando por alguém que ele tinha certeza de que estava por ali.
- Genaro? É o assovio do Genaro. Ele está aqui.
Thaís o conforta.
- Shh. Está tudo bem. É a música. Eu que liguei o som. Fui eu. Está tudo bem, Pedro. Está tudo bem agora.
E Pedro chora como uma criança sem mãe, abrigado nos braços de Thaís. Ela passa a mão em seus cabelos e toca de leve o seu rosto. O silêncio é quebrado pelo latido de Capeto, que não estava muito satisfeito com a chuva. Pedro levanta-se, percebendo o barro em sua roupa após ter caído e rolado no chão. Ele vai até CD player, com intenção de levá-lo embora, mas se dá conta que o aparelho está completamente encharcado. Ri de si mesmo.
- Acho que vou deixar o som para o Genaro.
Thaís sorri, linda. Pedro se encanta olhando para ela. Sua blusa molhada revelava o formato de seus seios. Ela percebe e fica envergonhada, levando as mãos para escondê-los. Desconcertado com o gesto dela, Pedro a convida para irem embora. Os dois saem do cemitério e vão em direção ao carro do escritor. No carro, eles se acomodam nos bancos. Thaís segue protegendo os seios, envergonhada. Pedro mais ainda. Capeto se chacoalha no banco de trás, molhando o veículo e respingando nos dois. Thaís ri.

- Vou te levar para casa- Diz Pedro.
- A sua é mais perto. Aceito uma ducha quente e um café- ela responde.
Em minutos, eles atravessam algumas quadras e chegam até a casa do escritor. Ele indica a direção do banheiro, observa que lá tem um secador de roupas e diz que vai até o quarto buscar toalhas para ela. Thaís o segue até o quarto e surpreende-o com um beijo. Pedro fica ofegante, mas permanece em silêncio. Ela pega em sua mão e faz com que toque e acaricie os seus seios.

- Tu ficou me olhando de um jeito lá no cemitério...- Ela sussurra em seu ouvido, beijando o seu pescoço
- Desculpe, não tive intenção...
- Tudo bem. Eu me senti...pura. A última vez que alguém me olhou daquele jeito faz...muito tempo. E foi tu. Lembra do nosso primeiro beijo?
- Do único beijo? Éramos crianças...
- Eu fui danadinha, né?
- Me atingiu.
- Me marcou...
- Me machucou...
- Eu te amei...
- Eu te amo.
Pedro estava excitado com as carícias de Thaís. De súbito, ela pára ao ouvir a frase de Pedro. E o encara. Ela lembra da última vez em que estiveram num momento íntimo assim. Ambos estavam na faculdade e após anos afastados tinham reatado a velha amizade. Pedro mostrava fotos dos dois, aos 12 anos, festejando seus aniversários. Foi quando ele disse exatamente isso “eu te amo”. Foi quando Thaís contou sobre sua vida, sobre ter se tornado uma garota de programa. Foi quando ele fez aquela cara de julgamento e condenação, considerando-a uma impura. Foi quando ela tornou a sumir de sua vida. Mas o destino tratou de colocá-los frente a frente em diversas oportunidades, como agora. Há 24 horas atrás eles se encontraram novamente na boate em que ela estava trabalhando. E aqui estavam os dois, novamente. Thaís pensa em sair de perto, mas Pedro a prende.
- Não vá embora. Não fuja toda vez que eu digo o que tu significa para mim. Fique. Fique para sempre.
- Eu sou uma prostituta. Lembra?
- Eu sou o João Pedro. Lembra?
- Não somos mais crianças, Pedrinho. Não há mais inocência. E a sociedade lá fora é bem preconceituosa. E todos me conhecem. E todos te conhecem. Eles compram os seus livros. E deitam na cama comigo.
- E podem nos condenar como quiserem...
- Até quando? Até onde tu suportaria? Até onde iria o teu amor?
- Até que a morte nos separasse. Talvez nem então...
- A vida não tem final feliz, meu amigo escritor.
- A gente pode escrever um, juntos.

Thaís ri deliciosamente com a frase de Pedro.
- Quantas vezes eu te pedi para ser original? Isso soa como frase feita.
- E isso soa como o quê?
Diz Pedro, tomando a nos braços e beijando-a intensamente. Joga Thaís em cima da cama, ficando por cima dela. Excitado, ele beija o seu pescoço, atrás de sua orelha, desce até os seus seios molhados. Pedro percebe algo diferente.
-Piercings??!?
- Cale a boca e continue.
E, assim, ele arranca a blusa de Thaís a joga longe, sem perceber na cabeça de Capeto. O cachorro resmunga e resolve sair do quarto para achar outro canto e dormir. Pedro segue acariciando-a num misto de tesão e ternura. Os dois estão nus, com seus corpos quentes e fogosos. Pedro desliza a ponta dos dedos pela pele de Thaís. Ela passeia suas unhas pelas costas dele. Com suas línguas desejosas do sabor um do outro. Com seus gemidos e ais de um prazer há muito imaginado. De uma satisfação incontida e que, nesse instante, é extravassada com beijos, alguns arranhões, algumas mordidas, abraços apertados e muito suor.
*****
Pedro dormia em sua cama, sentindo-se em paz com Thaís ao seu lado. As visões no cemitério o perturbaram muito, pois eram muito reais. Ele não sabia porque elas aconteciam. Talvez fosse resultado de suas meditações, talvez fosse o efeito das drogas que tantas vezes usou, obcecado com a possibilidade de expandir a mente para criar histórias cada vez mais intrigantes e tornar-se um escritor mundialmente famoso. Logo depois da faculdade, após ter começado a desenvolver o seu talento como escritor, ele foi bebendo da fonte da fama e dinheiro. E ao passo que foi gostando disso, foi se deixando seduzir, envolver e querer mais e mais. Seus dois primeiros livros foram um sucesso, mas nada comparados à explosão nas vendas com a sua terceira obra, já entrando no segmento de morte e mistério, o que conquistou uma gama maior de leitores.
As descrições dos crimes, das mortes e a forma realista com que conduzia os dramas de seus personagens atraiam os leitores, àvidos por aquele tipo de literatura sobrenatural. Temendo que a fonte pudesse se esgotar, Pedro ficou obcecado na busca de inspiração, recorrendo a notícias retiradas das páginas policiais, crimes violentos, estudo sobre ocultismo, demonismo, meditação, práticas místicas e, em busca de novas experiências, buscou também as drogas. Não era um viciado e acreditava que se mantinha sob controle.
Algumas vezes usou maconha e cocaína, não passando disso. Ele escondia isso até dos amigos mais íntimos, como Genaro. Apenas Thaís sabia disso. Sua mente lógica, logo tratou de acreditar que as visões que estavam lhe perturbando eram fruto de algum distúrbio causado pelas drogas. Por isso, Pedro havia decidido parar com elas, afinal, não era um viciado. Melhor voltar a escrever as histórias doces de final feliz, como sugeria Thaís, do que continuar vendo aquelas monstruosidades.
Deitado em sua cama, Pedro percebe vozes na cozinha. Aos poucos, abre os olhos e descobre que Thaís não estava mais deitada. O estalar de ovos sendo fritos e o cheiro característico acabam por despertá-lo. Na cozinha, ela parecia estar conversando com alguém. Quem seria, a essa hora da madrugada? Pedro veste-se rapidamente e vai até a cozinha. A primeira pessoa que vê é Thaís, rindo de alguma piada. Ela o vê e convida para juntar-se.

- Oi, Pedro. Bateu a fome. Não queria te acordar. Estava aqui conversando com o teu amigo...
Pedro entra na cozinha tentando descobrir quem seria o amigo e se arrepia ao descobrir. Era Virgílio. O escritor fica desorientado por um instante. Vírgilio o cumprimenta.

- Olá, Pedro. Tu não se despediu lá no cemitério...
- O senhor estava lá no enterro do Genaro? - Thaís pergunta.
Pedro chega próximo de Thaís, sem tirar os olhos de Virgílio.
- Como...que tu está enxergando ele agora? Lá no cemitério tu não viu nada do que eu vi. Nem a ele...
- Do que tu está falando, Pedro?- Questiona a garota.
- Os mortos. O Virgílio é um deles. Como que tu está enxergando ele agora?
Thaís ri.
- Do mesmo jeito que tu, ora.
- Mas eu achei que só eu conseguia ver...

Vírgilio resolve intervir.
- A resposta para estarmos conversando não te parece óbvia, Pedro?
O escritor segue em silêncio, enquanto Thaís deixa-os conversando e segue comendo os ovos fritos.
- Eu disse que tu tinha um dom. Podia ver e ouvir o outro lado. Um dom para poucos...

Pedro não conseguia entender as palavras de Vírgilio. Thaís resolveu responder.
- Eu estou morta, Pedro. É isso que ele está querendo dizer.
- Não...não brinque com isso, Thaís.
- Não estou brincando.

Vírgilio aponta para o quarto, sugerindo que Pedro vá olhar algo. Caminhando devagar, ele teme o que possa estar lá dentro. O quarto parece estar muito distante, há quilômetros. Um corredor longo e escura aponta para a porta, com a luz do quarto acesa. Pedro chega até ela e estremece, vendo o corpo de Thaís ensanguentado na cama. Seus seios retalhados, a garganta dilacerada e os lençóis encharcados de sangue. O pavor toma conta do escritor que, desesperado, se lança em cima da cama, abraçando o corpo de sua amada, enquanto uma dor desesperadora toma conta de seu peito.
- Não, não é verdade. O que foi que aconteceu??? O que foi que aconteceu??
- Tu não lembra?? Tu recebeu uma ordem para fazer isso. Alguém te inspirou a fazer isso. Do mesmo jeito que tu é inspirado a escrever aquelas histórias dos desencarnados. Da mesma forma que o teu amigo Genaro fez com que ela tocasse aquela música no cemitério. Os mortos influenciam a tua vida. É por causa deles que tu ganha dinheiro. É por causa deles que tu vai ser destruido. Há uma razão para isso.
- Eu preciso chamar uma ambulância...
- É tarde demais, Pedro. O espírito dela não voltará para o corpo...
Pedro vai para cima de Virgílio e o toma pelo colarinho.
- Quem fez isso, quem a matou? Quem foi o desgraçado??
Vírgílio aponta com o olhar para o enorme espelho fixado numa das paredes do quarto. Pedro percebe uma névoa que, aos poucos, vai se definindo. Então, ele vê: Thaís e ele nus, na cama, fazendo sexo. Em seguida, ela dorme profundamente. Pedro se levanta, abre o roupeiro e retira uma caixa. Dentro, guardava um invólucro contendo cocaína. Ele aspira a droga e bebe um alguns goles de uísque. Em seguida, sai do quarto. Thaís, nua e dormindo, ajeita o travesseiro. Pedro volta até o quarto com uma faca na mão. E rasga a garganta de Thaís, que acorda afogando-se com o próprio sangue. Ela leva às mãos ao pescoço instintivamente, ao mesmo tempo em que Pedro crava a faca no seu peito e, num movimento circular atinge os seios dela. E, assim, Pedro assassinou a mulher que ele amava.

Ele jogou-se ao lado do corpo de Thaís, abraçando-a, chorando muito. Ele ouve a voz de Virgilio.
- Só um de vocês continuará vivendo. O outro deve pagar pelos pecados da existência anterior. Não há paz para o teu espírito nesta vida. Ainda não.
Pedro não quer saber de Virgílio e seus mistérios. Ele fecha os olhos querendo que aquilo não fosse real e que Thaís estivesse viva. Ele chora toda a dor do mundo por perder a mulher que ama e mais ainda por ter sido o seu assassino.
****

Thaís acorda ao ouvir o choro de Pedro, abraçando-a fortemente, pedindo perdão.
- Pedro, acorda!!! O que tá acontecendo??
Encharcado de suor ele acorda do pesadelo. Thaís estava viva.
- Graças a Deus, graças a Deus. Eu não te matei. Foi...foi tão real.
- Pedro, eu tô preocupada contigo. Ainda não conversamos sobre o que aconteceu lá no cemitério, sobre o que aconteceu na delegacia e o que está acontecendo agora. O que tá havendo contigo?
- Eu...eu não sei.
- Tu continua se drogando?
- Não são as drogas, Thaís. Eu...eu vejo coisas. Coisas que ninguém mais vê. Eu te falei sobre isso. Pessoas que morreram estão aparecendo e me pedindo coisas, me amaldiçoando. É horroroso, é insuportável.
- Desculpe, mas para mim isso parece tão...impossível de acontecer. Lá no cemitério tu falava algumas coisas, estava desesperado, depois pensou que o Genaro estava por lá, também...
- Por que tu ligou o som? Por que tocou Patience?
- Eu...me ocorreu na hora que tu pudesse ouvir aquilo e sair daquele...transe. Sei lá...
- Foi o Genaro. Ele te fez ligar o som. Ele tentou me ajudar através de ti. É dessa forma que eu escrevo, entende? Alguma coisa é soprada para mim. Talvez eu tenha despertado algum tipo de mediunidade inconsciente. Só que eu não sei lidar com isso. Eu achava que era o meu talento de criar. Mas são os mortos. Eles podem me ver. E eu, de alguma forma, escrevo sobre as suas histórias. Não existe inspiração nenhuma. São histórias reais, de pessoas que morreram mesmo e que estão vagando por aí. E são elas que me perturbam.
- Que razão teriam para isso?
- O Virgílio disse que há uma razão. Só não sei qual...
- Quem disse?
- É...um espírito ou guia ou sei lá o quê. Ele aparece para mim e me dá algumas dicas.
- Dicas? Um morto te dá dicas?

Pedro faz que sim com a cabeça, praticamente percebendo os pensamentos de Thaís que o encarava num misto de pena e preocupação.
- Pedro, tem certeza de que não é um efeito "colateral" das drogas? Alguma sequela?
- Tu não está acreditando em mim...
- Desculpe.
O telefone dela toca. Os dois se encaram. Thaís levanta-se da cama, vestindo-se. Pedro a acompanha com o olhar.
- Para onde tu vai?
- Eu...tenho compromissos.
- Eu me abri para ti. Eu te disse o que eu sinto. Eu não quero que tu volte para lá.
- Pedro...eu não posso abandonar essa vida...dessa forma. Não é assim que funciona...
- Tu não acredita em finais felizes?
- Só para a Cinderela. Ou em histórias que não sejam ditadas pelos mortos.
- Thaís. Não vá.
- Esta é a minha decisão. Esta é a minha vida.

Ela termina de se vestir e sai do quarto, deixando Pedro inquieto. Ele vai logo atrás e resolve atingi-la.
- Tu tem escolha. É isso o que quer para a tua vida? Continuar se prostituindo e fazendo filmes pornôs? Deitando cada noite com um homem diferente? É pelo dinheiro? Eu tenho dinheiro. Eu posso pagar por tua companhia. Eu posso pagar para trepar contigo também, sua...

Thaís pára na porta. Ele não completa a frase. Ela apanha sua bolsa e vira-se, com lágrimas nos olhos.
- O teu amor não foi tão longe assim, Pedro. Durou só até a porta do teu quarto...
- O...teu telefone. Eu sei que estão te chamando naquele prostíbulo...
- Minha mãe está me ligando, Pedro. Mas isso não importa. Eu estou indo embora. E não voltarei mais aqui...

Pedro se arrepende de vê-la daquele jeito. Se arrepende de sua reação intempestiva. Ela abre a porta. Encara a chuva que ainda caía lá fora. Depois, vira-se para Pedro.
- Mas tu sabe onde me encontrar. Se quiser trepar, eu aceito o teu dinheiro, sim. Como o de qualquer outro. Afinal, é o que o que sou. É o que faço.

Thaís fecha a porta e vai embora. Pedro pensa em ir até ela, mas fica com medo de piorar a situação. Ele vai até o quarto, abre o roupeiro e retira um caixa. Dentro um invólucro. Cocaína. Ele usa a droga e deita na cama por um instante, relembrando das últimas horas. Em seguida, veste a roupa e vai até o banheiro do quarto lavar o rosto. Antes, encara-se no espelho. “Tu é um idiota”, diz para o seu reflexo. Depois, agacha-se para encher as mãos de água e molha o rosto. Ao encarar novamente o espelho, percebe outra imagem. Era o rosto de seu pai. Ele sorri com maldade para Pedro, que vê o braço dele rapidamente saindo de dentro do espelho e agarrando os seus cabelos com força. Em seguida, ele o puxa contra o vidro, que se espatifa. Um corte na testa o faz sangrar.
Ele salta para fora do banheiro, assustado. Na parede do quarto, no outro espelho, ele encara a figura do pai que, apoiando-se na moldura vai saindo para fora e caminhando em sua direção. Pedro pensa em dialogar.
- Pai?? O que...o que o senhor quer de mim? Por favor, pai. Me ajude...me ajude a suportar isso tudo. Me ajude a dar um fim nisso tudo.
O pai de Pedro chega próximo dele, que está covardemente agachado num canto. O homem à sua frente desfere-lhe um coice, fazendo-o cair. Em seguida e sem nada dizer, ele puxa um revólver. Pedro se desespera.
- Não, pai. Por favor, não!
- Eu não sou teu pai! E tua mãe é uma adúltera do inferno...uma cadela que não vale nada.

E o homem aponta a arma para a cabeça de Pedro e, em seguida, começa a chorar. “Eu não consigo fazer isso. Eu não consigo”, ele lamenta e senta na cama chorando, largando a arma. Pedro caminha até ele e tenta tocá-lo. O homem levanta o olhar, vermelho de raiva e pula no pescoço de Pedro, apertando-o com uma força sobrenatural. Quase sem conseguir respirar, ele pede por socorro, enquanto é invadido por uma remota lembrança de infância. Instantes depois, o som de um tiro e a cabeça do pai explodindo à sua frente e espalhando sangue e miolos por cima dele e pelas paredes do quarto.

Pedro levanta assustado, questionando a própria sanidade. Ele vai saindo de costas do quarto, sem conseguir tirar os olhos do corpo do pai. Na cozinha, ele ouve vozes. Caminha até lá e vê o seu pai e a sua mãe discutindo.
- Eu descobri a verdade. Tu é uma puta, uma vadia. E aquele moleque não é meu filho. Eu te amava, Maria Helena. Eu te amava de uma forma que ninguém vai te amar. Agora, tu tem o meu ódio, o meu desprezo mais absoluto. Tu e aquela criança maldita.
- Não fale assim. Ele...ele te ama. Tu é o herói dele.
- Tu destruiu comigo...
- Foi há muitos anos. Não significou nada para mim...
- Como não significou?? O moleque está lá no quarto, dormindo!! Ele está lá. E eu achava...eu achava que ele era meu filho!!! Eu fui traído e não merecia isso de ti. Não significou nada?? Eu não signifiquei nada, sua desgraçada. Enquanto eu só queria o melhor para ti, para o nosso futuro, tu...fornicava, no nosso quarto...com aquele desgraçado. Ele...destruiu com a minha vida. Primeiro, me transformou num corno estúpido, enquanto gozava no teu corpo, na tua boca...agora, por causa dele e por tua causa, eu vou me tornar um assassino...
- Não, por favor. Não faça isso. Não o mate...foi culpa minha. Só minha.
- Vou matá-lo, sim. Não sou sossegar enquanto não matá-lo. Mas primeiro, vou matar o filho dele.
- Não!!!
A mulher tenta impedi-lo de ir até o quarto, mas ele a joga longe, arremessando-a contra um armário, quebrando o vidro e caindo no chão. Raivoso, ele cruza por Pedro parado no corredor e segue em direção ao quarto, onde uma voz de criança emitia um choro sufocado. A mulher levanta-se, cambaleando e corre até o quarto. Pedro acompanha a sua trajetória, assustado. Ele a vê parar na porta e entrar devagar. Instantes depois, o som de um tiro. Um minuto depois ela sai do quarto com uma criança nos braços. Era o pequeno Pedro, aos três anos, com o rosto coberto de sangue e chorando muito assustado. Os dois cruzam pelo escritor e desaparecem ao passar pela porta da frente. Tudo fica em silêncio por um instante. Até que Pedro começa a ouvir algo semelhante a um sussurro. “Está escrito. Está tudo escrito”. Instintivamente, ele vai até a prateleira e apanha um exemplar de seu último livro, “O Conto Proibido” e folheia algumas páginas. Lá, estava descrita a história de um homem que, não aceitando a traição da esposa planeja matar o amante dela, mas é morto antes pela própria esposa, que simula como se tivesse sido suicídio. Ela procura o amante para que ele a ajude e fiquem juntos para criarem o filho, fruto de sua traição ao marido legitimo. O amante, porém, se recusa a ficar com ela, pois tinha a sua própria família.
Não era uma coincidência. Aquilo tinha acontecido. “Vingança. É isso o que ele busca”, ouve Pedro. Logo, ele lembra de seu padrinho, a quem só via raramente no dia de seu aniversário, quando ele deixava presentes caros. Sua mãe não gostava muito dele. Dizia que tinha sido amigo de seu pai e que não era uma boa pessoa. Uma vez, ao chegar em casa, Pedro vira sua mãe discutindo com ele e chorando. Mas ao vê-lo, parou a discussão. Depois da morte de sua mãe, ele nunca mais manteve contato. Agora, tudo parecia óbvio: aquele homem era o seu pai. “Tu deve matá-lo”, ouviu Pedro. “É preciso matá-lo para se libertar”. O escritor foi até o quarto e abriu uma gaveta do roupeiro, retirando uma arma. A arma que estourou a cabeça do pai que o criou até os três anos. Era com aquela arma que ele deveria matar o seu pai verdadeiro. E era isso que ele Pedro iria fazer. Pedro pegou a arma e se dirigiu até a garagem. Lá fora, ao lado de seu carro, estava a jovem suicida, ainda clamando por ajuda. Pedro a ignorou e entrou no carro, dando partida. A chuva estava cada vez mais forte.
Durante o trajeto, enquanto dirigia, ele vê surgir uma mão escalando o capô do carro. Era o homem com partes do corpo esmagadas que vira no hospital, ainda implorando por ajuda. Pedro fecha os olhos e, ao abri-los, percebe tarde demais que havia atropelado uma mulher que surgira rapidamente atravessando a estrada. Ele olha para trás e percebe que não havia nada e que se tratava apenas de mais uma visão.
O escritor chega até a casa de seu padrinho. Ele desce do carro e antes de chegar até a porta, sente uma mão em seu ombro. Em seguida, a voz de Virgílio.
- Tu tem escolha. Essa vingança não é tua.
- Eu não quero continuar tendo alucinações. Não vou conviver com isso. Preciso dar um fim à essa loucura toda. Eu não sei mais o que é real.
- Tu tem um dom. Só precisa aceitá-lo.
- Suma da minha frente.
A porta da casa abre. Um velho aparece. Ele reconhece o filho de sua amante. O filho que nunca assumiu. Os dois se encaram por alguns segundos. “Estranho”, pensa Pedro. “Olhar para ele é como olhar para um velho inimigo. Como se esse acerto de contas fizesse parte de nossos destinos”. E Pedro dispara, abrindo um rombo em sua cabeça. Em câmera lenta, ele vê o seu corpo despencar no chão, frágil e ridículo, ao mesmo tempo em que algo se desprende do corpo, como uma cópia translúcida do homem que acabara de matar. Pedro ouve gritos dentro da casa e uma mulher corre até o corpo do marido. Instantes depois, uma criança de uns três anos grita pelo avô. “Assassino”, ele ouve a mulher gritar, enquanto manda que alguém tire a criança dali. Pedro a encara e leva a arma até a boca, mas o tiro não sai. A única bala havia sido usada. Assim, Pedro se ajoelha no chão e, como se estivesse em transe, parece ouvir ao longe os choros da mulher abraçada ao corpo do homem morto. À sua volta, Pedro percebe algumas figuras se definirem. Eram vários mortos e, entre eles, o homem que tinha sido o seu pai. Todos olham para ele, sem qualquer reação. Em seguida, um a um, eles começam a sumir. E Pedro parece ouvir algo semelhante a um barulho de sirenes. Segundos depois, viu surgirem policiais ao seu redor. E ele sorri ao lembrar do final do Conto Proibido. Exatamente igual ao que estava acontecendo com ele, nesse instante. “Sem finais felizes”, ele sussurra para si mesmo.



*****
Uma semana depois, Thaís se preparava para ir à universidade já que havia retomado os estudos. Alguém bate à sua porta. Era um homem usando terno e gravata. Ele se apresenta como advogado, dizendo representar João Pedro Benites.

- Creio que tu sabe o que aconteceu com ele. Bom, todo o País sabe. Afinal, ele é um escritor famoso. Enfim, ele foi preso e depois foi submetido a alguns exames. Por determinação judicial, acabou recolhido a uma clínica psiquiátrica por apresentar alguns delírios, resultantes do uso de drogas, talvez. Bem, não sei se tu sabia, mas antes disso tudo acontecer ele havia assinado um termo em que te beneficiava caso viesse a morrer ou algo assim acontecesse. Ou seja, ele passou para ti as contas bancárias, direitos autorais e todo o lucro que vier de suas publicações. E, olhe, depois disso tudo que aconteceu, os livros dele estão vendendo muito mesmo.

- Eu...eu não sabia disso. Ele está bem?
- Está sob medicamentos fortes. Ele diz que vê e conversa com mortos. Segundo os médicos, a abstinência das drogas faz com que ele tenha essas alucinações.
- Eu posso ir visitá-lo?
- Pode. Bom, eu precisava que tu passasse no escritório para resolver a papelada. Mas estou aqui por mais um motivo.- o advogado aponta para o seu veículo. Capeto, o cachorro de Pedro estava mordendo o banco.- Por favor, aceite. Antes que ele destrua o meu carro.
O advogado abre a porta do carro e Capeto corre até Thaís, que o acaricia.



****
No dia seguinte, a garota caminha pelo corredor da Clínica Psiquiátrica onde Pedro estava. Ela pára diante de uma porta. Através de uma pequena janela na porta, ela o vê deitado inconsciente, com os braços e as pernas amarrados. Ela se sente culpada, pois acredita que poderia ter feito alguma coisa por ele, ajudando-o, assim que soube que ele usava drogas com a absurda idéia de vivenciar outras experiências e despertar idéias para escrever. Ela se sentia responsável por ele, pois sabia que da maneira que fosse, Pedro a amava.

- Não se preocupe. Nós estamos cuidando bem dele.
Thaís olha para o homem vestido de branco e estende a mão para cumprimentá-lo.

- Obrigado doutor...fico aliviada. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Ele estava meio perturbado nos últimos tempos. Morava sozinho e...dizia ouvir vozes e coisas assim. O senhor sabe, ele...costumava usar drogas. Enfim, ele é uma pessoa muito especial para mim. A gente se conhece a vida inteira.
- Eu sei disso, Thaís.
- Como o senhor sabe meu nome?
- Está no seu crachá- Diz o médico.
- Ah, claro- ela percebe, olhando o crachá de visitante da clínica.
- O Pedro é meu amigo. Tenho uma certa dívida com ele. Digamos que os seus livros ajudaram alguém que era especial para mim. Fizeram com que uma mensagem fosse compreendida e...ajudasse essa pessoa a seguir vivendo. Bom, eu vou andando. A gente se vê por aí.

O médico se despede. Thaís volta a olhar para Pedro, através da janela. Em seguida, ela torna a falar com o médico, que se distancia pelo corredor.
- Perdão, mas qual é o seu nome, doutor?
Ele pára e faz uma reverência para ela.
- Oh, desculpe. Esqueci de me apresentar. Pode me chamar de Virgílio.



FIM